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O fim do reinado que marcou uma era

Fernando Gamito · 3 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

Fim de era na seleção espanhola. Vicente Del Bosque deixa o cargo de selecionador da Espanha, após não ter conseguido ser bem sucedido nos oitavos de final do Euro’2016, e termina assim uma ligação de oito anos, que distinguiu, certamente, uma geração do futebol espanhol e mundial. Uma era repleta de conquistas, mas que fica marcada por uma parte final aquém das expetativas.

O técnico de 65 anos sucedeu em 2008 a Luis Aragonés, que havia vencido o Campeonato Europeu desse mesmo ano. Com Del Bosque ao leme, a seleção espanhola conseguiu finalmente a conquista de um Campeonato Mundial de Futebol, em 2010, ao derrotar a Holanda por 1-0 na África do Sul, façanha já pretendida há vários anos. Dois anos mais tarde, em 2012, a Espanha continuou a impor o seu domínio no futebol, ao triunfar desta vez no Euro’2012, ao vencer a Itália por 4-0 na final. Vicente del Bosque e a sua turma escreviam, assim, história no desporto-rei, com a Espanha a tornar-se na primeira equipa a conquistar três grandes competições internacionais seguidas.

Del Bosque foi, também, feliz pela geração de futebolistas que passaram por la roja enquanto esteve como selecionador. A sua trajetória enquanto comandante dos destinos do futebol espanhol coincidiu com a era de grande poderio do FC Barcelona de Pep Guardiola e do seu tiki-taka, que dispensa apresentações. Em muito lucrou Del Bosque com o futebol em plena posse de bola, implementado no Barça, e teve a inteligência e a destreza tática para o adotar também na seleção, ainda que com algumas dinâmicas diferentes, fruto da utilização de outros jogadores na sua equipa base.

Jogadores como Xavi, Iniesta, Sergio Busquets (que Del Bosque optou por colocar a titular, apesar de muita contestação), Xabi Alonso, Sergio Ramos, David Silva, Piqué, Casillas… Foram cruciais para a era de sonho que a seleção espanhola viveu sob o comando de um líder valioso, “um homem do futebol” – como referiu Xabi Alonso -, Vicente del Bosque.

O treinador mais vitorioso em Espanha, Campeão do Mundo em 2010, Campeão Europeu em 2012  Fonte: UEFA EURO
O treinador mais vitorioso em Espanha, Campeão do Mundo em 2010, Campeão Europeu em 2012
Fonte: UEFA EURO

Porém, todas as grandes eras terminam. A de Del Bosque e da seleção espanhola não foi exceção. Após a conquista de três grandes competições internacionais seguidas (Euro’2008, ainda com Aragonés como treinador, Mundial 2010 e Euro’2012, ambos já com Del Bosque), la roja vacilou e caiu de forma drástica no Brasil, em 2014. Nesse Campeonato do Mundo, a Espanha não foi além da fase de grupos, situação que causou choque e surpresa no mundo do desporto-rei. No Europeu que agora decorre, mais uma desilusão por parte da seleção espanhola, que foi eliminada nos oitavos de final da competição, sem conseguir chegar a produzir e demonstrar um futebol de qualidade.

Com um impressionante registo de 87 vitórias, dez empates e 17 derrotas em 114 jogos, Vicente Del Bosque deixa o cargo de selecionador, com o estatuto de treinador mais vitorioso em Espanha. Ainda assim, e em reconhecimento da sua contribuição para o futebol espanhol, Del Bosque irá ocupar um novo cargo na Federação Espanhola de Futebol.

O que se segue, então, agora para a seleção espanhola? Quem deverá suceder a Del Bosque? São alguns os nomes apontados como possíveis futuros selecionadores da Espanha, entre os quais o antigo treinador do FC Porto, Julen Lopetegui, Paco Jémez, sendo que aquele que tem sido maioritariamente evidenciado é o de Joaquín Caparrós. Um fator que aparenta ser determinante na escolha é a nacionalidade do treinador, pois Ángel María Villar, Presidente da Federação Espanhola de Futebol, já afirmou que prefere um selecionador espanhol.

Sem certezas no que concerne ao selecionador, está bem patente que o escolhido tem de proceder a algumas alterações estruturais na turma espanhola, de forma a mudar o paradigma mais recente do futebol desta seleção, com o intuito de recolocá-la no topo do futebol mundial, onde, de facto, pertence. Algumas dessas mudanças devem passar pelo surgimento de forma mais regular no onze base de talentos emergentes que podem dar outra dimensão ao futebol de la roja, casos de Thiago Alcântara e Koke, que têm estado um pouco na “sombra” de outros jogadores, mas que serão primordiais para uma reestruturação de uma seleção que desiludiu nas últimas duas grandes competições em que esteve presente.

Fernando Gamito

Redação Bola na Rede · ver artigos