Qual será a seleção surpresa do Euro 2024?

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Em (quase) todos os torneios internacionais há, pelo menos, uma seleção que surpreende tudo e todos e vai mais longe do que o esperado na competição em causa. Marrocos no último Campeonato do Mundo, País de Gales no França 2016 e Dinamarca no Euro 92 são alguns casos que ficam na memória. Com efeito, há um entusiasmo prévio, não só para antecipar possíveis vencedores, como também para perceber que “underdog” vai fazer o seu país sonhar, e este ano não é diferente. Coloca-se, portanto, a questão: Qual será a seleção surpresa do Euro 2024?

A partir de uma “shortlist” que reunia opções com potencial para ir longe neste próximo Campeonato da Europa, quer pelo histórico recente em jogos contra seleções mais fortes, como a Escócia, quer por alguma sorte no sorteio inicial da fase de grupos, como a Turquia, reduzi o leque final a duas outras candidatas, que acho que estão a um nível superior a estas e o têm provado nos últimos estágios internacionais.

Uma delas é a Hungria, que foi sorteada para o Grupo A do Euro, juntamente com Alemanha, Escócia e Suíça. Está aqui muito pelo que tem feito com Marco Rossi que, pela sua passagem, já somou campanhas assinaláveis: dois pontos no Euro 2020 num grupo com Alemanha, França e Portugal; 2.º lugar na Nations League 2022/23 num grupo com Itália, Alemanha e Inglaterra; 1.º lugar, sem derrotas, no grupo de apuramento para este Campeonato da Europa em solo germânico. Costuma apresentar-se num 1-3-4-2-1, com especial destaque para a estrela da companhia, Dominik Szoboszlai, que habita numa das duas posições de suporte ao ponta-de-lança, somando quatro golos e três assistências ao longo dos oito jogos de qualificação. Outras individualidades relevantes são: o capitão e jogador do RB Leipzig, Willi Orban; Attila Szalai; Milos Kerkez, lateral esquerdo do Bournemouth; e Roland Sallai, extremo do Friburgo. Mas mais do que pela conjugação de bons jogadores, a Hungria vale pelas ideias coletivas estabelecidas pelo treinador italiano experiente.

A outra é a Áustria, que foi sorteada para um dos “grupos da morte deste Euro (Grupo D) tal como os vice-campeões mundiais, França, Países Baixos e Polónia. Desde que Ralph Rangnick assumiu a seleção no verão de 2022, tem-se visto uma capacidade de competir com as melhores nações europeias que não se via nos austríacos desde meados do século XX. Uma qualificação quase imaculada, que deixa apenas uma derrota com a Bélgica pelo caminho, surpreendeu muita gente que esperava a Áustria a lutar com a Suécia pelo segundo lugar, mas que teve uma batalha mais acesa pelo primeiro posto do que por outra coisa qualquer. A equipa de Gyokeres, Isak, Kulusevski e muito mais, ficou completamente para trás. Em outras partidas, de caráter mais particular, Itália e Alemanha também caíram aos pés de Rangnick e companhia. Portanto, fica a sensação de que a Áustria não teme os grandes tubarões e de que pode deixar uma boa marca no próximo Campeonato da Europa. Isso aliado à estrutura da fase de grupos que permite a qualificação de quatro terceiros classificados, oferece boas perspetivas de uma eventual chegada à fase do “mata-mata”. A partir daí, como disse, esta seleção pode tombar muitos gigantes.

Mas, para finalizar esta peça, gostava de realçar que em competições deste tipo há muito espaço para a variabilidade. A França que ganhou o Rússia 2018 e foi à final do Catar 2022, caiu nos oitavos de final do Euro 2020, que teve nesse mesmo torneio a Dinamarca como semifinalista, depois de perder os dois primeiros jogos da fase de grupos. Não são, necessariamente, os favoritos ou os melhores que ganham, mas sim os momentos: golos, erros decisivos, grandes penalidades, etc. Fica, portanto, a minha desculpa neste rodapé quando me vierem chatear, porque a Áustria e a Hungria não surpreenderam ninguém e acabaram, até, por desiludir na competição.

Prever seleções surpresa não é uma tarefa fácil. Eu percebo a dificuldade… Meti os meus cavalos todos na Sérvia, em 2022, e vejam como isso se desenrolou.

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