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Beleza Napolitana: Um futebol à base da imprevisibilidade

Diogo Fresco · 3 min

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Cabeçalho Liga Italiana

O ataque do Nápoles é algo que pensava já não encontrar no futebol de alto nível Um futebol cada mais regido a ideias táticas, que desvirtuam os jogadores, que os prendem a uma estratégia fria e rigorosa A forma como o Nápoles joga a bola é mesmo algo que vem das ruas. É algo que aproxima o futebol de belo, que quando bem jogado se equipara a uma expressão de arte. É algo pelo qual eu comecei a praticar, e depois a ficar-me pela apreciação disso mesmo. Mertens e Insigne destacam-se lá na frente por serem uns diabretes à solta. São uns artistas, embaixadores do movimento artístico “imprevisibilismo”. A arte da imprevisibilidade.

Na Liga Italiana, o bloco defensivo adversário deve ter de desobedecer muitas vezes à ideologia defensiva italiana da marcação cerrada, do encerramento das vias para a sua baliza. Porque contra jogadores destes, é preciso ter muitas pernas e, sobretudo, rins, para conseguirem inverter o seguimento dos seus dribles orientados, ou toques onde reina o subtil e a habilidade no pleno sentido do termo. Jogos contra o Nápoles devem custar o dobro do cansaço para as defesas adversárias…

O Nápoles nunca foi considerado um nome de vulto em terras transalpinas. Nunca ouvi ou li alguém colocá-lo no mesmo patamar de Milan, Inter de milão, Juve, ou mesmo até “Fiorentinas”, “Parmas”, “Lazios”, “Romas”… Mesmo com Maradona, nos tempos mais áureos dos napolitanos, coincidiu com uma forma de jogar que hoje voltamos a testemunhar. Hamsik é eslovaco, nem deve ter aquele febre de criança de ser do Nápoles, mas algo o prendeu por lá. Ainda bem que existem equipas assim, fiéis aos princípios que estabeleceram quando formaram o clube.

Para um apreciador do “Joga bonito”, impossível não sentar e vislumbrar um jogo do Nápoles com estes dois na frente... Fonte: SSC Napoli
Para um apreciador do “Joga bonito”, impossível não sentar e vislumbrar um jogo do Nápoles com estes dois na frente…
Fonte: SSC Napoli

Esta época está favorável a chegar ao final do campeonato no primeiro posto. Além de haver boas possibilidades da interrupção do domínio da Juventus, o Nápoles surge como a equipa a ter em conta para a conquista. Inter mais forte, pelo menos do que o passado muito recente nos acostumou, que penso que fará parte do pódio, mas nem consigo imaginá-los a vencer a Serie A. A Roma também apresenta bons inícios de lutar pelo título, mas penso que falta estofo e consistência aos romanos.

Mertens está já no início dos 30, mas no Nápoles é que veio a ficar conhecido. Insigne é mais novo, e é daqueles jogadores característicos de uma equipa. Neste caso, do Nápoles. Insigne é o príncipe predileto do sul de Itália. Para obter a coroa, não há necessariamente alguém a ter que morrer, mas para o ser vai ser preciso a Juventus ser abatida. Campeã há seis épocas consecutivas é obra, mas uma Liga que há duas décadas era disputada de forma extrema, hoje tornou-se uma Liga pouco atrativa e até monótona. Pelo que parece, vão surgindo equipas capazes de ir até ao fim.

Insigne é muito talentoso, e é um jogador à Nápoles. Não é Maradona, mas talvez nem o precise de o ser. Neste momento o clube está destacado na liderança do campeonato, nem a meio vamos, mas a equipa está sólida, tem rotinas já muito interiorizadas por entre os jogadores napolitanos, e espero que sejam mais brilhantes exibições a arrecadar os três pontos semanais.

Lorenzo Insigne tem muito que se lhe diga, há anos que ouvimos falar do pequenote napolitano, de apenas 1.63m, que com pernas tão curtas consegue correr mais do que as torres defensivas. Talvez seja dessa forma que o Nápoles se superiorize aos concorrentes, sempre fiel à sua política: armas pequenas, mas atiradores eficazes.

Foto de Capa: SSC Napoli

Diogo Fresco

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