Min 109 – 1 ano depois: O pontapé na História

- Advertisement -

Cabeçalho Seleção Nacional

Batiam as 22h15 do dia 10 de Julho de 2017 em Portugal. A galhofa própria de momentos como a final de um Europeu de Futebol, que envolvem o país, tinha dado lugar ao silêncio nervoso de um povo supersticioso e que deixa de falar para não agoirar. Esse silêncio era apenas interrompido, delicadamente, pelo roer de unhas e o engolir em seco de quem sabe estar no limbo entre a euforia e a frustração.

Um minuto depois, agitam-se (mais) os ânimos. Há um livre perto da grande àrea do adversário. Raphael Guerreiro bate com “selo de golo”… mas vai à trave e a memória colectiva logo cai num pântano de memórias infernais que caracterizam o “quase lá” – o chegar à final e não conseguir, o estar perto da conquista e morrer na praia. O povo bem tentou, mas foi difícil não lembrar 2004. Quase que se cai em depressão. Quase… porque o povo português sabe reerguer-se desses terrenos pantanosos. Quem nos vê assim não tem tempo de dizer “precisas de ajuda?”.

Dois minutos depois do livre de Raphael Guerreiro, Éder comprovou-o. Pegou a bola a meio do meio-campo francês, aguentou a carga de Koscielny e viu-se sozinho entre um emaranhado de camisolas azuis. Estava desapoiado, ninguém subia. Sem stress. Antes que perguntassem se ele precisava de ajuda, antes que alguém lhe estendesse a mão, ele resolveu, por si, o problema. Tentou um remate tirado muito longe da àrea francesa, mas muito perto da alma de 11 milhões de portugueses… e foi feliz! A bola aninhou-se no fundo das redes francesas e na história do país, seguindo o curso do destino traçado por aquele pontapé.

Um pontapé. Bastou um pontapé para despertar a auto-estima há muito induzida em coma pelo  “lá fora é que é bom”, ilustrado no erguer de troféus de mãos que não foram nascidas ou criadas cá no burgo. Bastou um pontapé para que que muitos dos apaixonados da bola, como eu, vivessem o dia mais feliz da sua vida. Bastou um pontapé para que estranhos se abraçassem calorosamente como se fossem familiares há muito desencontrados. Bastou um pontapé para que Portugal deixasse de ser lembrado como eterna promessa e passasse a ser visto como um campeão. O campeão da Europa.

Fonte: Indianexpress.com

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Flamengo oficializa Leonardo Jardim como novo treinador do clube e sucessor de Filipe Luís

Leonardo Jardim foi oficializado como novo treinador do Flamengo. Técnico esteve no clube esta quarta-feira e já assinou contrato.

De Arruabarrena: «Não duvidei nem por um segundo e fiz todos os possíveis para regressar ao Arouca»

O guardião De Arruabarrena está de regresso ao Arouca. Em entrevista, o jogador afirmou que nunca hesitou quanto ao seu objetivo de voltar.

Onde ver o PSG x AS Mónaco da 25.ª jornada da Ligue 1

O PSG vai receber o AS Mónaco num encontro da 25.ª jornada da Ligue 1. Este será o terceiro embate entre as duas equipas em 2026.

Fernando Santos destaca ligação ao Estoril Praia em dia de celebração no clube: «É a minha casa»

O treinador campeão europeu Fernando Santos marcou presença na inauguração da nova Academia Estoril Sol, numa cerimónia que reuniu antigas e atuais figuras ligadas ao clube.

PUB

Mais Artigos Populares

John Obi Mikel questiona treinador no Chelsea: «Por que é que coloca o Cole Palmer a jogar fora de posição?»

O ex-jogador nigeriano John Obi Mikel, figura respeitada em Inglaterra, não hesitou em comentar a decisão do treinador do Chelsea, Liam Rosenior, de não colocar Cole Palmer como número 10.

Ibrahima Ba cresce no Famalicão: «Não se pode ter medo deste ou daquele avançado»

Ibrahima Ba promovido esta época ao plantel principal depois de uma fase nos sub‑23, conquistou um lugar na defesa com trabalho e determina­ção, algo considera essencial para evoluir num clube competitivo como o Famalicão.

Samuel Umtiti recorda épocas no Barcelona e momentos com Messi: «Ele convidava-me porque eu era péssimo a jogar»

Samuel Umtiti, ex-jogador, esteve no Camp Nou para comentar a vitória do Barcelona sobre o Atlético de Madrid na Taça do Rei, e aproveitou para recordar a sua passagem pelo clube e a convivência com Lionel Messi.