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Nas asas de um génio

Ruben Brêa Marques · 3 min

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Longe vão os tempos de glória do AC Milan, no entanto, sempre que muda a temporada, a esperança do acordar do gigante renasce. Depois de uma época 18-19, onde não conseguiram mais que a quinta posição e nem passaram da fase de grupos, os Rossoneri começaram esta temporada com expetativas altas como sempre.

O clube que está suspenso das competições europeias, tem todas as baterias apontadas para a Taça Italiana e para a Serie A. Para esta temporada, Gennaro Gattuso foi substituído no comando técnico por Marco Giampaolo, um treinador muito cotado em Itália e de quem se esperava muito. Em relação ao plantel, não faltam opções de qualidade, recheado de talento individual, que (os anos passam e o problema é sempre o mesmo) continua a não funcionar de uma maneira regular a nível coletivo. É aqui que entra Lucas Paquetá.

O internacional brasileiro de 22 anos, contratado em janeiro de 2019 ao CR Flamengo por 35 milhões de euros, é o playmaker que, curiosamente, Giampaolo parece não valorizar. Só esteve indisponível uma vez esta temporada, por problema físico, somando duas titularidades e três utilizações a partir do banco. No entanto, a resposta para a fraca produtividade do AC Milan, tem só um nome: Paquetá.

Leão ameaça abafar o estatuto de Piatek
Fonte: AC Milan

O craque, que chegou a San Siro rotulado de novo Kaká, tem o potencial para criar um legado do tamanho do ex-craque do Real Madrid CF e do próprio AC Milan, e, se continuar a evoluir, até sonhar com a camisola 10 da canarinha e com nomeações para Bolas de Ouro. Quem o vê e gosta de futebol, até lacrimeja só de ver aquele toque de bola inconfundível.

Nem é preciso recuar muito. Basta ver o último jogo do AC Milan com o Génova CFC. Com a ajuda de Rafael Leão, que também entrou ao intervalo e revolucionou o ataque da equipa (Piatek está uma sombra do que rendeu a época passada), Paquetá saltou do banco para mudar o jogo. Substituindo Çalhanoglu, outro jogador que tarda em se afirmar em termos de regularidade, o brasileiro rebentou com o meio campo e linha defensiva dos Rossoblu. Alternando arrancadas com a bola no pé com uma condução de bola de um verdadeiro tratado, com tabelas e dribles, Paquetá foi fundamental para virar o jogo no Luigi Ferraris.

O AC Milan continua com um potencial e um plantel tremendos. Parece é que, venha que treinador vier, ninguém consegue pôr estas individualidades a render coletivamente. Uma equipa que tem Paquetá, que nem se percebe como não é intocável no onze, Reina e Donnarumma para a baliza, defesas como Theo, Romagnoli ou Caldara (um craque, que vive um calvário de lesões), Kessié, Biglia, Suso, Piatek, Leão, Çalhanoglu, Rebic ou Bonaventura, consegue e pode fazer mais. Talvez seja curto para ameaçar o título de campeão, mas tem matéria prima mais que suficiente para lutar pelo top 5 da Serie A e lutar pela Taça de Itália.

Esta semana Giampaolo foi despedido (nem a vitória em Génova o safou) e Stefano Pioli, confesso adepto do rival de Milão, terá como tarefa dar consistência ao jogo e à equipa, procurando uma sequência positiva de resultados. Paquetá poderá ganhar o protagonismo que merece e que tem de ter para o AC Milan crescer, enquanto Leão, que tinha conquistado muitos pontos junto de Giampaolo, poderá ficar novamente tapado pelo estatuto de Piatek (normalmente, quando um treinador novo chega a um clube com a época a decorrer, as estrelas têm prioridade). Para já há 7 jogos oficiais a contabilizar, 3 vitórias e 4 derrotas. Giampaolo deixa a equipa ocupando a 10ª posição, a 10 pontos da liderança e com mais 3 pontos que a zona de descida de divisão.

Foto de Capa: AC Milan

Ruben Brêa Marques

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