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Este Sábado não vai ser como os outros cinquenta e um que preenchem o ano. Vai ser especial antes (pela antecipação), durante (pela excitação) e depois (pela euforia ou tristeza) do período de duas/três horas que se estenderá para lá das 19h45, altura em que meio mundo estará concentrado naquilo que lhe chega do Olympiastadion, em Berlim, onde Juventus e Barcelona disputarão a 60ª final da Liga dos Campeões e, por inerência, o jogo de futebol mais mediático do ano civil de 2015.

O mundo vai parar para assistir à colisão entre um conjunto que conta com aquela que pode muito bem ser a melhor linha ofensiva da história do futebol contra uma equipa que tem na defesa a sua cultura e uma das suas maiores virtudes. É Messi, Neymar, Suárez e os 120 golos que apontaram durante a época contra uma das defesas mais experientes a actuar na Europa (Chiellini está fora-de-jogo, mas se o quinteto defensivo for o expectável Buffon-Lichtsteiner-Barzagli-Bonucci-Evra, são 164 anos a jogar, média arredondada de 33 primaveras no sector recuado) e que apenas consentiu 3 tentos durante a fase a eliminar da Liga dos Campeões (dois contra o Real Madrid, um contra o Borussia Dortmund).

Cheira a um guião de filme de óscar, não cheira? Estamos perante a ilustração do famoso paradoxo da omnipotência (colisão entre uma força irresistível e um objecto inamovível), sendo que, a desempenhar cada um dos lados desse infindável quebra-cabeças, estarão organizadas, de cada lado, 11 pessoas mais um treinador, com tudo o que elas trazem – sentimentos, emoções e histórias –, que podem desequilibrar a “trama”.

Os sentimentos e emoções estarão à flor da pele em cada um dos lados, seja-se um trintão com quatro finais deste calibre no currículo, como Iniesta, ou um miúdo que se estreia nestas andanças, como Paul Pogba. As histórias variam entre actores mais secundários (vulgo, menos conhecidos) e principais (vulgo, do conhecimento geral do público ou reconhecidos pela “academia” com vários prémios).

O palco onde se vai disputar o jogo do ano Fonte: Facebook da UEFA Champions League
O palco onde se vai disputar o jogo do ano
Fonte: Facebook da UEFA Champions League

Entre as histórias dos primeiros conta-se a ambição de um miúdo que almeja fazer história ao conquistar a segunda Liga dos Campeões consecutiva (Morata), a de um jovem que procura agarrar o título máximo de clubes a nível europeu no seu país natal (Ter Stegen) e a de um croata que tenta alcançar uma Champions depois de ter ganho uma Liga Europa (Rakitic); já os principais, com alguns “óscares” (vulgo melhores jogadores do mundo, campeões mundiais de selecções e com muita popularidade entre o público) no palmáres, tentam ter o protagonismo que se espera deles e, com isso, alcançar objectivos diversos, desde a conquista do título de melhor marcador da Champions (Messi), passando à primeira conquista de sempre na competição depois de muito a procurar (Buffon, que conquistou todos os títulos colectivos das competições que disputou, incluíndo uma Serie B e um Mundial, menos um Europeu e a tal Champions, que já lhe fugiu nos penalties, em 2003) e terminando no fim de uma das melhores carreiras de sempre da história do futebol com a chave de ouro (Xavi).

Já houve uma espécie de levantar do pano, um “trailer”, a revelar o que se pode esperar para as 19h45 deste Sábado tão especial: uma Juventus a tentar “marcar primeiro”, e um Barcelona que, apesar de ser uma das “melhores equipas da história” (segundo Piqué e Luis Enrique), e de ser “considerada favorita” (Buffon), também tem “debilidades” (Massimiliano Allegri).

A sinopse do filme está escrita. O término também (“spoiler alert!”): aconteça o que acontecer, o filme do ano terá sempre um final feliz (triplete).

Foto de Capa: Facebook da UEFA Champions League

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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