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Uma questão de identidade

Vasco Moreira · 2 min

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Cabeçalho Seleção Nacional

Fomos campeões europeus, chegamos à final do europeu de sub-21 em 2015, fomos campeões europeus de sub-17 em 2016 e este ano já estivemos presentes na final do europeu de sub-19, depois de um 3.º lugar na Taça das Confederações. Contamos com uma seleção nacional fortíssima e com camadas jovens recheadas de promessas, pelo que o futuro também parece risonho, mas ainda há alguns pontos a melhorar.

Comecemos pela seleção AA: eu estarei eternamente grato ao Fernando Santos e percebo perfeitamente a sua postura em França, com um futebol que pouco impressionou, mas extremamente eficaz. Tendo em conta as opções que tinha disponíveis e, principalmente o resultado, foi mesmo a melhor estratégia. A questão é que, entretanto, surgiram novas opções, não tínhamos um avançado, hoje há o André Silva, não tínhamos profundidade, hoje temos Nélson Semedo, Pizzi – considerado melhor jogador do último campeonato – ou Gelson Martins no banco de suplentes. Há ainda Bernardo Silva que, depois de falhar o Europeu por lesão, fez uma época brutal no Mónaco e é hoje um dos melhores jogadores da seleção, talvez o segundo melhor, apenas atrás de um tal de Cristiano Ronaldo. Será que com toda esta qualidade e abundância de opções importa assim tão pouco se jogamos bem ou mal?

Nos mais jovens o sistema varia entre o 4x3x3 e o 4x4x2 e mesmo ao nível do modelo de jogo, não há regra definida. Rui Jorge é quem se tem aproximado mais daquilo que eu considero que a seleção deve ser, a qualidade da sua equipa de sub-21 é inegável, bem como o bom futebol por ela praticado e os resultados alcançados.

Uma das formas do nosso futebol enquanto seleção nacional evoluir passa, a meu ver, por utilizarmos o mesmo sistema e modelo de jogo em todos os escalões. Isto já era mais ou menos feito com o 4x3x3, entretanto vários passaram a utilizar o 4x4x2 e hoje não há norma.

Rui Jorge tem feito um trabalho notável na Seleção de Sub-21 Fonte: FPF
Rui Jorge tem feito um trabalho notável na Seleção de Sub-21
Fonte: FPF

É verdade que nos AA há o fator Ronaldo que obriga a que joguem para ele e de acordo com as suas características, o que é mais do que natural, não fosse ele um dos melhores de sempre. Ainda assim acredito que isto se pode contornar e continuo a defender que as nossas seleções devem possuir todas uma identidade comum.

Concluindo, estamos num momento que pode ser muito importante para o nosso futuro, somos uma das seleções mais fortes do mundo e todos os dias parece aparecer um novo jovem cheio de potencial que nos entusiasma a todos. Devemos então parar e pensar no futuro. Há que construir uma identidade desde os mais novos de acordo com a imensa qualidade que há disponível, seja qual for o escalão devem jogar todos da mesma maneira e seguindo os mesmos princípios de jogo.

Foto de Capa: FPF

Vasco Moreira

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