Super Mario: solução para este Milan?

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Balotelli é sem sombra de dúvida a estrela maior da equipa do Milan. Kaká já não joga metade do que jogava, El Shaarawy tem bastante potencial mas tem tido a sua curta carreira assombrada por várias lesões e Montolivo, apesar da sua enorme qualidade, não consegue influenciar tanto o jogo da sua equipa como Balotelli.

Quando Balotelli joga mal o Milan consequentemente joga mal e quase não consegue criar perigo durante um jogo inteiro. Basta relembrar o clássico de sexta-feira contra a Roma, em que Balotelli esteve em dia não e a sua equipa foi completamente dominada, não conseguindo fabricar jogadas perigosas. Com um Pazzini envelhecido, um El Shaarawy lesionado e um Robinho que já deu o que tinha a dar na Europa, o ataque do Milan depende demasiado de um jogador tão inconstante e temperamental como Balotelli. Mas quando Balotelli está inspirado faz maravilhas – como a obra de arte que assinou contra o Bolonha esta época – e resolve jogos com momentos mágicos. O problema é que este Balotelli só tem aparecido de vez em quando, o que ajuda também a explicar a péssima classificação do Milan na Serie A deste ano.

A questão que coloco é se vale a pena uma grande equipa como o Milan entregar “as chaves” da sua equipa a um jogador como Balotelli, se vale a pena depositar as suas esperanças num jogador tão volúvel como Balotelli, se vale a pena fazer dele a pedra central do seu processo de reconstrução. O talento é inegável: aos 23 anos, Balotelli já passou por clubes como o Inter e Manchester City e está agora no Milan, é o avançado titular da squadra azzurra e no seu palmarés possui já três Series A, uma Premier League e uma Liga dos Campeões, entre outros troféus menores. Foi votado para a equipa do ano da Serie A de 2012/2013, para a equipa do Euro 2012 e ganhou o Golden Boy Award em 2010.

Balotelli é o símbolo da irreverência e um dos principais jogadores da squardra azurra  Fonte: Getty Images
Balotelli é o símbolo da irreverência da squardra azurra e um dos seus principais jogadores
Fonte: Getty Images

Com a saída de José Mourinho do Inter para o Real Madrid, Benítez acabou por se “livrar” do problema Balotelli vendendo-o por 21,8 milhões de euros ao Manchester City treinado por um ex-técnico de Balotelli, Roberto Mancini. Apesar do campeonato conquistado em 2011/2012, época em que apontou 13 golos na Premier League, um máximo pessoal para Balotelli que foi apenas superado este ano (já leva 14 golos na Serie A), o tempo de Balotelli em Inglaterra ficou marcado por quezílias com o treinador e com os companheiros que o levaram a jogar cada vez menos tempo até que o clube decidiu “lavar as mãos” do problema e recambiá-lo para Itália. O Milan despendeu 20 milhões pelo passe do avançado italiano – Balotelli, dois anos e meio depois de se transferir para o City e sendo ainda um jovem cheio de potencial, conseguiu ser vendido por menos dois milhões do que tinha custado, o por si explica logo muito.

Cumpre dizer que o momento mais alto da passagem de Balotelli por terras de Sua Majestade ocorreu no último jogo da época em que se sagrou campeão, ao assistir Sergio Agüero para o golo do título, aos 94 minutos, contra o QPR.

Balotelli e AC Milan: nenhum deles cumpriu as expectativas este ano  Fonte: sport.panorama.it/
Balotelli e AC Milan: nenhum deles cumpriu as expectativas este ano
Fonte: sport.panorama.it

No regresso ao seu país-natal, Balotelli marcou uns fantásticos 12 golos em treze jogos na Liga, ainda sob o comando de Massimiliano Allegri. Foram excelentes números para metade de uma época. Aliás, foi talvez o jogador mais importante do Milan nessa altura, ajudando a equipa a alcançar o terceiro lugar e o apuramento para a Liga dos Campeões.

Este ano, na sua primeira época completa ao serviço do clube, leva para já 27 jogos na Liga e 14 golos apontados. Não é mau, mas mais uma vez a época fica marcada não só pelo futebol que Balotelli pratica mas também pelas suas atitudes dentro e fora de campo, o que contribuiu activamente para o péssimo sétimo lugar em que o Milan se encontra, podendo esta jornada descer ainda para décimo lugar caso o Torino, a Lazio e o Verona ganhem os seus respectivos jogos.

Estando o Milan a atravessar uma das piores épocas da sua história, a equipa tem de decidir se vale a pena manter o grande talento que é Balotelli e se vale a pena tentar construir uma equipa à volta dele. Terão de avaliar os prós e os contras. Será que Balotelli algum dia “crescerá”, passando apenas a concentrar-se no jogo, ignorando o que o rodeia e fazendo uso do seu imenso talento? Está dificil, mas se decidirem ir noutra direcção interesse no jogador não falta, incluindo o do Chelsea de José Mourinho. Na minha modesta opinião, é disso mesmo que Balotelli precisa: de um treinador que tenha mão nele e que o ajude a tornar-se no jogador que ele tem potencial para ser. Não me parece que isso possa acontecer no Milan e muito menos sob o comando de Seedorf.

João Folgado
João Folgadohttp://www.bolanarede.pt
O João defende que o Porto devia acabar e o Sporting nunca devia ter existido. Carrega, Benfica! Fora de brincadeiras, para além desta paixão cega pelo clube da Luz, venera Mourinho, despreza Villas-Boas e é fã dos Boston Celtics e dos New England Patriots.                                                                                                                                               O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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