A última obra do Engenheiro Fernando Santos

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Chegou ao fim, possivelmente tardio, o comando de Fernando Santos à frente da Seleção Nacional Portuguesa. “Só vou dia 11 para Portugal, vou lá e vou ser recebido em festa.” Para sempre ficam as palavras ditas por Fernando Santos na conferência de imprensa antes do jogo contra a Hungria no Euro 2016 (que, curiosamente, terminou em empate).

Provavelmente a figura mais divisiva, ou acumuladora de opiniões, que alguma vez liderou a equipa das quinas (depende do ano). Também a única que conseguiu levar os Heróis do Mar ao título. A infame conquista do Euro 2016, e todos os acontecimentos que se deram em França, é suportada pela vitória na primeira edição da Liga das Nações, em 2018. O primeiro e o segundo títulos do palmarés na Federação Portuguesa de Futebol.

Foi em setembro de 2014 que assumiu o comando técnico da seleção, depois de uma derrota do ex-selecionador Paulo Bento frente à Albânia, a contar para o apuramento para o Euro 2016. Encontra uma equipa em fase de transição, que não passava os momentos mais fáceis e confiava em Cristiano Ronaldo para garantir a vitória. Foi mesmo do capitão português que Fernando Santos extraiu sumo sob o qual se construiu os alicerces da seleção nacional. Surge também a opinião pública de que confiava até em demasia em Ronaldo.

Durante os primeiros anos no comando da seleção a sua principal estratégia parecia mesmo ser essa: Cristiano Ronaldo. Ou Éder, na final de Paris. O surgimento das novas gerações portuguesas, que tanto talento têm demonstrado, começou a colocar pontos de interrogação na forma de jogar que víamos constantemente na seleção nacional. Se com Eliseu e Adrien Silva seis empates e uma vitória, no Euro 2016, chegam para levar a taça para casa e deixar o povo encantado, com João Cancelo e Bernardo Silva o grau de exigência subiu bastante, naturalmente.

Portugal, com Fernando Santos, nunca teve um verdadeiro sistema constante onde fosse possível construir uma equipa com identidade e valores. O engenheiro foi alterando regularmente de ideias e jogadores, mas, o futebol praticado parecia quase sempre o mesmo. A impaciência dos críticos começou claramente a crescer, tal como o medo de desperdiçar uma geração tão impressionante num estilo de futebol fatigado. As eliminações precoces nas competições em que Portugal participava também não ajudaram Fernando Santos. Sendo que o Campeonato do Mundo 2022 no Qatar pareceu ter sido mesmo a causa do ponto final.

Estatisticamente podemos afirmar que apresenta bons números no comando da seleção. É o selecionador com mais jogos e vitórias pela seleção, dos quais ganhou 68, empatou 21 e perdeu 20. O que resulta numa média de 2,06 pontos por jogo, que o coloca em quarto lugar na tabela de selecionadores com melhor média pontual na seleção. Esteve 3005 dias no comando da seleção apenas atrás de Cândido de Oliveira, período durante o qual experimentou 91 jogadores diferentes. Acreditando na Matemática e no bom sendo, é impossível afirmar que teve uma má passagem, aliás, está para sempre esculpido, com estatuto impenetrável, no Monte Rushmore do futebol nacional.

Emana no ar um sentimento estranho para com Fernando Santos, que parece ser geral nos portugueses. O eterno obrigado por ter sido o primeiro a conquistar o que parecia alcançável (a História do “quase” já merecia terminar) e as desilusões e fracas performances fundem-se de uma forma simbiótica que representa os anos de Fernando Santos na seleção. Resta agradecer ao engenheiro pelo trabalho realizado, seja este considerado positivo e negativo, e pelas alegrias que conseguiu trazer ao povo português. Fica na memória a imagem de Cristiano Ronaldo agarrado a Fernando santos momentos antes do apito final no Parc des Princes.

Redação BnR
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