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Z em Lukasz, Z em Zemsta

Pedro Machado · 3 min

Z em Lukasz, Z em Zemsta

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No início, o horizonte era largo e as esperanças num futuro risonho eram legítimas. Saído de Varsóvia, onde já era tido como um dos melhores guardiões nacionais, Lukasz Fabianski partiu para Londres com o sonho de deixar de ser confirmação no seu país para se afirmar no panorama internacional, onde apenas era visto como “promessa”. Tinha 22 anos.

Não foi a principal opção para a baliza do Arsenal nos primeiros anos e isso compreende-se com a presença de um guardião mais experimentado (tanto dentro das quatro linhas como fora delas – inclusive dentro da estrutura do Arsenal) como Manuel Almunia, que apenas “cedeu” a titularidade ao então jovem polaco em 12 jogos durante três épocas. Algo que podia ser visto como natural, e poder beber o ensinamento de gente “grande” não deixava de ser enriquecedor. Para além disso, seguia-se uma nova época e Fabianski sabia que podia disputar a titularidade com essa “gente”, estava preparado para enfrentar a concorrência do espanhol… e de um outro miúdo polaco que chegara quase nas mesmas circunstâncias que ele – um tal de Szczesny. Ora, perante o tratamento que lhe fora dado, esse não devia ser o concorrente mais feroz na luta pela titularidade. Ele tinha mais experiência, agora. Tinha 25 anos.

Fabianski tem sido preponderante no Swansea esta temporada. Fonte: Swansea CFC
Fabianski tem sido preponderante no Swansea, esta temporada.
Fonte: Swansea CFC

As coisas, porém, não correram da maneira que Fabianski esperaria. Um final de época 2009/2010 desastrado de Fabianski relegou-o para segunda escolha. Wenger deu-lhe a confiança enquanto tal para a eventualidade de o espanhol se lesionar, e apesar de quase comprometer a equipa num duelo da Taça da Liga contra os rivais do Tottenham, conseguiu corresponder ao francês com uma exibição fantástica diante do Partizan, para a Liga dos Campeões, aproveitando da melhor maneira a ausência de Almunia. Ganhou o moral necessário para fazer outras exibições vistosas, como a que desempenhou contra o City, sendo o melhor em campo na vitória por 3-0, numa performance que levou Wenger a admitir que podia estar ali o futuro número 1 do Arsenal. Voltou a desiludir, com um frango que ditou a derrota caseira contra o Newcastle (0-1), mas reagiu bem no duelo contra o Wolverhampton, “devolvendo” os três pontos – defendeu de forma segura o empate nos últimos minutos do encontro, e, no contra-ataque, o Arsenal marcou o golo da vitória. Voltou a brilhar no jogo seguinte, contra o Everton, e manteve alguma regularidade… mas vieram as lesões, e a partir daí a concorrência começou a apertar com a entrada em cena do seu compatriota Szczesny, que, graças ao facto de ter aproveitado a ausência de Fabianski, relegou-o para o banco em 67 ocasiões nas quatro épocas seguintes. Insatisfeito por não ter passado por promessa, pediu minutos. Queria, finalmente ser protagonista. Tinha 29 anos.

Rumou ao Swansea e tem apresentado uma regularidade impressionante, ajudando a equipa a estabelecer-se no 8º lugar, com 35 presenças em 36 possíveis e somando um total de 12 jogos sem sofrer qualquer golo, sendo nomeado para melhor em campo em várias partidas e apontado como o principal responsável por parte dos 56 pontos já somados pelo clube que representa. A forma como foram conseguidos os últimos três, por exemplo, ilustram-no: a jogar fora, no terreno de um dos candidatos ao título, o adversário teve mais posse de bola e poder ofensivo, rematou 23 vezes, 9 das quais à baliza, e em todas essas ocasiões o polaco opôs-se de forma segura, defendeu tudo. Aos 85 minutos, Gomis faturou e a equipa venceu um dos jogos teoricamente mais complicados da temporada por 1-0. O adversário precisava muito de vencer para se manter em superioridade na luta por um lugar de acesso directo à Champions, mas não conseguiu. Teve pela frente um muro polaco de 30 anos. Wenger e companhia arrependeram-se, nesse momento, de o ter deixado fugir, de não o terem deixado maturar.

O miúdo cresceu. É guarda-redes e homem feito. E comprovou-o com 90 minutos de segurança e frieza, a melhor forma de servir vingança. Ou “Zemsta”.

Foto de Capa: Facebook do Swansea

Pedro Machado

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