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Portugal | Hora de mostrar o estofo de campeão

Ruben Brêa Marques · 4 min

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A seleção Portuguesa volta à ação nesta semana. Arranca a fase de qualificação para o campeonato da Europa de 2020, tendo Portugal uma dupla jornada pela frente ante a Ucrânia (sexta-feira) e a Sérvia (segunda-feira).

Ambos os jogos serão disputados no Estádio da Luz, com adversários que prometem ser “ossos duros de roer”, tal a qualidade individual que os dois conjuntos apresentam.

Antes de fazer o raio-x aos rivais, falar primeiro de Portugal. Fernando Santos tem de regresso um mega motivado Cristiano Ronaldo, nove meses após a sua última presença, tendo chamado pela primeira vez Dyego Sousa, luso-brasileiro do SC Braga que anda de pontaria afinada na Liga Portuguesa, e João Félix, que tem sido destacado em tudo o que é imprensa, sendo apontado aos “tubarões” da Europa.

É um facto que será difícil arriscar um onze inicial e até um sistema para este duplo confronto, porque provavelmente será alterado de um jogo para o outro, portanto avanço com um onze tipo para o jogo mais complicado em teoria, ou seja, com a Sérvia.

Fernando Santos deverá dar a baliza a Rui Patrício, apostando num quarteto defensivo com Cancelo, Pepe, Rúben Dias e Mário Rui. Meio campo com William Carvalho, João Moutinho, Bernardo Silva e Pizzi, com uma dupla na frente composta por Cristiano Ronaldo e André Silva. Isto caso o técnico português aposte no 4-4-2 que até tem resultado bem, havendo a possibilidade de desdobrar num 4-3-3, com Bernardo descaído à direita e com Ronaldo a partir da esquerda para o corredor central. Jogadores como Guerreiro, Félix, Semedo ou Rafa, também poderão aparecer no onze inicial em qualquer um dos dois jogos.

A primeira batalha é com a Ucrânia. A seleção orientada pela antiga estrela do futebol mundial, Andriy Shevchenko, está em fase de renovação. Na convocatória de 27 jogadores, apenas três têm idade superior a 30 anos.

É uma das gerações mais fortes do futebol ucraniano dos últimos anos, apresentando um leque de jogadores tecnicamente evoluídos e com um toque de samba trazido por Marlos e Júnior Moraes (tem mais de 20 golos oficiais esta temporada) que se naturalizaram recentemente.

Para além destes dois craques “made in Brasil”, destaco Oleksandr Zinchenko, que alinha a defesa esquerdo com regularidade numa das melhores equipas do Mundo, Manchester City FC, Viktor Kovalenko, médio ofensivo de Paulo Fonseca, Volodymyr Shepelev, extremamente elogiado por Maurizio Sarri recentemente, e Yevhen Konoplyanka, que é uma das estrelas da seleção na última década.

Marlos, é um de dois brasileiros, que veio dar outra qualidade à seleção do Leste
Fonte: Federação Ucraniana

Normalmente, Shevchenko utiliza o 4-3-3, com Zinchenko integrado no trio do meio campo, e Kovalenko no centro do ataque (o que pode mudar com a naturalização de Júnior Moraes), o que era um completo desaproveitamento da capacidade do jovem talento ucraniano. Marlos deverá jogar pela direita e Konoplyanka pela esquerda.

Estes nomes referidos no parágrafo anterior revelam bem a qualidade de opções ofensivas que esta geração tem à sua disposição (e falta Yarmolenko, lesionado). Na baliza, existe a possibilidade do jovem Lunin, contratado e emprestado pelo Real Madrid CF, de apenas 20 anos, acabar com o reinado de Pyatov, que tem sido o dono da baliza nos últimos anos.

No global, a Ucrânia é uma seleção jovem, talentosa, com muito poderio do meio campo para a frente, a nível de velocidade, técnica e de finalização (sobretudo com Júnior Moraes), apresentando, ao contrário dos últimos anos, um quarteto defensivo mais jovem, mais veloz e com mais qualidade na saída de bola (Kacheridi e Rakitsky não foram chamados e eram a dupla mais usada no passado).

Depois, segue-se a Sérvia. Os sérvios, como sempre, estão recheadíssimos de qualidade e, a nível de individualidades, não ficam atrás de Portugal. O grande problema desta seleção tem sido sempre formar um coletivo forte.

Orientados por Mladen Krstajic, antigo defesa do Schalke 04 e Werder Bremen, apresentam um conjunto relativamente jovem, com pinceladas de experiência e classe mundial, como são os casos de Nemanja Matic ou Aleksandar Kolarov. Em todos os sectores, existem uma panóplia de opções impressionante. Na convocatória de Krstajic, estão nomes como Filip Kostic, Dusan Tadic, Adem Ljajic, Ljubomir Fejsa, Aleksandar Mitrovic, Luka Jovic, etc… verdadeiramente impressionante olhar para a convocatória da seleção dos balcãs.

Jogadores como Tadic, que arrasou na Liga dos Campeões, mostram o poderio sérvio
Fonte: Federação da Sérvia

O onze tipo dos sérvios deverá contemplar Rajkovic, talentoso guarda-redes do Maccabi Tel Aviv, na baliza, defesa a quatro, com Rukavina, Milenkovic, Veljkovic e Kolarov, meio campo com três unidades, provavelmente Matic, Maksimovic e Milinkovic Savic, estando a frente entregue ao “tanque” Mitrovic, Ljajic e Tadic.

A Sérvia é um “upgrade” em relação à Ucrânia, em termos de dificuldade, com jogadores que podem fazer a diferença de um momento para o outro. Apesar de no quarteto defensivo sérvio haver menos nomes sonantes, os jovens Milenkovic, da ACF Fiorentina, e Milos Veljkovic, do Werder Bremen, fazem uma dupla de centrais de muita qualidade, com forte jogo aéreo, velocidade e qualidade na saída de bola.

Serão dois bons testes à capacidade e estofo de campeão Europeu da nossa seleção Portuguesa.

 

Foto de Capa: FIFA

Ruben Brêa Marques

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