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Fernando Santos: O Europeu saído de uma sesta

Pedro Machado · 1 min

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Sentimo-nos pequenos perante um homem como Fernando Santos. Um homem responsável pela maior alegria da vida de muita gente, incluindo, com muita certeza, a de quem lê este texto. Responsável porque? Pelo engenho, pela audácia e pela … fé. A fé que mobiliza, e que move montanhas rumo a uma obra que parecia impossível, antes de se acreditar.

A fé que quase só ele tinha, no dia em que proferiu que só voltaria a Portugal no dia 11, e em ombros. O mesmo dia em que, recolhido no seu quarto, na sesta, depois de almoço, falou com Deus: “Eu, agradecido estou sempre, mas se deres um jeito ainda fico mais. Olha até vou escrever uma carta e vou lê-la se ganhar”.

Teve de a ler, pois. Ganhou. Ganhamos. Vivemos, hoje, a realidade de sermos campeões de Europa, e muito devemos à harmonia da fé (de Fernando Santos, equipa técnica e jogadores) e do trabalho na destruição da “cultura do eu”, como construção do nós, dificultado pelas tensões próprias de um mau início, das tensões inerentes ao facto de ter um grupo de trabalho “trancado num hotel durante um mês” e “cercado por 15 seguranças com metralhadoras”.

O ponto de viragem, disse, aconteceu no jogo coma Hungria – “Quando um treinador está a tentar convencer, parece irreal. Disse-lhes, ao intervalo que não era só uma questão de marcar mais do que os outros, é , também não sofrer. No fim, senti os meus jogadores olharem uns para os outros isto como quem diz que afinal este gajo não é só bazófias”.

Fernando Santos ganhou, aí, definitivamente, o balneário (impossível esquecer a entrada de Danilo para o lugar de Nani, quando havia 3-3 no Portugal-Hungria). Passou a ser mais líder do que nunca e, com a ajuda da sorte (que “dá muito trabalho”) e protege os audazes, chegou à glória de um país inteiro, deixando para trás um rasto de trabalho e … crença.

Pedro Machado

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