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Southampton – Um exemplo a seguir

André Eusébio · 3 min

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O Villarreal em Espanha, o Hellas Verona em Itália e o Nantes em França. Estas são, até ao momento, as equipas sensação dos principais campeonatos europeus, mas nenhuma bate a prestação do Southampton. Após 11 jornadas, os saints seguem num fantástico terceiro lugar na Premier League, destacando-se pelo facto de serem a melhor defesa (apenas 5 golos sofridos, um deles marcado por Begovic). Um conjunto muito bem orientado por Mauricio Pochettino e que vale essencialmente pela força do seu colectivo.

União nos Saints Fonte: www.sportsmole.co.uk
União nos Saints
Fonte: www.sportsmole.co.uk

Depois de 7 anos no Championship, o Southampton regressou à Premier League em 12/13, terminando a última época no 14º lugar. Nada de surpreendente, já que habitualmente o emblema que joga no St. Mary’s Stadium luta apenas pela manutenção. No entanto, o investimento realizado no último defeso – com as contratações de Lovren, por 10 milhões, de Wanyama, por 15 milhões, e de Osvaldo, por 18 milhões – veio aumentar bastante o nível de uma equipa que tinha como principal referência o experiente Rickie Lambert.

O excelente registo defensivo dos saints não se deve exclusivamente aos 4 jogadores que compõem esse sector – liderado pelo central português José Fonte, que se está a exibir ao melhor nível da carreira e que, nesta fase, já merecia atenção por parte de Paulo Bento. O duplo pivot constituído por Schneiderlin e por Wanyama, queniano que impressionou na temporada passada ao serviço do Celtic, confere um equilíbrio tremendo à equipa, dando maior liberdade aos laterais – os jovens Clyne, à direita, e Shaw, à esquerda – para se envolverem no ataque. Destaque ainda para o croata Lovren, que forma uma dupla muito eficaz com Fonte e está a justificar o valor investido na sua contratação.

Ao contrário da defesa e do meio campo defensivo, onde não existe rotação, do meio campo para a frente existem 6 jogadores para 4 posições – Pochettino tem aproveitado da melhor maneira a versatilidade das opções para o ataque. Na teoria, o extravagante Pablo Osvaldo seria a grande estrela, mas a verdade é que ainda não conseguiu mostrar o seu melhor futebol. Rickie Lambert continua a ser o principal goleador da equipa. Um jogador com um percurso muito invulgar: aos 31 anos chegou à selecção inglesa (marcou na estreia e é bem possível que vá ao Mundial), depois de uma carreira feita maioritariamente nos escalões secundários. Nas alas, os elementos mais utilizados são Adam Lallana, extremo com uma capacidade de desequilíbrio simplesmente do outro mundo, e Jay Rodriguez, mais um jogador resgatado nas divisões inferiores. James Ward-Prowse é um médio centro de origem que, face à consistência exibida pela dupla Schneiderlin-Wanyama, tem sido aposta para o flanco direito. O norte-irlandês Steven Davis é também lançado de forma regular.

Rickie Lambert, a referência ofensiva da equipa Fonte: http://i.telegraph.co.uk
Rickie Lambert, a referência ofensiva da equipa
Fonte: http://i.telegraph.co.uk

Num clube que lançou nomes como Bale, Walcott ou Oxlade-Chamberlain, a aposta na formação é, naturalmente, muito elevada. São dadas todas as condições para que os jovens que chegam à equipa principal possam evoluir. Neste momento, as principais esperanças do clube são Luke Shaw, indiscutivelmente um dos laterais esquerdos mais promissores do futebol europeu (tem apenas 18 anos), e James Ward-Prowse, médio muito semelhante a Steven Gerrard. A curto prazo, estes dois talentos (ainda se pode acrescentar Clyne) podem ser chamados à principal selecção inglesa, juntando-se a Lallana e Lambert, convocados por Roy Hodgson para os particulares frente ao Chile e à Alemanha. Há ainda o caso de Morgan Schneiderlin, que demonstra bem a valorização actual dos jogadores do Southampton. O médio defensivo, internacional sub-21 por França, tem dupla nacionalidade e pode mesmo vir a representar a selecção dos três leões.

A Premier League é um campeonato em que, até à última jornada, tudo pode acontecer. Num ano em que o número de candidatos ao título e às posições cimeiras é maior do que nunca, não é expectável que o Southampton se mantenha na terceira posição. Independentemente disso, a política do clube merece todos os elogios. A aposta na formação, acompanhada de um excelente aproveitamento de jogadores que actuavam em escalões secundários, permitiu o fulgor financeiro que o emblema agora apresenta. Nos próximos anos, tendo em conta a margem de progressão da equipa, certamente vamos ter os saints a lutar por objectivos bem mais ambiciosos do que a manutenção.

André Eusébio

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