Estará a evolução tática do futebol a “tapar” o aparecimento de jogadores criativos?

- Advertisement -

Há umas semanas, Pablo Aimar proferiu algumas palavras bastante importantes para muitos profissionais de futebol, principalmente os que trabalham com jovens, poderem refletir e repensar a forma como desenvolvem jovens talentos: “Não gosto que digam que não existem jogadores criativos, sobretudo depois de fazerem 800 treinos automatizados. É muito provável que não haja jogadores criativos se tudo for automático e se dissermos a um miúdo de 15 anos que sabe driblar para não o fazer se perder a bola duas ou três vezes. Nessa idade vão perdê-la duas, três, cinco ou dez vezes. Compreendo a preocupação com o jogo posicional, atacar os espaços. Mas acredito que os treinadores têm de ter em conta essa suposta ou real falta de criatividade. Muitas vezes as defesas são desbloqueadas por um criativo, um drible ou passe que inventa algo diferente quando tudo é monótono”. Perante esta declaração, uma questão se levanta: estará a evolução tática do futebol e o gosto pelo jogo posicional a tapar a evolução e o aparecimento de jogadores jovens criativos?

A minha resposta é sim. Penso que os treinadores, principalmente os de formação, nos últimos anos, têm restringido a criatividade de vários jogadores mais “arrogantes e irreverentes”, subjugando-os a muito trabalho “estratégico” e também defensivo, e isto tem-se revelado na falta de aparecimento de jovens jogadores criativos e na estagnação de vários belos jogadores no futebol europeu, como é o exemplo de João Félix. Logo, o problema não me parece ser só na formação, mas também no futebol sénior, em que se premeia muito mais o trabalho sem bola do que aquilo que um “mágico” jogador pode fazer com bola.

Um interessante tema que se também tem abordado muito entre os românticos do futebol é a falta de um típico “número 10”, como o próprio Pablo Aimar, Riquelme e o mítico Maradona. Além de ser um tema bastante importante, é claramente um facto inegável. O número 10 como o conhecíamos, irreverente, mágico, inteligente, que nos faz sorrir e levantar-nos do sofá ou da cadeira do estádio, que valha a pena o preço do bilhete, seja ele qual for. A realidade é que posso contar pelos dedos das mãos os jogadores que me entusiasmam realmente ver jogar e isso explica muito o estado rotineiro e aborrecido em que entrou o futebol, o que se reflete na qualidade dos jogos e dos espetáculos. Nas últimas épocas, quantos jogos podemos dizer que foram lendários? Quantos jogos nos prenderam ao ecrã durante os 90 minutos? A verdade é que, tirando os adeptos dos estádios, pouco mais resta ao espetáculo.

É importante começar a valorizar e priorizar o talento natural e a irreverência dos jogadores. Caso contrário, o futebol vai-se tornar num jogo de estratégia em que a preparação do jogo será a parte mais importante do espetáculo, o que afastará muita gente das bancadas e dos relvados, principalmente os mais jovens.

Jaime Silva
Jaime Silvahttp://www.bolanarede.pt
O Jamie é apaixonado por desporto, principalmente por futebol (bem praticado). Tem uma paixão pela escrita, acima de tudo nesta vertente.                                                                                                                                                 O Jaime escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Jogadores do Senegal abandonam campo e Sadio Mané chama colegas de volta

Foi atribuído um penálti a Marrocos aos 90+9' e o selecionador do Senegal entrou em protestos e pediu aos jogadores para abandonar o campo.

Saída de Dro Fernández do Barcelona continua a gerar reações: «Não me comunicou nada»

Dro Fernández prepara-se para trocar o Barcelona pelo PSG e deixou muita gente surpreendida no emblema catalão.

Benfica aberto a reforçar posição ainda em janeiro

O Benfica pode avançar para a contratação de um médio neste mercado. Os encarnados contam com alvos identificados.

Nani perto de voltar ao ativo e destino é surpreendente

Nani pode voltar ao ativo nos próximos dias. O jogador está a ser convencido pelo Aktobe, emblema do Cazaquistão.

PUB

Mais Artigos Populares

Remo inicia negociações pelo guarda-redes português André Moreira

André Ferreira está atualmente sem clube, após ter terminado o contrato com o Al Saed. O Remo está interessado em fechar um contrato de um ano.

Rúben Neves ajuda Al Hilal a bater o Neom e a segurar os 7 pontos de vantagem para o Al Nassr na Liga da...

O Al Hilal bateu o Neom por 2-1, na jornada 16 da Liga da Arábia Saudita. Rúben Neves marcou o golo do triunfo da equipa de Simone Inzaghi.

Braga suou mas saiu vitorioso da visita a Tondela

Este domingo, o Braga venceu por 1-0 frente ao Tondela, na 18.ª jornada da Primeira Liga, com golo de Rodrigo Zalazar.