Da ruína ao renascer das cinzas

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O Kuban Krasnodar foi fundado na primeira metade do século XX pela polícia secreta da União Soviética e foi durante muitos anos uma das equipas mais famosas da Rússia, porventura a mais famosa das equipas sediadas fora da capital. Atualmente, os tempos não são áureos.

Na época 2012/2013, o Kuban Krasnodar conseguiu terminar num histórico quarto lugar, a melhor classificação de sempre da história do clube, o que lhe valeu o apuramento para a Liga Europa. Depois de um período irregular, com subidas e descidas de divisão à mistura, parecia, finalmente, ganhar alguma estabilidade o projeto do Kuban.

O apuramento para a fase de grupos da Liga Europa, com uma vitória sobre o Feyenoord no play-off, motivou ainda mais os adeptos, que viram a sua equipa ficar no terceiro lugar da fase de grupos, atrás de Valencia CF e Swansea City AFC.

Foi na época seguinte que começaram os problemas do Kuban. O rendimento desportivo em campo não era por aí além e fora dele começou a piorar. Surgiram as primeiras notícias de salários em atraso e desinteresse por parte dos investidores. A chegada à final da Taça da Rússia, nestas condições, foi um feito quase heróico por parte de toda a equipa.

Na época de 2015/2016, a bomba estourou. O investidor maioritário deixou de financiar o clube, o que se traduziu em atrasos nos salários de todo o staff e graves problemas de tesouraria. O governo de Krasnodar ficou a tomar conta da totalidade do clube, enquanto esperava arranjar um novo patrocinador. Um dos planos para atrair publicidade e novos investidores passou pela contratação de Andrey Arshavin, uma das maiores figuras de sempre do futebol russo, e foi pago a peso de ouro para tentar reavivar o clube. A iniciativa não resultou, pelo contrário, agravou ainda mais os problemas do Kuban. O internacional russo saiu ao fim de nove jogos e o clube acabaria por ser relegado à segunda divisão. Por lá se manteve até à época passada, com desempenhos modestos.

Pelo meio, surgiu a possibilidade de se transferir o clube para Sochi, a… mais de 300km de distância. Havia muita pressão social na Rússia para ter uma equipa profissional naquela cidade, que construiu de raíz um imponente estádio para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014. Esta poderia ter sido uma das possibilidades para o salvamento do Kuban, mas tal não aconteceu, muito por vontade dos adeptos, a quem, uns anos antes, havia sido prometida a construção de um novo estádio, mas tal não saiu do papel.

Símbolo do novo clube, o FC Uroshay Krasnodar
Fonte: Federação Russa

Em junho deste ano, uma ação judicial das autoridades fiscais declarou oficialmente o clube como falido. Este falhou o pagamento da inscrição na segunda divisão e foi dissolvido devido à bancarrota.

No entanto, os adeptos entusiastas não aceitaram baixar os braços e estão a tentar reerguer o Kuban das cinzas. Para isso, adaptaram as cores e os símbolos de sempre e criaram o FC Uroshay Krasnodar, o novo Kuban, que participa atualmente nas divisões regionais de Krasnodar (Krasnodar Krai Regional League).

É possível fazer uma análise macroeconómica ao futebol da Rússia. É totalmente impossível ter uma equipa de futebol profissional competitiva sem uma estrutura milionária por trás. A grande dispersão geográfica do país exige viagens demasiado longas, muitas horas e fusos horários diferentes, o que é praticamente insustentável. Excetuando a capital Moscovo, é insubsistente qualquer outra cidade ter suporte financeiro e mediático para mais do que uma equipa na elite do futebol. No caso de Krasnodar, a fundação e imediato crescimento do FK Krasnodar fez com que o Kuban sentisse na pele as dificuldades disso mesmo. Dificilmente poderiam sobreviver os dois, e foi o Kuban que levou a pior.

Conseguirá reerguer-se das cinzas? Ninguém sabe ao certo, mas o mundo do futebol espera que sim.

Foto de capa: UEFA

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

 

João Brandão
João Brandãohttp://www.bolanarede.pt
Desde cedo o avô lhe colocou o bichinho do futebol e não mais parou de crescer, expandindo-se para outras modalidades. Atento e perfecionista, gosta de analisar ao pormenor cada aspeto do jogo. Considera que o melhor que a vida nos pode dar é um bom jogo de futebol, para ver com um bom grupo de amigos.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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