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As primeiras jornadas dos principais campeonatos europeus, coincidentes com o último mês de abertura do mercado de transferêncais, parecem dissociadas do resto dessas provas. É uma fase de adaptação à intensidade da competição, mas também um período de incerteza relativamente à constituição dos plantéis de cada equipa. Isto afeta, naturalmente, os jogadores. Os que sabem que vão ficar, incertos sobre se vão continuar a contar com os que podem partir, e os que podem partir, ansiosos por não ficar. Alguns deles até são afastados do plantel principal e são forçados a ter, mais tarde, o mês de adaptação competitiva. O desempenho desportivo é, claro, afetado.

Mas não é só. A verdade desportiva (tão em voga nos dias que correm) também é perturbada, porque pode acontecer que um jogador dispute a primeira jornada por um clube e que, na seguinte, represente a do adversário que enfrentou. Também se pode dar o caso de esse jogador ser afastado da competição, de forma a preservá-lo fisica e mentalmente para uma futura transferência, mas aí o jogador ficaria privado da tal adaptação competitiva, pelo que o clube que vende (que não tem o seu jogador em campo), o clube que compra e, sobretudo, o jogador ficariam, de certa forma, prejudicados. O único beneficiado seria o seu agente, que aproveitaria a espera para lançar especulação de forma a aumentar o preço de transferência, que lhe iria garantir um maior ganho com a suposta “comissão de agenciamento”.

Coutinho protaginozou uma das 'novelas' do mercado de transferências Fonte: Mirror
Coutinho protaginozou uma das ‘novelas’ do mercado de transferências
Fonte: Mirror

Onde fica o espetáculo no meio disto tudo? Onde fica o suposto principal protagonista (o Futebol) no meio de um guião inundado pela ganância de uma pessoa que nada tem a ver com ele? Continua a existir, sim (a bola rola na mesma), mas estará condicionado pelo facto dos seus interesses não serem atendidos. Afinal, a credibilidade do jogo que tanta gente ama fica afectada e esfuma-se por entre guerras de bastidores. É o futebol-negócio, com todo o mal que isso tem, a atingir o seu esplendor em prejuízo do futebol-desporto.

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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