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Raphael Guzzo: saber lidar com a pressão mediática

Pedro Machado · 2 min

Raphael Guzzo: saber lidar com a pressão mediática

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cab seleçao nacional portugal

A educação que recebemos por via da dinâmica da sociedade actual remete-nos para que se desvalorize aquilo que os outros pensam de nós. Ensinam-nos a não dar tanta importância aos elogios, e ainda menos às críticas, a menos que estas venham dos nossos educadores/formadores.

O futebol, obviamente, não escapa a isso, muito menos num país como o nosso, em que a mediatização do desporto é enorme e a vaidade é um lugar-comum nos futebolistas, nomeadamente nos mais novos, menos habituados a lidar com essa atenção e, por influência da idade, mais permeáveis à mesma.

O trabalho dos agentes e dos “educadores” (treinadores, companheiros de equipa mais velhos ou os próprios pais) entra aqui em acção, para que se galvanizem as exibições independentemente do que sai na imprensa.

O caso do dia de hoje (30 de Março) no que a este aspecto diz respeito foi a notícia veiculada sobre a “convocatória” de Raphael Guzzo, internacional das camadas jovens da Selecção Nacional, para integrar os trabalhos da equipa principal do Benfica na pré-época 2015/2016.

O “brasileiro” (só nasceu lá, imigrando para Chaves com um mês de idade) já antes tinha integrado os trabalhos da equipa de Jorge Jesus mas nunca ao ponto de estar nas manchetes de jornais desportivos, como aconteceu hoje. O resultado?

Bem, o jogo da Selecção Sub20 que se seguiu à publicação desta notícia não foi transmitido na televisão, mas por sorte havia um repórter Bola na Rede perto do Estádio Sérgio Conceição, em Taveiro, Coimbra, para verificar como é que um “miúdo” de 20 anos reagiria a este tipo de atenção mediática.

Creio que não é possível traçar um comparativo justo entre o papel que Guzzo desempenha na Selecção Nacional de Sub20 e no Desportivo de Chaves (clube a que está emprestado), mas, pela meia hora que disputou frente à congénere uruguaia, deu para ver que o jovem centrocampista lidou bem com a notícia.

Raphael Guzzo nasceu no Brasil, mas é internacional pelas camadas jovens portuguesas Fonte: Facebook Oficial de Raphael Guzzo
Raphael Guzzo tem sido apontado ao plantel principal do SL Benfica
Fonte: Facebook Oficial de Raphael Guzzo

Jogou em terrenos mais adiantados do que aqueles que costuma ocupar no clube da “terra”, e a envolvência de Guzzo no processo ofensivo foi, a todos os níveis, eficaz, revelando-se um jogador destemido na hora de pegar na bola, jogá-la e fazer jogar quem a rodeia, ignorando a agressividade típica (as equipas uruguaias jogam tendencialmente mais com o coração do que com a cabeça, nomeadamente quando estão em desvantagem, como era o caso) do adversário.

Quase sempre bem posicionado e procurando criar linhas de passe, ficou evidenciada a maturidade táctica do miúdo, que, por ser algo de índole lógica e racional (e não tanto de cariz emocional), não poderá ser relacionada com aquilo que saiu na comunicação social. Mas, fora isso, os pormenores técnicos e a forma confiante como encarou os seus adversários revelaram um jogador motivado e, sobretudo, crente nas suas capacidades, ficando na retina a excelência na execução do livre que deu origem ao 3-0, que sentenciou o resultado e que possibilitou a André Silva fazer um hat-trick.

Não foi o homem do jogo pelo tempo limitado que teve dentro de campo, mas enquanto esteve deixou bem patenteado que a comunicação social pode ser uma excelente alavanca para um jogador em ascensão, saiba ele lidar com as emoções e a pressão mediática.

Foto de Capa: Facebook Oficial de Raphael Guzzo

Pedro Machado

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