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“Batalha das Américas” Eterna: CONCACAF Champions League

Paulo Sousa · 6 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

Estamos entrando na fase final da Liga dos Campeões da Europa. Já há quatro semi-finalistas, mas do outro lado do oceano atlântico há, também, uma outra Liga dos Campeões prestes a terminar. Com menor mediatismo, com certeza, mas igualmente com história a merecer destaque.

No dia 21 de Abril, temos a final da Champions League da CONCACAF. Uma dura ‘guerra’ que há anos põe frente-a-frente mexicanos e norte-americanos. Esta Liga dos Campeões das Américas continua a ser um osso duro de roer para os Norte Americanos. Tudo por culpa do vizinho México.

No momento em que a China, através de contratações sensacionalistas, quebrou aquele que se pensava ser o ano da revolução do Futebol na América, com as contratações mediáticas a que nos foram habituando, os EUA enfrentam outro empecilho ao crescimento do seu campeonato: México.

A inimizade entre EUA e México é um panorama recorrente. Está bem para além do futebol. Reflete-se em termos sociais, políticos e culturais. É demasiado evidente o controlo excessivo nas fronteiras entre os dois países e a animosidade sustentada na maciça imigração dos “chicanos” ou “gringos” (como são conhecidos os mexicanos nos EUA).

Se por um lado os mexicanos procuram emigrar para os Estados Unidos em busca de qualidade de vida, segurança e saúde financeira, onde de fato existe para melhor do outro lado da fronteira, o mesmo não se pode dizer quando a procura é a qualidade do jogo. O sentido deveria ser inverso! Certo que qualquer jogador do mundo, inclusive o mexicano, sabe que nas terras do ‘Tio Sam’ encontra estruturas de futebol mais sustentadas, organizadas, ricas e seguras.  Mas, ao que parece, a qualidade do jogo, o nível competitivo e o sucesso desportivo não acompanham na mesma medida.

Lógico que sabemos que o Futebol no México é o desporto-rei, ao contrário dos EUA. Só que na mesma moeda sabemos que os Estados Unidos não entram em nada para perder e muito menos com o México. No entanto, a história de confrontos tem provado o contrário!

A pequena batalha: Gold Cup, o equilíbrio das nações.

No confronto entre as nações, desde a virada do milénio, o México e os EUA venceram por quatro vezes, cada, a Gold Cup. Das vezes que se enfrentaram nas finais, o México venceu duas (em 2009 e 2011) e o EUA apenas uma (em 2007). Ainda assim, a supremacia do México verificou-se nos resultados. Se em 2009 atropelou os EUA com um esclarecedor 5-0, em 2011 conseguiu uma virada histórica vencendo por 4-2, depois de estar a perder por 2 golos. O curioso desta competição é que o sorteio parece sempre acontecer de forma a que as equipas nunca se encontrem nas meias finais. Desde 2000 que nunca aconteceu, ou seja há já 9 edições. Aumenta ainda mais a adrenalina e a rivalidade entre estes dois países.

A Batalha das Batalhas: Champions League, onde o terror mexicano se faz sentir.

Quando o confronto é entre equipas, como é o caso da Champions League da Concacaf, a história é outra, sempre com tendência para a supremacia mexicana.

Num cenário onde os doláres americanos tinham tudo para reforçar a diferença, percebemos que o dinheiro não é necessariamente o mandante no que toca à qualidade e competitividade do jogo. O peso mexicano consegue demonstrar o peso da relatividade quando se fala do jogo jogado.

Desde o ano de 2000 o histórico de vencedores nos refere que o México venceu esta competição por 12 vezes e o EUA apenas 1! Este padrão de 12/1 significa algo mais do que o acaso. Quanto aos maiores vencedores, o Pachuca lidera com 4 vitórias, o Monterrey vem logo de seguida com 3 conquistas e o América aparece na 3ª posição com 2 troféus.

Montreal Impact
Estádio Saputo, casa do Montreal Impact: palco da final da Champions League CONCACAF de 2015
Fonte: Wikipedia

Assim, desde que a Champions League adoptou o novo formato – em 2008/09 – estes dois países protagonizaram variados confrontos. Essencialmente, logo após a fase de grupos, ou seja, nas quartas-de-final da competição.

