Portugal 2-1 Camarões: O melhor delas chegou

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A CRÓNICA: 13 JOGOS DEPOIS, PORTUGAL CONSEGUIU MESMO A TÃO DESEJADA QUALIFICAÇÃO PARA O SEU PRIMEIRO MUNDIAL

“É preciso perder/Para depois se ganhar”. “Cada passo que demos em frente/Caminhando sem medo de errar”. Esta letra da música de Mariza, ouvida no final do jogo com os Camarões, pode ilustrar aquilo que tem sido o trajeto do futebol feminino em Portugal. Após 13 jogos de uma longa qualificação, Portugal vai mesmo marcar presença no seu primeiro Mundial. Num jogo em que as lusas foram melhores, mas não deixaram de sofrer e de apanhar um susto, a saborosa vitória surgiu no tempo de compensação.

E o primeiro sinal dado pelas lusas surgiu logo aos três minutos, com Kika Nazareth a cabecear ao ferro, na sequência de um canto cobrado por Andreia Norton ao primeiro poste. Seguiu-se um período de domínio português, com as jogadoras a revelarem-se intensas na recuperação da bola e a procurarem tirar partido da sua superior qualidade técnica para causarem problemas às camaronesas. E essa entrada mais forte deu frutos aos 21 minutos.

Num livre à entrada da área, Kika Nazareth bateu, voltando a acertar no poste, só que, desta vez, ficou à disposição para a recarga vitoriosa de Diana Gomes. A central, que mereceu a confiança de Francisco Neto apesar de nem ter muito tempo de jogo no Sevilha, fez assim o 1-0 para as lusas. Depois do golo, as camaronesas começaram a subir o bloco, dificultando a ligação de jogo portuguesa, embora as oportunidades de golo não fossem muitas, nem muito evidentes (destaque apenas para um remate de Ajara Nchout aos 31 minutos, que Patrícia Morais defendeu).

Mas Portugal voltou a terminar bem o primeiro tempo, com mais três ocasiões que podiam permitir maior tranquilidade ao intervalo. Jéssica Silva atirou contra uma adversária depois de ser brilhantemente servida por Diana Silva, aos 41 minutos, com a própria Diana, no canto subsequente, a atirar pouco ao lado. Já aos 45 minutos, um remate espontâneo da central Carole Costa criou dificuldades a Biya, guardiã de apenas 16 anos. Portugal ia em vantagem para o intervalo, mas a margem mínima pedia para que Portugal continuasse a jogar de forma intensa.

Gabriel Zabo não fez qualquer alteração ao intervalo, mas não esperou mais do que três minutos para fazer entrar Gabrielle Onguéné, autora dos dois golos no jogo contra a Tailândia. Antes disso, Diana Silva falhou por pouco a baliza com um remate acrobático, com Portugal a continuar por cima nos instantes iniciais da segunda parte. Aos 52 minutos, Andreia Norton ficou perto de um grande golo, com um remate a mais de 30 metros da baliza a embater na trave.

Nota negativa para a saída por lesão de Catarina Amado, que ficou queixosa do joelho após uma dividida. Francisco Neto preferiu não arriscar e lançou Joana Marchão para a posição de lateral esquerda. Os Camarões também não se livraram de um problema físico, com Charlène Meyong a sair lesionada depois de uma entrada mais forte de Andreia Norton. Aos 66 minutos, Kika Nazareth desperdiçou a possibilidade de fazer o 2-0, depois de um grande trabalho de Jéssica Silva na esquerda. E aos 70, Kika voltou a estar perto do golo, com Biya a defender e Diana Silva a não conseguir uma recarga bem-sucedida. Kika e Andreia Norton foram substituídas logo a seguir, por Andreia Jacinto e Fátima Pinto.

Portugal apanhou um susto aos 84 minutos, quando Michaela Abam ainda atirou para o fundo da baliza de Patrícia Morais, após uma transição, mas a avançada estava em posição irregular no momento do passe. Só que a reta final do jogo português não foi boa e o empate surgiu mesmo aos 89 minutos. Ajara Nchout, a melhor jogadora desta equipa, recebeu de costas na grande área e rematou à meia volta para o golo do empate.

Quando se podiam perspetivar mais 30 minutos de futebol, Portugal teve uma grande penalidade a seu favor. Servida por Diana Silva, Andreia Jacinto viu o seu remate travado pelo braço de Estelle Johnson, com o vídeo-árbitro a assinalar corretamente penálti. Carole Costa, chamada a converter, não vacilou, atirando colocado e rasteiro para o golo que concluiu uma jornada de qualificação longa e difícil, mas bastante saborosa, rumo à primeira participação portuguesa num Mundial feminino.

A FIGURA

Diana Silva – Podem fazer-se vários destaques individuais à seleção feminina, que foi sempre melhor globalmente, tirando nos últimos minutos, em que o controlo do jogo podia ter fugido. Mas individualmente, destaque maior para as três jogadoras da frente (Kika Nazareth, Jéssica Silva e Diana Silva). Qualquer uma das três podia levar a distinção de figura do jogo, mas a jogadora do Sporting esteve no lance que valeu o penálti decisivo a Portugal.

O FORA DE JOGO

Éliane – Coletivamente, a equipa camaronesa foi sempre inferior à portuguesa, com poucas ideias para criar perigo junto da baliza de Patrícia Morais. Éliane foi uma das novidades no onze da seleção africana, sendo também a primeira jogadora a ser substituída, após 48 minutos em que pouco conseguiu oferecer ao jogo.

Bernardo Figueiredo
Bernardo Figueiredohttp://www.bolanarede.pt
O Bernardo é licenciado em Comunicação Social (jornalismo) na Universidade Católica de Lisboa e está a terminar uma pós-graduação em Comunicação no Futebol Profissional, no Porto. Acompanha futebol atentamente desde 2010, Fórmula 1 desde 2018 e também gosta de seguir ténis de vez em quando. Pretende seguir jornalismo desportivo e considera o Bola na Rede um bom projeto para aliar a escrita ao acompanhamento dos desportos que mais gosta.

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