E se os jogadores de futebol fossem os professores no #EstudoemCasa? Quem leciona o quê?

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Por esta altura o mundo do Futebol regressa aos poucos ao relvado. Alguns ainda com dúvidas se voltam aos “jogos a doer”, e outros por casa ficam, na certeza de que a época acabou. A pandemia veio silenciar espaços outrora dinâmicos, como as escolas. A TeleEscola voltou, perdão, o #EstudoEmCasa, enquanto que a “bola” continua em pausa, com os dirigentes e jogadores ainda confinados. Então, e se alguns ídolos, outros nem tanto, já que estão a meio gás, dessem uma perninha no ecrã como já estão habituados e apresentassem algumas disciplinas?

Não seria, de todo, uma forma errada de economizar recursos. Os professores dedicavam o seu tempo ao acompanhamento por outras vias, e a malta do Desporto rei não perdia a habilidade de falar para as câmaras e mostravam toda a sua intelectualidade que é por vezes colocada em causa por más línguas, diz-se, não tenho a certeza. Vamos começar pelo Português. Uma Unidade Curricular (UC) que nos persegue durante anos, assim como Jaime Pacheco perseguiu os bancos durante 25 anos. Aptidão para as lentes, confirma-se, não fossem as épicas conferências de imprensa do treinador. Jeito para a língua, mais que confirmado. A juntar, ainda, o seu palavreado bastante cuidado e alargado, mais as metáforas fortes como “a face de dois legumes”, torna esta uma opção mais que válida. Quem sabe, sabe.

Francisco Geraldes é o meu escolhido para apresentar a Leitura e Literatura. As razões são mais que óbvias. Será que já acabou o “Ensaio sobre a Cegueira”? Na Matemática, o Sir Alex Ferguson. Foram 39 anos de futebol, 49 títulos e 16 prémios. De números o professor escocês percebe certamente. Quanto à personalidade, e com base na minha experiência, parece ter os requisitos mínimos, e pode sempre utilizar expressões como “no meu tempo essa conta fazia-se de cabeça”. Já que estamos por Terras de Sua Majestade, Mourinho ficaria com o Inglês. Fluente nas duas línguas, e tal como os docentes desta disciplina não largam o típico rádio, o timoneiro luso teima em largar algumas ideias táticas.

Cédric, que também tem nacionalidade germânica, ficaria com o Alemão pela facilidade que tem com ambas as línguas. Tal como é pouco desejado por alguns na seleção, esta UC é um fastio para outros. Jorge Jesus, fácil e previsível, ficava com o Espanhol. É incrível a facilidade com que o treinador do CR Flamengo aprende uma nova língua. Por vezes, é tão poliglota que acaba por introduzir novos vocábulos, diversificando até o modo como reproduz o nome dos atuais campeões da Liga Brasileira. Para apresentar Português Língua Não Materna escolhi Samaris. Com um sotaque diferente, e com algumas letras comidas no início da sua estadia em Lisboa, o grego mostrou que a língua portuguesa não é assim tão difícil.

Físico-Química iria ter dois professores. Rakitic e Carriço já mostram alguma química, em relação ao físico, o beijo foi bonito. Pirlo lecionava Estudo do Meio, e esta foi a escolha que mais me orgulha. Maestro. Buffon, profissional desde 1994, até parece dinossauro, ficava com a cadeira de História. As duas maiores estrelas da atualidade, Messi e Ronaldo, também entram nos contratados. O argentino ficava com Educação Artística e a estrela lusa com Educação Física. É necessário justificar? Parece-me que não. Com 29 clubes no currículo, Loco Abreu ficava com a Geografia.

Como o uruguaio tem dificuldade em fixar-se, Paulo Fonseca era já o substituto assegurado. Não fosse o técnico da AS Roma ter ido com o FC Porto a Leverkusen empatar com o Eintracht Frankfurt FAG. Ele lá sabe. Oficina da Escrita está destinado a Sérgio Ramos. O central espanhol quase que obriga os árbitros a escrever nos cartões e nos relatórios de jogo. Mas também escreve bonitas páginas da História do Futebol.


Balotelli parece-me indicado para as Ciências Naturais. A sua reação a alguns estímulos, a sua experiência com fogo de artifício em casa, a sua ansiedade, não sei se é o melhor termo, em conhecer o corpo humano, e a sua naturalidade ao fazer as coisas dá créditos para esta disciplina.

Por fim, Éder como professor de Francês. Foi graças a ele que durante meses cantamos “e foi o Éder que facturé”. Não tenho a certeza se foi este o termo, ou se está bem conjugado, mas garanto que foi ele que faturou, e foi com esse golo que o Euro 2016 não fugiu. O avançado, contudo, conta também com uma passagem pelo Lille OSC, o que traz sempre experiência. Esta foi a seleção que fiz, poderia ter colocado outros nomes, mas aguardo pelas vossas sugestões. Podem ir para intervalo.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

João Pedro Gonçalves
João Pedro Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
Quem conhece o João sabe que a bola já faz parte dele. A paixão pelo desporto levou-o até à Universidade do Minho para estudar Ciências da Comunicação. Tem o sonho de fazer jornalismo desportivo e viver todos os estádios.

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