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Olivier Giroud: o craque que adoramos odiar

Gonçalo Taborda · 3 min

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Numa altura em que o Chelsea Football Club parece interessado em tirar Álvaro Morata do seu plantel e trazer Gonzalo Higuaín para Stamford Bridge, esta é a melhor ocasião para falar de… Olivier Giroud. O outro avançado dos blues. Aquele que é constantemente rebaixado e criticado.

Vamos começar pelo mais importante: esqueça o número da camisola. Olivier Giroud não é um número “9”. Esqueça também as comparações. Giroud não é um avançado fora do normal. Não, não está ao nível de Cristiano Ronaldo ou Robert Lewandoski. Mas será que tem de estar, para ser considerado de classe mundial? Não.

Alguém que percebeu isto foi Didier Deschamps, no Mundial de 2018. Por isso mesmo é que Giroud acabou o torneio com… zero golos. “Ele pode não ter um estilo [de jogo] espampanante, mas a equipa precisa dele mesmo que não marque golos”, disse Deschamps em declarações à Reuters. Nesta frase, o selecionador francês resumiu aquilo que Olivier representa para a sua equipa.

Fonte: Bola na Rede

Giroud não é um jogador espetacular, mas é um jogador crucial. Tomemos precisamente o exemplo do Mundial. Se Antoine Griezmann e Kylian Mbappé marcaram quatro golos cada na competição, bem podem devê-lo, em parte, ao trabalho do seu colega na frente de ataque. Existe uma razão pela qual Giroud teve mais minutos que Ousmane Dembelé ou até que o próprio Mbappé. O avançado do Chelsea é crucial na criação de espaços para os seus colegas de equipa. Deschamps sabia que já tinha grandes finalizadores no seu plantel. Jogadores que podiam alterar o rumo de um jogo com o seu talento puro. Mas precisava de um homem que trabalhasse nas sombras para que estes pudessem brilhar.

Foi esse o mérito de Deschamps: percebeu que Giroud não é um número “9”, nem um jogador que se dá a momentos de beleza futebolística. Então, não o obrigou a ser algo que não é, nem a fazer algo de que não precisa. Utilizou-o na posição de segundo avançado, onde Giroud deve estar. Colocou um jogador menos veloz e tecnicista, mas forte, possante e capaz de atrair os defesas com a sua capacidade de reter o esférico e esperar que os colegas de equipa se desmarquem.

Quem aprendeu com Deschamps foi o novo treinador do Chelsea, Maurizio Sarri. Com ele, Giroud passou novamente para a posição de segundo avançado. Os bleus têm Griezmann e Mbappé; os blues têm Eden Hazard, que tem tido uma das suas melhores épocas nos últimos anos. Desde o Mundial, o belga tem demonstrado um brilhantismo que parecia ausente desde 2015. Sarri percebeu que tinha de potencializar o seu número “10”, então atribuiu a Giroud os encargos defensivos que dera a Hazard. No processo ofensivo, deixou de ser Hazard a cruzar para Giroud, mas sim Giroud a servir Hazard ou, no mínimo, a criar o espaço para o belga se mover livremente, como fazia com Griezmann.

Daniel Storey, redator da Football365, escreve: “[Giroud] é uma entidade quase única no nível de topo: o avançado bem sucedido sem golos”. Porque, e nunca é de mais realçar, Giroud é um avançado, mas não é um “9”.

Fonte: Bola na Rede

Embora esteja a ter uma das suas piores épocas a nível estatístico nos últimos anos, a verdade é que o francês tem hoje uma importância que nunca teve anteriormente, tanto no seu clube, como na sua seleção.

É fácil não gostar dele, porque não é um jogador entusiasmante, não vai mudar o jogo com um rasgo de génio (embora já conte com vários golaços na sua carreira, incluindo o prémio Puskas de 2017), nem vai marcar mais de 30 golos por época. Mas são precisamente estas características que fazem dele indispensável para as equipas em que joga.

Fonte: Premier League

Gonçalo Taborda

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