Inter de Milão: recuperar o estatuto

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O Inter, tal como o rival AC Milan, anda há vários anos longe da luta pelo título na Serie A. Nas últimas temporadas os nerazurri têm apresentado plantéis bastante fracos – uma consequência do período de menor fulgor financeiro que atravessam – e os resultados não têm honrado a grandeza do clube. Contudo, as contratações para esta época aumentaram bastante o nível do elenco, sendo de esperar que a equipa milanesa consiga ficar nos lugares cimeiros (pedir o título é demasiado).

Depois do excelente trabalho no Nápoles, Walter Mazzari teve uma época de estreia bastante satisfatória. Para além do quinto lugar, que valeu o regresso às competições europeias, o técnico italiano, sempre fiel ao esquema de três centrais, conseguiu criar uma base forte, potenciando jovens como Juan, Kovacic ou Icardi. As expectativas para esta temporada são naturalmente mais elevadas. À equipa da época passada, que ainda tem bastante margem de progressão, juntaram-se alguns reforços sonantes, que chegaram a Milão para dar maior qualidade e profundidade a um plantel que precisava de ser melhorado.

A poucos dias do fecho do mercado de transferências, a principal lacuna do plantel do Inter é a posição de médio ofensivo. Com a saída dos argentinos Rubén Botta e Ricky Álvarez (de partida para o Sunderland) e do italo-argentino Schelotto os nerazurri não têm jogadores desequilibradores para actuar no último terço do terreno. De resto, a abordagem ao mercado foi excelente (para ser perfeita só falta Giovinco, que é uma aquisição mais complicada) e dá a Walter Mazzarri condições para realizar uma temporada positiva. Vidic, que passou por alguns problemas físicos nas últimas épocas, tem ainda muito para dar no futebol italiano e será o patrão da defesa; Gary Medel é uma opção de qualidade para actuar como central ou no meio campo (atitude não lhe falta); M’Vila, que até se mudar para a Rússia era um dos melhores médios defensivos do futebol europeu, é uma grande aquisição e pode “renascer” em Milão; Dodô, emprestado pela Roma, tem as características ideais para ocupar o flanco esquerdo; Pablo Osvaldo é uma incógnita, mas se tiver a cabeça no lugar não há dúvidas de que vai ser uma mais valia para a equipa.

Walter Mazzarri tem a responsabilidade de levar o Inter de volta ao topo  Fonte: football.fr
Walter Mazzarri tem a responsabilidade de levar o Inter de volta ao topo
Fonte: football.fr

O onze de Mazzarri está praticamente definido. Handanovic, guarda-redes de grande qualidade, tem o lugar assegurado na baliza; o trio de centrais é composto por Juan, que evoluiu bastante na época passada (tem apenas 23 anos), Ranocchia e Vidic, que dará maior experiência ao sector; as alas serão ocupadas por Jonathan e Dodô (um dos destaques neste início de temporada), dois laterais claramente mais fortes no plano ofensivo. No meio campo M’Vila será indiscutível, sendo provável que Kovacic (um grande talento, mas esperava-se que estivesse noutro patamar de afirmação) ganhe o lugar ao seu lado. Hernanes deverá jogar na segunda linha do meio campo, mais próximo da dupla argentina constituída por Palacio, peça-chave para Mazzarri, e o espectacular Mauro Icardi, que será a referência ofensiva da equipa. No banco há boas opções, como Nagatomo, Guarín (que ainda pode sair), Medel, Osvaldo ou Kuzmanovic. Em suma, o Inter tem, ao contrário de outras épocas, um óptimo treinador e um plantel bastante homogéneo, o que deixa antever uma temporada com resultados mais adequados ao estatuto do clube.

Tomás da Cunha
Tomás da Cunha
Para o Tomás, o futebol é sem dúvida a coisa mais importante das menos importantes. Não se fica pelas "Big 5" europeias e tem muito interesse no futebol jovem.                                                                                                                                                 O Tomás não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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