Importa referir, por exemplo, que os EUA nunca venceram e os Mexicanos venceram todas as edições do novo formato, ou seja, por 7 vezes. Esta época, 2015/16, será mais uma vitória garantida para o México, pois na final estão duas equipas mexicanas: Tigres e América.

Desde a época 2011/12, que são quatro as equipas mexicanas apuradas para a fase de grupos da Champions League CONCACAF e, igualmente, quatro as equipas norte americanas automaticamente classificadas para esta fase.

De modo mais detalhado indicaremos quantas equipas mexicanas e americanas passaram para a fase a eliminar; quais as que chegaram às meias finais; e quem saiu mais vitorioso nos confrontos entre si:

Época

Equipas nas

Quartas de Final (QF)

Equipas nas

Meias Finais (MF)

Quem saiu mais vitorioso nos confrontos entre si

2008/09

4 MEX / 1 EUA

3 MEX

1 Vitória do MEX x EUA nas QF

2009/10

4 MEX / 1 EUA

4 MEX / 1 EUA

1 Vitória do MEX x EUA nas QF

2010/11

4 MEX / 2 EUA

2 MEX / 1 EUA

1ª vitória do MEX – EUA (Monterrey x Salt Lake)

2011/12

4 MEX / 2 EUA

3 MEX

1 vitória do MEX x EUA nas QF

2012/13

3 MEX / 3 EUA

2 MEX / 2 EUA

1 vitória do MEX x EUA nas QF1 vitória do EUA x MEX nas QF2 vitórias do MEX x EUA nas MF
2013/14

3 MEX / 3 EUA

3 MEX

3 vitórias do MEX x EUA nas QF

2014/15

2 MEX / 1 EUA

1 MEX

Não houve confronto entre si

Resumindo, em onze confrontos entre si, a partir das quartas-de-final, as equipas do México venceram dez vezes e as equipas Norte Americanas apenas uma. É uma marca percentual incontestável: 91% de vitória para o México.

Esta época – 2015/16, tivemos pela primeira vez apenas equipas norte americanas e mexicanas nas quartas-de-final. Foram quatro duelos entre equipas das diferentes nações. Resultado final? Passaram às meias-finais as quatro equipas mexicanas. No confronto das duas mãos, os resultados:

DC United (EUA) [1 x 3] Querétaro (MEX)

Seattle Sounders (EUA) [3 x 5] América (MEX)

Real Salt Lake (EUA) [1 x 3] Tigres (MEX)

LA Galaxy (EUA) [0 x 4] Santos Laguna (MEX)

Interessante! Face a planteis recheados de estrelas do Futebol Mundial e fortes investimentos financeiros nas contratações de jogadores que se julgam vir a ser os grandes impulsionadores da modalidade no país do Basquetebol, Futebol Americano e Baseball, acontece o ‘milagre’ do Futebol.

Ora vejamos, a título de exemplo. Um LA Galaxy que mete em campo um Jelle Van Damme (ex-Ajax, Anderlecht e Standard), um Nigel de Jong (ex-Ajax, Man. City e Milan), um Steven Gerrard (ex-Liverpool), um Giovanni dos Santos (ex-Barcelona, Tottenham, Galatasaray e Villareal) e Robbie Keane (ex-Leeds, Tottenham, Celtic, Liverpool), entre outros, perde por 4-0 com um Santos Laguna com mais de 60% da equipa titular composta por desconhecidos jogadores mexicanos.

Dá que pensar! A palavra ESPETÁCULO assume contornos diferentes na mesma parte do continente: o americano é sem dúvidas um expert em tornar o jogo num espetáculo, só que o mexicano é aquele quem pratica um jogo mais espetacular.

Por fim, resta-me dizer o provérbio: “o que uns têm a mais, os outros têm a menos”.

Os EUA têm mais quantidade de dinheiro, o México mais qualidade de futebol. Os americanos têm mais mediatismo do jogo, os mexicanos mais competitividade. Os americanos têm mais intenções, os mexicanos mais troféus. Esta é a beleza do Futebol! É que o dinheiro compra QUASE tudo… quase tudo! Porque ainda não encontrou a fórmula de comprar a paixão pelo jogo, a cultura de uma nação e a ambição ou o direito a sonhar que os ‘pequenos’ podem vencer os ‘grandes’.

Este ano teremos mais do mesmo, ainda assim valerá a pena ver a final e perceber porque são os Mexicanos que estão sempre lá.

Paulo Sousa

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