Portugal 2-0 Vietname: A primeira é sempre especial

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Portugal entrou em campo consciente da obrigatoriedade de vencer a seleção vietnamita, também estreante em Mundiais, para continuar a alimentar a esperança da passagem aos oitavos-de-final.

Francisco Neto escolheu o 3-4-1-2 e operou uma revolução no ‘onze’ inicial, trocando sete peças relativamente ao duelo contra os Países Baixos (saíram Inês Pereira, Diana Gomes, Catarina Amado, Fátima Pinto, Dolores Silva, Andreia Norton e Diana Silva; entraram Patrícia Morais, Ana Seiça, Lúcia Alves, Joana Marchão, Andreia Jacinto, Kika Nazareth e Telma Encarnação). Mai Duc Chung, técnico do Vietname, foi menos radical e fez apenas duas alterações.

Tal como tinham antevisto os treinadores na conferência de imprensa antes do jogo, Portugal procurou sempre impor um ritmo alto e obrigar as vietnamitas a defenderem bem atrás.

Apesar de um pequeno susto no primeiro minuto, as jogadoras portuguesas entraram muito bem na partida, mostrando desde cedo a superioridade perante as adversárias. O relógio ainda só marcava quatro minutos quando Jéssica Silva esteve perto de marcar o primeiro golo da Seleção Nacional. Um minuto depois, Kika Nazareth rodou bem sobre a adversária, mas atirou por cima da baliza à guarda de Thanh Tran. A boa entrada portuguesa já justificava um golo, que apareceu aos sete minutos. Após um cruzamento de Lúcia Alves, Telma Encarnação, de primeira e à ponta-de-lança, atirou a contar. A avançada do CS  Marítimo deixou assim o seu nome na história do futebol nacional, marcando o primeiro golo português de sempre em Mundiais de Futebol Feminino.

O domínio da equipa das quinas não esmoreceu e tudo dava a entender que seria uma questão de tempo até Portugal dilatar a vantagem. Lúcia Alves esteve perto da glória, mas, após passe fantástico de Kika, esbarrou na muralha vietnamita. Depois de várias chegadas com perigo à grande área adversária, Portugal lá fez o segundo golo no jogo. Novamente com influência de Telma Encarnação, agora a assistir, foi Kika Nazareth quem voltou a levar os adeptos portugueses ao delírio. As navegadoras foram sempre jogando a belo prazer, criando várias oportunidades de golo, e percebeu-se desde o início a vontade de construir um resultado volumoso.

O Vietname cresceu nos últimos cinco minutos da primeira parte, aproveitando alguns momentos de desconcentração da seleção portuguesa, mas esteve longe de assustar Patrícia Morais.

A segunda metade do encontro começou exatamente com a toada da primeira. Posse de bola para Portugal, claro domínio territorial, mas evidentes dificuldades das portuguesas em converter em golos as oportunidades criadas. Telma errou o alvo aos 55’ e aos 65’, Joana Marchão atirou à barra aos 66’, depois de dois desperdícios de Jéssica Silva na cara da guardiã, e Kika viu ainda Thanh Tran negar-lhe o golo de forma quase milagrosa.

As várias oportunidades desperdiçadas fizeram com que Portugal fosse perdendo um pouco do seu fulgor, acumulando alguns passes errados e algumas decisões precipitadas. Ainda assim, Joana Marchão voltou a enviar uma bola à barra, agora na sequência de um livre lateral, e, aos 85’, Carolina Mendes, em boa posição, cabeceou ao lado.

Para a história, fica a primeira vitória de sempre de Portugal em Campeonatos do Mundo de Futebol de Feminino.

As navegadoras terão agora pela frente a hercúlea missão de derrotar a seleção bicampeã do mundo, os Estados Unidos da América. O jogo está marcado para terça-feira (1 de agosto), com início às 08:00H.

A FIGURA:

Telma Encarnação – A história de amor entre a Seleção Nacional e a ilha da Madeira conheceu hoje mais um dos seus belos capítulos. Natural da ‘Pérola do Atlântico’, Telma Encarnação marcou um dos golos mais importantes da história do Futebol Feminino português. A avançada de 21 anos é um dos grandes talentos que por cá andam. Já merece um salto para um patamar superior.

FORA DE JOGO:

Eficácia lusa – Dos 27 remates da Seleção Nacional, apenas nove foram enquadrados com a baliza adversária, dos quais somente dois resultaram em golo. Portugal fartou-se de desperdiçar oportunidades, algo que não poderá acontecer no duelo contra as norte-americanas.

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