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Cristiano Ronaldo | O “melhor vinho do porto” do mundo aos 38 anos

Bernardo Santos · 3 min

Cristiano Ronaldo a celebrar golo
Foto: Al Nassr FC

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Acabado, mais do que a tempo da reforma antecipada, um peso para qualquer treinador e um jogador que já não contava para ninguém… Se bem se lembram, era assim que falavam de Cristiano Ronaldo há apenas uns meses.

Estas palavras ofensivas, desrespeitosas para com um jogador lendário com uma carreira inigualável, proferidas por meros “curiosos” do mundo do futebol, deixavam em brasa todos os grandes amantes do desporto rei que, como eu, cresceram a ver brilhar CR7, como o madeirense se celebrizou há uns anos a esta parte. A escolha prende-se com a sua preferência pela icónica dorsal com que brilhou além-fronteiras, pelos clubes que defendeu e pela nossa seleção.

Ninguém queria aceitar o fim, não era possível, porque não estava nos nossos planos, nem nos nossos, nem nos do próprio Cristiano Ronaldo. Semana após semana, o astro madeirense lutava para recuperar a tão aclamada glória que havia conquistado durante a sua travessia no deserto do futebol mundial, onde lutou contra o sistema e contra outro extraterrestre, um tal de Lionel Messi que, tal como CR7, dispensa apresentações. 

E Cristiano nunca baixou os braços, semana após semana levantava os estádios que gritavam o seu nome e que assistiam muitas vezes a atuações memoráveis, dentro e fora de campo, onde também sempre foi um exemplo de vida pela sua perseverança, fome de vencer, resiliência e confiança em si. Ainda hoje, aos 38 anos, Ronaldo carrega e cumpre religiosamente, dia após dia, com e sem uma bola nos pés. 

Cristiano Ronaldo a celebrar golo Arábia Saudita
Fonte: Al Nassr FC

A travessia em Manchester, a segunda etapa de uma primeira passagem brilhante, parecia acabar, e com ela poderia ter levado uma carreira inigualável no desporto mundial, onde conquistou muitos títulos individuais e coletivos. Para além de tudo isto, Ronaldo conquistou também muitos dos corações de todos nós, com a sua personalidade e com o seu discurso pautado por este imenso desejo de ser o melhor!

Aos 38 anos, o “puto maravilha” que sempre conhecemos não estava pronto para atirar a toalha ao chão e fazer a vontade a Erik Ten Hag, que não respeitou um legado enorme que merecia todo esse respeito.

O nosso capitão não atirou a toalha ao chão, bem pelo contrário. Provou mais uma vez que, tal e qual como o vinho do porto, Ronaldo envelhece de maneira diferente, melhora e aprimora todas as suas capacidades através do esforço e da capacidade de superação, que lhe permite estar numa forma física incrível e com um faro de golo, no mínimo, diferenciado. A Arábia Saudita recebeu com muita satisfação e entusiasmo aquela que pode ser a última etapa da brilhante carreira do capitão das “quinas”, e CR7 não desiludiu.

Em 2023, Ronaldo bateu Haaland e Mbappé na corrida ao melhor marcador de todas as ligas do mundo inteiro, com uns impressionantes 54 golos apontados nesta aventura saudita. Estes números provam mais uma vez que, enquanto as pernas quiserem acompanhar a mentalidade, Cristiano vai continuar a brilhar por onde quer que passe, e a fazer golos como só ele sabe!

Elogios à parte, o futuro é uma incerteza, mas Ronaldo não é eterno, e o fim é a única certeza que existe em tudo aquilo que fazemos na vida, por isso devemos apreciar todos os minutos em que Ronaldo pisa um relvado, com o sete nas costas, a braçadeira de capitão e uma ambição desmedida, que personifica na perfeição aquilo que é a vontade do povo português: vencer!

E não, ainda não acabou, por enquanto o “bicho” tiver mais carga para dar, os 55 golos são apenas um objetivo!

Obrigado Cris, devias ser eterno…

Bernardo Santos

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