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A valer, não valeu | Crónica Portugal X Croácia

Guilherme Terras Marques · 3 min

Vitinha Luka Modric Portugal Croácia
Foto: Luís Batista Ferreira / Bola na Rede

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Naquele que foi o primeiro teste “ a valer” frente a uma seleção de topo na era Roberto Martinez, Portugal não foi capaz de vencer a seleção da Croácia no Jamor e teve assim a sua segunda derrota nos últimos três jogos, depois de ter perdido também frente à Eslovénia.

Ainda que seja exatamente para isto que os jogos de preparação servem [para precaver a equipa e os adeptos para todo o tipo de cenários e possíveis adversidades], há que ter em conta o facto assustador de que jogos de maior rigor e qualidade adversária ditaram amargas derrotas à seleção nacional.

Tanto frente à Eslovénia como frente à Croácia, seleções que vão estar presentes no Euro, Portugal foi, sem qualquer tipo de dúvida, a seleção inferior e não esteve sequer perto de merecer a vitória. Jogos verdadeiramente marcados pela desinspiração ofensiva e pela insuficiência defensiva, que deixaram muito a desejar por parte das quinas.

A utopia que se fez sentir durante a qualificação para o Euro já não é mais uma realidade e, face aos resultados negativos que se registaram desde aí, há que perceber de que forma é que se podem encarar os ditos desafios mais complicados.

No papel, Portugal é, provavelmente, uma das melhores seleções à partida para o Euro. O plantel à disposição de Roberto Martinez é, em termos de profundidade e qualidade, um conjunto invejável para muitos outros países que vão disputar a mesma competição. Contudo, a verdade é que a equipa tem sentido dificuldades em colocar em prática aquilo que no papel parece ser perfeito.

A perfeição, já é sabido culturalmente que não é algo totalmente possível, ainda assim, o seu semi-alcance já seria satisfatório para que a superioridade fosse, regra geral, nos jogos da seleção. Ou seja, não é pedida a perfeição, mas sim aquilo que seja o suficiente para que Portugal consiga vencer independentemente do adversário.

Para isso há que saber utilizar da melhor forma tudo aquilo que Portugal tem a seu dispor. No entanto, passará esse plano por mudanças táticas ou por pequenas alterações no onze inicial?

É difícil de perceber esse facto neste momento porque, sendo esta altura a de preparação, o próprio técnico ainda vai utilizando estes jogos para fazer testes na equipa, ou seja, ainda não foi possível assistir à seleção na sua máxima força. Nesse momento, com pequenas alterações nos constituintes, os tais ajustes táticos podem também acontecer de uma forma mais natural.

Se durante a qualificação vimos um 3-4-3 mais inovador, os últimos tempos têm sido marcados pelos 4-3-3 que, ao abraçar a tradição tática, abraçou também a história inconstante da seleção, o que parecia que já tinha sido ultrapassada com Roberto Martinez.

De uma forma ou de outra, o calendário aperta cada vez mais e chegou a altura de deixar os testes de lado e preparar “ a valer” a competição que se avizinha. Com jogos “a valer” pedem-se exibições igualmente “a valer”  também e é isso que a Seleção tem de demonstrar antes de embarcar para a Alemanha, algo que ainda não aconteceu, efetivamente, até ao momento.

Seja a Irlanda uma seleção de topo ou não, Roberto Martinez tem de olhar para o próximo e último jogo de forma a que aquilo que tem vindo a ser testado aos poucos separadamente, seja colocado em prática de uma forma conjunta e definitiva.

Guilherme Terras Marques

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