Ucrânia 2-1 Portugal: Seleção derrotada perante ucranianos imperdoáveis

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Se uma vitória nos colocava mais perto do primeiro lugar do grupo, uma derrota deixar-nos-ia completamente arredados da luta por tal posição… E foi este último cenário que se confirmou. Portugal saiu derrotado do embate em solo ucraniano e, por consequência, viu a seleção da casa garantir o apuramento para o Campeonato da Europa de 2020, bem como o lugar de topo do grupo B.

A seleção nacional começou o encontro um pouco insegura, parecendo mesmo ansiosa, e tal não jogou a nosso favor. Se não era um cenário suficientemente preocupante, o golo de Yaremchuk, logo aos seis minutos, veio fazer soar todas as sirenes do quartel general português. O avançado ucraniano aproveitou uma defesa incompleta de Rui Patrício ao cabeceamento de Krystov, na sequência de um canto, e só teve de encostar para fazer o primeiro da partida. Os jogadores portugueses ficaram estáticos e não reagiram a tempo de evitar o golo da desvantagem.

A resposta que era pedida aos lusos foi dada, assumindo o controlo da posse de bola e indo para cima da Ucrânia. No entanto, os jogadores de leste exerceram uma pressão alta sobre o meio-campo lusitano, o que impediu Danilo e João Moutinho de fazer a ligação entre as zonas defensiva e ofensiva. Perante este cenário e sem que Portugal conseguisse criar situações que incomodassem Pyatov, foi a seleção ucraniana quem acabou por aumentar a sua vantagem no marcador. O extremo do West Ham United, Adriy Yarmolenko, foi servido na perfeição pelo compatriota Mykolenko e, antecipando-se a Raphael Guerreiro, finalizou para o segundo golo da Ucrânia, sem dar hipótese a Rui Patrício. É o lateral esquerdo português quem sai pior deste lance, após uma falha que se revelou fatal.

A partir daqui, começou a “avalanche” ofensiva de Portugal, embora continuassem a ser notórias algumas dificuldades na fase de construção. Com esta condicionante, a solução encontrada por Fernando Santos assentou na mudança do esquema tático, trocando do 4-3-3 inicial para o 4-4-2, com Moutinho e Danilo no centro do terreno, João Mário e Bernardo nas alas e Cristiano e Guedes na frente de ataque. Apesar da alteração, os ataques da seleção nacional continuavam a ter um de dois fins: ou um remate de meia-distância, ou um cruzamento que era intercetado pelos dois “gigantes” centrais ucranianos.

À supremacia nos números da posse de bola juntava-se agora o maior número de remates, mas nenhum foi fruto de uma situação clara de golo. Com isto, chegou o intervalo, estando Portugal em melhor plano, mas permanecendo em inferioridade no marcador e obrigando o mister Fernando Santos a uma longa palestra ao intervalo.

As celebrações ucranianas, após o golo de Yarmolenko
Fonte: UEFA

Com o início do segundo tempo veio também a primeira mudança em Portugal: João Félix substitui Gonçalo Guedes, juntando-se a Cristiano Ronaldo numa frente de ataque várias vezes repetida na seleção. O objetivo, entendo eu, passava por atrair as atenções dos defesas da Ucrânia e libertar mais Cristiano Ronaldo, mas tal não se verificou. O jovem atacante do Atlético de Madrid tem uma qualidade inegável, mas ainda é um pouco um “corpo estranho” na equipa nacional, tendo passado muito ao lado do jogo.

As oportunidades para a seleção das quinas foram se sucedendo, mas o momento da finalização continuava muito pobre. Foi preciso esperar até ao minuto 72 para que surgisse o golo português, e tal só aconteceu na sequência de uma grande penalidade. Stepanenko cortou a bola com o braço, após um forte remate de Bruma ( que havia entrado minutos antes para o lugar de João Mário), e deu a Cristiano a oportunidade perfeita de concretizar o golo 700 da sua carreira. Sendo o astro português a “máquina goleadora” que é, não desperdiçou tal chance e fez, mais uma vez, história. O jogador madeirense atinge uma marca que só as verdadeiras lendas do desporto rei são capazes de alcançar.

A partir daqui o cerco à baliza da Ucrânia foi apertando, com Portugal em busca do golo que lhe desse o empate, mas foi quando também decidiu entrar em jogo aquela que, para mim, foi a figura do encontro: Pyatov. O guardião do Shakhtar Donetsk, apenas nestes últimos 15 minutos do encontro, realizou quatro defesas, sendo duas delas verdadeiramente fenomenais. E quando não era o guarda-redes ucraniano, eram os ferros a salvar a seleção de leste. Já no último lance da partida, Danilo desferiu um remate fantástico a partir da entrada da área, mas a bola embateu na trave e deitou por terra as aspirações de Portugal em sair de Kiev com, pelo menos, um ponto.

A seleção portuguesa já não pode alcançar o primeiro lugar, que está entregue à Ucrânia, mas depende apenas de si para terminar em segundo e conseguir a qualificação para o Euro 2020. Os dois jogos que faltam são com Luxemburgo (fora) e Lituânia (em casa), e com certeza que os comandados de Fernando Santos tudo farão para elevar bem alto o nome a bandeira de Portugal.

Onzes iniciais e substituições:

Ucrânia – Pyatov; Karavaev; Krystov; Matviyenko; Mykolenko (Plastun, 90+4’); Yarmolenko; Stepanenko; Malinovsky; Zinchenko; Marlos (Konoplyanka, 63’); Yaremchuk (Kovalenko, 73’).

Portugal – Rui Patrício; Nélson Semedo; Pepe; Rúben Dias; Raphael Guerreiro; Danilo; João Moutinho (Bruno Fernandes, 56’); João Mário (Bruma, 68’); Bernardo Silva; Gonçalo Guedes (João Félix, 46’); Cristiano Ronaldo.

Alexandre Candeias
Alexandre Candeiashttp://www.bolanarede.pt
Apaixonado por futebol desde sempre, tem o hábito de escrever sobre o desporto rei desde os tempos da escola primária, onde o tema das composições de Português nunca fugia da bola.

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