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Visão de Mercado

Tomás da Cunha · 3 min

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A Fiorentina é um clube que está a meio caminho entre os “novos ricos”, dispostos a gastar balúrdios em contratações, e os emblemas com orçamentos menores, sem grandes possibilidades de investir. Ter dinheiro é, obviamente, uma condição muito importante para construir uma equipa capaz de lutar por objectivos ambiciosos; contudo, por vezes não chega. Os italianos são, neste momento, um dos melhores exemplos de como se deve abordar o mercado: contratam jogadores que, na maior parte dos casos, acrescentam qualidade ao plantel (sendo certo que é impossível ter 100% de sucesso) e aproveitam oportunidades de negócio. Os resultados estão à vista.

Na última semana, a formação viola reforçou o seu elenco com Anderson, à procura de um novo rumo para a sua carreira, e Matri, sem espaço em Milão. Já tinha defendido a saída do brasileiro do United e estou bastante curioso para perceber se voltará a jogar como médio ofensivo e, especialmente, se será capaz de confirmar todo o potencial que lhe era reconhecido. Tem até ao final da época para convencer a Fiorentina a desembolsar 6,5 milhões de euros para o adquirir em definitivo, mas para já tem de garantir um lugar no 11, o que pode não acontecer de imediato. Borja Valero é um indiscutível e um médio de grande nivel, Aquilani e Pizarro são bastante utilizados por Montella, Matias Fernández tem sido titular nos últimos jogos e ainda há o experiente Ambrosini (se se pode criticar uma contratação do emblema de Florença, terá de ser a do ex-Milan). No que diz respeito a Matri, é um negócio que beneficia ambas as partes. O avançado, que certamente tem como objectivo ir ao Mundial, estava tapado por Balotelli e a Fiorentina viu-se obrigada a ir ao mercado devido a (mais) uma lesão de Giuseppe Rossi. O substituto do melhor marcador do campeonato teve uma estreia auspiciosa, ao marcar dois golos no triunfo sobre o Catania.

O miserável 13º lugar na época 2011/2012 foi a gota de água para os dirigentes do clube viola, que decidiram investir em grande no reforço do plantel. Chegaram a Florença jogadores como Savic, Gonzalo Rodríguez, Borja Valero, Aquilani, entre outros, e os resultados foram significativamente melhores (4º lugar na Serie A). Para este ano, o investimento que foi feito à partida mostrou claramente que a Fiorentina tinha a intenção de, pelo menos, chegar à Champions. Mario Gómez foi a contratação mais sonante (e inesperada). O panzer alemão era pretendido por meia Europa, mas acabou por rumar ao Artemio Franchi por 16 milhões de euros. Apesar de não estar a ter o impacto que se previa (devido a problemas físicos), quando estiver na melhor forma será titular no ataque. Joaquín, ala experiente que renasceu no Málaga, e Ilicic, espectacular médio ofensivo que se destacou no Palermo, foram outros reforços de enorme qualidade. Ainda assim, o espanhol está bem longe do nível que apresentou na última temporada. Já o esloveno vai começando, finalmente, a ter mais tempo de jogo, actuando surpreendentemente como avançado.

Num ano em que a Roma e o Nápoles também investiram muitos milhões de euros no reforço dos seus plantéis, o quarto lugar provisório da Fiorentina é um indicador claro da capacidade dos jogadores que Montella tem à disposição. O emblema de Florença ainda está em todas as competições e a hipótese de chegar ao terceiro lugar mantém-se em aberto. Caso o apuramento para a Champions se confirme (o que não é fácil, dada a valia dos adversários), o clube viola, onde brilhou Rui Costa, poderá assumir a candidatura ao título já na próxima temporada. Tem, nesta fase, um plantel vasto em quantidade e qualidade, ainda com margem de progressão – jovens como Rebic, potente avançado croata, Wolski e Zohore têm talento para se afirmarem – e que, com alguns reforços cirúrgicos, sobretudo no sector defensivo, pode tornar-se numa equipa capaz de lutar por títulos todos os anos.

Tomás da Cunha

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