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Em Direto da Copa #4

João Cunha · 2 min

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Hoje escrevo-vos directamente da praia do hotel onde estou alojado, em Porto Seguro (próximo destino: Salvador). Estou sentado na areia com o computador ao colo, deixando-me levar pelo calor de uma noite fantástica – como sempre – e há uma festa aqui mesmo ao lado que me está a oferecer a banda sonora perfeita para o diário desta Quarta-Feira. Por isso, melhor cenário não poderia pedir.

O assunto do dia foi obviamente o jogo do Brasil. Não pude assistir ao desafio inaugural da Copa, por me encontrar a trabalhar, e hoje não podia perder a oportunidade de viver um momento destes junto dos brasileiros. E confirma-se que eles são tão ou mais fanáticos do que nós quando joga a canarinha. É a loucura total. Um bar de praia completamente cheio, com homens, mulheres e crianças equipados de verde e amarelo a vibrar com cada lance que acontece próximo da baliza adversária. Sobretudo quando Neymar tem a bola. A desilusão pelo nulo foi evidente, mas sobraram elogios de quase todas as mesas para o portista Herrera e isso foi o suficiente para sair de lá satisfeito. Apesar de tudo, é um jogador que actua na nossa liga e, quer queiramos quer não, temos sempre um fraquinho pelos atletas que conhecemos quando acontecem estas grandes competições.

E já que falo em Porto Seguro, deixem-me contar-vos também esta pequena curiosidade que certamente não passa para a comunicação social (muito menos a portuguesa): as selecções da Suíça e da Alemanha estão cá alojadas, a uma distância de pouco mais de 10 quilómetros e separadas por um rio que só é possível atravessar de ferry boat. Como é óbvio, sobretudo por se tratar de uma cidade pequena e pouco habituada a estas andanças, a população acolheu estas duas equipas de corpo e alma e torce por elas quase como torce pelo Brasil. Escusado será dizer que, durante o jogo de Portugal, eu mudei de ambiente mais do que uma vez para não ter de me chatear: comecei por ver o jogo numa esplanada, passei para a recepção do hotel e terminei sozinho no quarto. Eram demasiados brasileiros a gritar “gol” para eu me conseguir aguentar sem abrir a boca, mas pode ser que Ronaldo e companhia ainda lhes venham a dar um pequeno desgosto mais lá para a frente. Vá lá que eu saí do bar hoje com um sorriso no rosto quando o árbitro do Brasil-México fez soar o apito final… cá se fazem, cá se pagam.

Obrigado e um abraço,
João Cunha

João Cunha

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