Son Heung-Min: De deixar os olhos em bico!

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cab premier league liga inglesa

O futebol asiático tem vivido um crescendo incrível nos últimos tempos. Os países orientais têm investido no futebol com largos milhões, mas não só em comprar estrelas reformadas. Os países asiáticos têm investido na formação e na abertura ao resto do mundo, e as mais recentes estrelas, como Son Heung-Min ou Kagawa, têm comprovado isso.

É um mercado para o qual se deve olhar mais e com infinitas oportunidades, numa altura em que o mercado sul-americano começa a ficar saturado. No Oriente podemos encontrar outro tipo de jogadores, com características diferentes e que podem levar a uma grande melhoria no futebol europeu. Son é o mais recente, e sonante, exemplo. O jovem sul coreano já nos tinha deixado de água na boca ao serviço do Leverkusen, onde jogava na zona central do último terço, umas vezes como médio ofensivo, outras como avançado. Nos Spurs tem-nos deliciado com uma jogabilidade que ocupa toda a frente de ataque. Tem jogado na ala direita, lugar preferencial para receber a bola com o requinte de Eriksen e de a entregar com toda a precisão coreana a Kane. A verdade é que Son não se limita à ala direita, entrando várias vezes para o corredor central, uma das principais razões que explicam as últimas excelentes exibições que culminaram com 3 golos em 3 jogos.

Son tem tudo o que um outro qualquer bom médio ofensivo europeu ou sul-americano poderia ter: qualidade de passe, velocidade e um excelente remate à distância. O que o diferencia? O rigor, a cultura táctica que tão bem caracteriza os orientais, tanto no desporto como em tantas outras coisas da vida. Son tem uma excelente cultura táctica, sabe ler o jogo e não faz um acto sem um propósito. Com isto podia-se pôr de parte a criatividade, uma vez que esta é uma qualidade que tantas vezes se opõe ao rigor e precisão, mas não. Son consegue alienar a criatividade, consegue romper e desmarcar companheiros de equipa, marcar e dar a marcar. É isto que faz dele uma das maiores promessas do mundo, são estas as características que, na Coreia, lhe valeram o apelido de ‘Sonaldo’.

Legenda: O sul coreano é a mais recente estrela a actuar em White Hart Lane Fonte: Facebook Oficial do Tottenham
Legenda: O sul coreano é a mais recente estrela a actuar em White Hart Lane
Fonte: Facebook Oficial do Tottenham

O futebol asiático já teve um representante de peso na Premier Legue, de seu nome Kagawa. Infelizmente não deu certo, a meu ver pelo facto de tanto Ferguson como Moyes insistirem de forma abusiva em colocá-lo na lateral esquerda quando o japonês é um nítido 10, de alma entregue ao jogo para percorrer todo o campo, dar e receber e, de vez em vez, desencantar um belo golo. Agora é a vez de Son; os primeiros tempos prometem e o facto de jogar na lateral direita e não como segundo avançado fazem esquecer o que poderiam ser as suas maiores debilidades na liga inglesa: o jogo aéreo e o seu físico. O facto de jogar onde joga dá-lhe liberdade para romper e maior competência para cruzar do que para cabecear. Em poucas palavras: tem tudo para dar certo!

Esperemos que este homem deixe a Europa de olhos em bico, que dê alento a esta equipa londrina, que tanto precisa. Acima de tudo, que seja um “embicar” de olhos para todos os olheiros começarem a olhar mais para o Oriente como uma janela de oportunidades, como um mercado emergente onde se podem inventar bons negócios e onde se podem achar grandes pérolas com características muito enriquecedoras, sobretudo para equipas que apostem no rigor táctico.

Foto de Capa: Facebook Oficial do Tottenham

Tomás Gomes
Tomás Gomes
O Tomás é sócio do Benfica desde os dois meses. Amante do desporto rei, o seu passatempo favorito é passar os domingos a beber imperial e a comer tremoços com o rabo enterrado no sofá enquanto vê Premier League.                                                                                                                                                 O Tomás escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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