There’s no place like home, Balo

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AC Lumezzane, Inter de Milão, Manchester City FC, AC Milan, Liverpool FC, OGC Nice, Olympique de Marselha e, agora, Brescia Calcio. Todos estes emblemas têm em comum um nome que, mesmo não fazendo parte do centro das decisões do futebol mundial, acaba por estar sempre na boca dos adeptos: Mario Barwuah Balotelli.

1,91 metros de altura, italiano de Palermo com origem ganesa e uma infância e adolescência vividas em sobressaltos: Balotelli poderia ser resumido desta forma, mas há inúmeras coisas para saber sobre uma das personagens mais peculiares do desporto-rei dos últimos anos.

A história de Mario, desde o seu nascimento, tem sido escrita com uma caneta cuja tinta ainda não terminou, mas que teima em falhar em certas linhas. Nos primeiros dois anos de vida, Mario Barwuah foi um bebé atormentado por um problema intestinal, que, conjugado com a fraca condição financeira dos pais, obrigou estes a entregarem o menino para a adoção. E é aqui que entra a família Balotelli.

Em Bréscia, para onde se mudou pouco tempo depois de nascer no bairro de Borgo Nuovo, em Palermo, prosseguiu com a sua vida com a família adotiva. Apoiado pelos novos pais, Francesco e Silvia, e pelos três filhos do casal, começou a jogar futebol no Lumezzane, um clube da terceira divisão italiana. A estreia pela equipa sénior aconteceu aos 15 anos e foi aí que despertou o interesse do Inter de Milão.

Balotelli juntou-se aos nerazzurri em 2006 e um ano depois, com 17 anos, estreou-se na Serie A, entrando para o lugar do hondurenho David Suazo. Três dias após a estreia, já marcava (por duas vezes) ao Reggina com a camisola milanesa, na Taça de Itália. O avançado caminhava a passos largos para a fama.

Foi nos quartos-de-final da competição que chamou realmente a atenção da imprensa italiana e, em especial, do então técnico do Inter, Roberto Mancini. Frente à Juventus FC de Del Piero, Nedvěd e Trezeguet, apontou dois golos decisivos na vitória por 3-2 e passou a partilhar mais vezes a frente de ataque com outro nome conhecido pela sua peculiaridade: Zlatan Ibrahimović.

Balotelli assinou um contrato com o Brescia válido por uma temporada
Fonte: Brescia Calcio

Na época seguinte, Balotelli tornou-se no mais jovem de sempre a marcar pelo emblema de Milão na Liga dos Campeões, com 18 anos e 85 dias. O camisola ‘45’ (número que é imagem de marca do italiano) apresentava-se ao mundo do futebol.

A saída de Milão para Manchester para representar o City, em 2010, foi só uma das muitas polémicas vividas por Mario. Um ano antes, quando se pensava que, com a ida de Ibra para Barcelona, era a vez do miúdo de 20 anos brilhar, a chegada de Samuel Eto’o impediu que isso acontecesse. Balo esteve uma época tapado pelo camaronês, foi apanhado em jogos do rival AC Milan com a camisola do mesmo e rumou a Inglaterra após ser alvo de racismo e de muitas críticas.

Nos citizens, que pagaram cerca de 30 milhões de euros pelo seu passe, foi eleito o Golden Boy de 2010 e, na cerimónia de entrega do prémio, proferiu uma das suas declarações mais caricatas: “Só há um jogador ligeiramente mais forte que eu, que é Messi. Os outros estão todos atrás de mim”.

No Campeonato da Europa de 2012 – o primeiro torneio de seleções que disputou – foi a principal figura da Squadra Azzurra: marcou os dois golos do triunfo sobre a favorita seleção alemã e levou a Itália à final da competição, onde perdeu com a Espanha, na altura a campeã do mundo.

Desde a derrota contra os espanhóis, a carreira de “Super Mario” tornou-se numa incógnita. Foi contratado pelo AC Milan e mais tarde pelo Liverpool, foi emprestado pelos reds aos rossoneri e em 2016 estabeleceu-se em França, primeiro no Nice e depois no Marselha. Apesar do contributo com golos que ia dando às equipas por onde passava, ficava a sensação de que aquela que fora uma das maiores promessas do desporto-rei nunca confirmaria todo o seu potencial.

Aos 29 anos, e afastado da seleção italiana, chegou a altura de um novo desafio na carreira de Mario Balotelli. Após ser associado ao Flamengo de Jorge Jesus, o destino do ponta-de-lança italiano é aquele onde se abriram portas para outros destinos: Bréscia. No passado dia 18 de agosto, o emblema da terra que o viu crescer confirmou a sua contratação a custo zero. A mãe de Balotelli chorava ao saber da transferência do filho para o Brescia.

Tudo começou na província da região da Lombardia e o presente e futuro de Mario vão agora ser escritos perto dos seus. Uma vida de polémicas, perseguido pelas críticas e pelo racismo, e numa luta constante contra a própria irreverência e rebeldia, culmina num regresso à casa onde descobriu o que era ser feliz. A história de “Super Mario” vai ser sempre especial.

Foto de Capa: Serie A

Revisto por: Jorge Neves

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