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St. James’ Park, o Kryptonite de Mourinho

Pedro Machado · 2 min

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cab premier league liga inglesa“Mas és algum Super-Homem? Isso é impossível!”. É incrível – um caso de estudo, mesmo – a forma como uma obra de ficção científica nos entra pelo quotidiano dentro. Consequências do desenvolvimento das tendências; do poder que séries, filmes e músicas nascidos nos Estados Unidos trouxeram ao mundo, aculturando-o à sua medida. O resultado está aqui: uma personagem, cujo nome foi concebido durante uma noite de insónias por um homem do Ohio, EUA, em 1933, é “chamada” hoje de forma quase diária por cada um de nós quando nos deparamos com um desafio difícil de ultrapassar.

Caso José Mourinho assumisse como objectivo terminar o campeonato inglês sem derrotas no início da temporada, bem que poderia ser-lhe feita a pergunta, dado tratar-se de um feito extraordinário. Isso nem sequer foi considerado nem pela imprensa nem pelo próprio; porém, com o desenrolar das jornadas e com obstáculos difíceis de superar a serem ultrapassados de forma sucessiva, julgou-se possível que Mourinho alcançasse essa meta super-heróica.Vincando a sua superioridade sobre todos os adversários que foi enfrentando, praticando um futebol seguríssimo (fazendo jus ao imenso plantel que possui) e conseguindo sobreviver a ambientes adversos como os de Manchester e de Anfield Road (ou seja, os verdadeiros candidatos ao título inglês), começava-se a acreditar que Mourinho poderia alcançar algo tão grandioso como terminar uma liga tão competitiva sem ser derrotado.

Assim, alguma imprensa britânica e até vários redatores nacionais (entre os quais me incluo) se questionaram sobre a possibilidade de isso acontecer. Houve mesmo quem perguntasse a Mourinho por esse objectivo. Mas ele, de certa forma, deu a entender que esse não era um objectivo a perseguir, como que perguntando “mas julgam que sou algum super-homem?”. A resposta surgiu diante do Tottenham e a equipa goleou, em Stamford Bridge, os rivais de White Hart Lane por uns esclarecedores 3-0, sem ter de recorrer ao seu homem-golo. Aumentou a expectativa da imprensa, dos adeptos e analistas…

… mas essa deixou de existir no passado Sábado. Por volta das 14h45 terminou a esperança de ver ser alcançado um feito histórico no final da temporada, com o Chelsea a sair derrotado do terreno do Newcastle por 2-1 – algo que até se pode vir a revelar benéfico para os blues, dado que lhes é retirada uma certa dose de pressão que se vinha acumulando desde que se começou a falar da invencibilidade. A partir de agora, apesar de continuar a existir a inevitável pressão pela aproximação dos rivais ao primeiro lugar, não há mais nada, para além disso, com que os jogadores do Chelsea se tenham de preocupar…

O sonho da invencibilidade foi travado pelo Newcastle Fonte: Facebook do Chelsea
O sonho da invencibilidade foi travado pelo Newcastle
Fonte: Facebook do Chelsea

… mas fica por cumprir um feito de proporções históricas, super-heróicas. E claro, só poderia acontecer num dos campos onde Mourinho nunca conseguiu vencer (o outro é o Villa Park), espécie de “Kryptonite” (substância capaz de matar a personagem “Super Homem”) do “Super-Treinador”: St. James’ Park.

Foto de Capa: polty_uk (Flickr)

Pedro Machado

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