Fernando, tira o Mustang da garagem

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Sejamos objetivos e pragmáticos. Gelson, Guedes, Rafa, etc, só para nomear alguns, são excelentes jogadores, sem dúvida, de nível de seleção, mas será que conseguem atingir o a fasquia que Quaresma impôs?

O “Harry Potter”, no onze inicial ou a saltar do banco, decidia jogo sim, jogo sim. Foi extremamente crucial no título europeu, voltou a estar muitíssimo bem no mundial, já para não falar nas caminhadas de qualificação. Tem 80 jogos pela seleção portuguesa, conta com “apenas” 35 anos, que não lhe pesam nas pernas, e continua a ser titular indiscutível no Besiktas JK (para exemplificar, neste mês, foi titular os três jogos e fez sempre os 90 minutos).

O que tem feito, sobretudo nos últimos anos, deveriam dar-lhe outro estatuto na seleção
Fonte: FIFA

Desequilibra através do drible e das suas ações individuais, cruza como ninguém, trabalha defensivamente como no passado não fazia, e é só o melhor complemento para extrair o melhor de Cristiano Ronaldo. A cereja no topo do bolo é o ambiente que cria dentro do próprio seio de trabalho, que é falado pelos próprios jogadores em público e que os treinadores parecem valorizar pouco, esquecendo-se que precisam do grupo do seu lado e estes jogadores são vitais num balneário.

Com todos estes factos enunciados, juntando à falta de magia no jogo de Portugal nas últimas duas partidas, a questão que fica é: Porquê “varrer” um dos jogadores mais decisivos, mais imprevisíveis e mais dotados do nosso futebol, só porque sim, porque está na altura das novas gerações? Isto faz algum sentido?

Em Portugal continua a imperar a questão da idade, contornando rendimento, qualidade e peso. Agora só porque A, B ou C estão a despontar, temos de correr com os trintões? É uma cultura da moda, do impulso, das capas dos jornais, que pelos vistos não há maneira de terminar. Nem mesmo com a consciência que o futebol e o treino, hoje em dia, não tem nada a ver com o passado, ou seja, que as carreiras vão se prolongar cada vez mais e que será mais normal jogadores atingirem os 40 anos no topo do futebol, nem mesmo assim as pessoas metem a mão na consciência e mudam a mentalidade.

Enfim… Portugal empatou com Ucrânia e Sérvia e faltou qualquer coisa, faltou um ingrediente, faltou um picante, faltou o “nosso” saudável, no ativo e importantíssimo no seu clube, Ricardo Quaresma.

 

Foto de Capa: FPF

Ruben Brêa Marques
Ruben Brêa Marqueshttp://www.bolanarede.pt
O Rúben é um verdadeiro apaixonado pelo futebol, sem preferência clubística. Adepto do futebol, admira qualquer estratégia ou modelo de jogo. Seja o tiki taka ou o catenaccio, importante é desfrutar e descodificar os momentos do jogo e as ideias dos técnicos. Para ele, futebol é paixão, trabalho, competência, luta, talento, eficácia, etc. Tudo é possível, não existem justos vencedores ou injustos perdedores, e é isto que torna o futebol um desporto tão bonito.                                                                                                                                                 O Rúben escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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