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Herdeiro de Totti despede-se dos relvados

Diogo Fresco · 3 min

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De Rossi abandona os relvados. Buffon passou a ser o único campeão mundial de 2006 no ativo. Herdeiro natural de Totti, Daniele alargou o seu legado na Roma com uma experiência no Boca. Uma vivência que não conseguiu descartar, dada a sua paixão pela modalidade… e não só!

Estreou-se em 2001, em tempos áureos de campeonato transalpino. De Rossi foi internacional nos escalões de formação, e terminou em grande: campeão europeu de sub-21, em 2004! Já lhe era apontado um futuro risonho desde cedo. Era e foi um dos que não enganam. A época de 2004/05 foi a temporada de afirmação do médio, com um número de aparições convincente e um desempenho notável.

Dono de uma capacidade física e leitura do jogo invulgar, conseguiu disputar vaga com craques como Gattuso. Não foi fácil, visto que no Mundial 2006, prova ganha pelos italianos, De Rossi até foi escolha inicial para a posição de trinco, porém, no terceiro jogo do torneio, Gennaro Gattuso agarrou o lugar e assumiu-o até à final. De Rossi, por sua vez, só voltou a jogar na final e como substituto.

Já no mundial da África do Sul, foi dono e senhor da posição. No auge da sua carreira, esteve presente numa participação longe do previsto da então campeã do mundo, tendo marcado o primeiro golo da squadra azzurra na competição, frente ao Paraguai.

Pelo Brasil, no Mundial 2014, agora com Prandelli, ao invés de Marcelo Lippi, foi titular na vitória frente à Inglaterra e na derrota frente à surpresa da prova, a Costa Rica. Falhou a decisão frente ao Uruguai, por lesão.

Participou também em três Europeus, nestes sempre como escolha prioritária, onde se destaca a ida à final frente à Espanha, em 2012, perdida por expressivos 4-0…

No cômputo geral, foi claramente um trinco de primeira linha: disputou vaga com grandes médios italianos, como Gattuso, Pirlo, Thiago Motta e Verratti. Destes todos, era obviamente mais semelhante a Gattuso: na entrega, no sacrifício e na garra. Ofensivamente, penso que tinha mais critério. Na finalização, nomeadamente de bola parada, era muito forte.

Foi líder num meio campo com Pirlo, Gattuso, Perrotta
Fonte: FIFA

Ídolo na A.S. Roma, Daniele foi desde muito cedo querido pelos aficionados do clube romano. Qualidade assinalável, como referido no início do texto, prematuramente reconhecida. Amor indescritível ao clube. Exibições ricas em atitude, liderança e concentração. O verdadeiro Robin, do Batman, Totti. Num clube que não se consegue intrometer nas lutas domésticas, exceto em casos pontuais, foram “apenas” três títulos conquistados pelos personagens do Estádio Olímpico: duas Taças e uma Supertaça italianas. Talvez não pareçam grandes feitos, dado o tempo passado no emblema (18 anos), mas as circunstâncias competitivas, com adversários como Milan, Inter, Juventus, pouca coisa sobrava para a Roma.

Além da marcação, do passe e até da finalização, a sua capacidade de desarme era um dos seus melhores trunfos. Um trinco de excelência, que em campo, foi mais do que somente um nº seis.

Afirmou sentir-se jogador, sentir-se útil. Uma reunião de executivos da direção da sua adorada Roma votou a favor do pendurar das botas de Daniele De Rossi. Algo inconcebível. Os jogadores deixam de ser jogadores, são produtos do clube. No futebol moderno são, quiçá, vistos como artigos, itens. Algo que permita comércio.

O capitão, forçado a sair, decide complementar a sua paixão europeia com um ambiente típico do futebol sul americano: La Bombonera.

Alegadas saudades de um local que poucas vezes tinha abandonado ditaram este fim de carreira, de um senhor que podia muito bem jogar ao mais alto nível mais um par de anos. Obrigado, De Rossi, pelas demonstrações espontâneas de paixão pelo futebol!

Foto de Capa: AS Roma

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Diogo Fresco

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