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A época de 1991-92 foi aquela que fez fechar a cortina de uma das mais importantes ligas de futebol da Europa Leste. O Campeonato Jugoslavo de Futebol (Пpвa Лигa) teve o mesmo fim do país que lhe havia dado nome e esfumou-se na imensidão da história, muito por causa do sangrento conflito naquela que, em tempos, havia sido a poderosa Jugoslávia do Marechal Tito.
Já sem os poderosos emblemas croatas, como Dinamo Zagreb, Hajduk Split, NK Osijek e NK Rijeka, e sem a histórica formação eslovena do Olimpija Ljubljana, que se haviam recusado a participar para fazer parte de uma nova liga que estava a ser preparada nos seus respectivos países, a edição 1991-92 do Campeonato Jugoslavo de Futebol decorreu, até certo ponto, com uma aparente normalidade que disfarçava uma “paz podre” entre alguns dos seus participantes. Sem surpresas, o Estrela Vermelha de Belgrado (FK Crvena zvezda), recheado de grandes jogadores, sagrou-se campeão com uma magra vantagem de quatro pontos sobre os vizinhos e eternos rivais do FK Partizan. As equipas bósnias Zeljeznicar Sarajevo, FK Sarajevo, Slobodan Tuzla e Velez Mostar não conseguiram, no entanto, completar a temporada à conta do conflito armado que assolava o país. O Zeljo (nome pelo qual é conhecido o FK Zeljeznicar) acabaria mesmo por perder a segunda metade da temporada, cumprindo apenas 17 jogos do calendário.

Fonte: OffNet
Dessa época de má memória saltam, ainda assim, à vista aspectos positivos, como os 25 golos apontados pelo lendário goleador jugoslavo Darko Pancev ao serviço do Estrela Vermelha de Belgrado. “A Cobra”, como era conhecido no seu país, apontou esses espetaculares 25 golos em apenas 28 partidas e sucedeu a ele próprio como melhor marcador do Campeonato Jugoslavo de Futebol.
Dos golos de Pancev até aos dias de hoje dista praticamente um quarto de século e muito, ou mesmo tudo, mudou entretanto. O fim da Jugoslávia veio reconfigurar o mapa político e geográfico da região dos Balcãs, com novos países independentes a surgirem do desmembramento da antiga potência do futebol do leste da Europa e não deixa, por isso, de ser curioso que, ao fim de tanto tempo, alguns desses países tenham em cima de mesa a possibilidade de voltarem a realizar uma liga conjunta a ter início no Outono de 2018. Quem o confirmou foi o director da Liga Macedónia, Vasko Dojcinovski, na passada semana, que acrescentou também que a ideia havia sido bem recebida pela UEFA. Dojcinovski terá dado a conhecer ao organismo máximo do futebol europeu que a nova competição envolveria clubes da Sérvia, Croácia, Eslovénia, Bósnia e Macedónia, deixando de fora, pelo menos para já, o Montenegro e o Kosovo.
Embora os moldes da competição possam não estar ainda definidos a cem por cento, vislumbra-se no horizonte aquilo que poderá ser um “Campeonato Jugoslavo” da era moderna, com seis grupos de quatro equipas, que posteriormente fariam jogos a eliminar entre eles até apurar o vencedor final. Estes moldes acarretam problemas e algumas dúvidas, nomeadamente qual seria o prémio a atribuir ao vencedor e ao finalista vencido. Em entrevista a um jornal croata, Dojcinovski mostrou-se ambicioso ao afirmar que iriam tentar convencer a UEFA a colocar o vencedor na Liga dos Campeões e o finalista vencido na Liga Europa.
Se tal virá ou não a acontecer é ainda uma incógnita, mas mais importante do que isso é a questão da segurança, uma vez que velhas e novas rivalidades iriam ser reacendidas com o confronto de emblemas históricos da antiga Jugoslávia. Numa época em que fervilha o Nacionalismo bacoco e xenófobo em todos aqueles países, a segurança não pode deixar de ser tema de conversa, mas Dojcinovski mostrou-se optimista em relação a isso e assegurou que tudo está a ser planeado com cautela.

Fonte: Esporte Band
Aos 51 anos de idade, Darko Pancev não voltará seguramente a jogar, mas por muito “estranho” que possa parecer, este novo formato de competição poderá reacender as “fornalhas” das grandes escolas de futebol da velha Jugoslávia. Equipas como o FK Vardar, de onde era oriundo Darko Pancev, o FK Vojvodina e o OFK Beograd, entre outros, que já tanto deram ao futebol, sem que nada ou quase nada lhes fosse dado em troca, veriam assim abrir-se, eventualmente, uma nova janela de oportunidade, para recuperar o seu lugar na história.
Numa época de separações a todos os níveis, esta ideia de colocar de novo frente a frente velhos rivais passaria, quem sabe, aos mais jovens uma ténue mensagem de união e daria, com certeza, voz àqueles que há já muito tempo a deixaram de ter.
Foto de capa: CopaFootball











