A relação da FIFA com os países-sede dos Mundiais

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A escolha do país para sediar o Mundial é sempre algo que cria bastante expectativa. Não apenas para os países que lançaram suas candidaturas, mas também para todos os amantes do Futebol. Geralmente, a escolha do país-sede é feita com cerca de 10 anos de antecedência, tempo suficiente para o país se preparar e para o público interessado se preparar para visitar o local. Mas como são escolhidas as sedes? A FIFA seleciona o país apenas pela sua infraestrutura e pelo desenvolvimento do Futebol daquela região, ou existe algum outro interesse?

Na última semana, o jornal britânico The Sunday Times informou que o governo do Catar teria pago à FIFA 880 milhões de euros para comprar votos a favor da sua candidatura para sediar o Mundial de 2022. O jornal alega ter tido acesso a documentos que comprovam que o acordo foi feito em 2010, ainda o suíço Joseph Blatter era presidente da entidade máxima do Futebol. Atualmente, Blatter está banido das atividades da FIFA após ter sido condenado pelo Comité de Ética do órgão máximo do Futebol por causa de um escândalo de corrupção que envolveu o francês Michel Platini, ex-presidente da UEFA. A escolha do Catar é, de facto, escandalosa, inclusive dum ponto de vista desportivo. Mas vamos aguardar maiores averiguações.

Ainda existem outras questões que precisam ser analisadas, como as exigências que a FIFA faz ao país-sede. Esta é uma questão muito delicada, pois a entidade acaba por interferir no planeamento e nos gastos de um país. No seu mundo de fantasia, a FIFA exige estádios modernos e não tem em consideração a situação do país. Isso é um absurdo. Não se pode exigir a países como a África do Sul ou o Brasil a mesma estrutura e os mesmos estádios que a Alemanha ofereceu no Mundial de 2006.

A Arena da Amazónia luta até hoje para acabar com o estigma de ser um “elefante branco”.
Fonte:amazonia.org.br

É evidente que, para sediar o Mundial, é necessário que o país tenha infraestruturas de qualidade para receber os milhares de turistas, e bons estádios, mas também é preciso estar ciente que os países subdesenvolvidos possuem as suas carências. Portanto, se a FIFA pretende realizar o Mundial nalgum destes países, precisa de ser mais maleável e entender que não será como um Mundial nos EUA ou na Europa. O que também não é empecilho, nem diminui a grandeza do evento.

O que aconteceu na África do Sul e no Brasil foi inaceitável. No Brasil, houve 12 cidades que abrigaram os jogos do Mundial. Muitas dessas cidades não possuem uma cultura futebolística muito ativa, mas mesmo assim foram escolhidas como sede. O resultado disso acabou por ser a criação de verdadeiros “elefantes brancos”, que pouco são utilizados para a sua real função. Em contrapartida, outras cidades onde o Futebol é mais ativo na cultura não foram escolhidas como sede.

Ainda no Brasil, vimos várias obras inacabadas e milhões de reais destinados à construção de estádios, sendo que os estádios que já existiam no país eram suficientes para abrigarem os jogos. Claro, precisavam de ser feitas algumas melhorias, mas não era preciso o custo que houve. Afinal, o país já suportava grandes jogos com grandes públicos.

Portanto, a FIFA precisa de parar de querer interferir nos governos e ser a “senhora” do Mundo, porque a conta não vai para a entidade, mas sim para os países-sede. Na verdade, a entidade fica é com todos os louros e lucros da competição. Claro que os governos possuem as suas parcelas de culpa. Bastava dizer “não” a essas exigências impostas, mas também não o fazem.

Os próximos Mundiais serão no Catar (2022) e no Canadá, Estados Unidos e México (2026).

Foto de capa: CBF

 

César Mayrinck
César Mayrinckhttp://www.bolanarede.pt
Enquanto criança queria ser jogador de futebol e para o bem dos torcedores do Atlético Mineiro não foi aprovado no teste. Encontrou nas palavras a melhor maneira de se expressar sobre a sua paixão, o futebol. Amante do futebol brasileiro e do futebol alternativo, acorda facilmente às três horas da madrugada para ver um jogo do campeonato neozelandês.

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