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França 4-3 Argentina: Golos, golaços e uma morte anunciada

Gonçalo Taborda · 4 min

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Na abertura dos oitavos de final do Mundial, subiram ao relvado do Kazan Arena duas das principais favoritas à vitória na competição, que tinham convencido muito poucos na fase de grupos. Era uma hipótese de inverterem a sua situação e de evitar uma eliminação precoce.

Na equipa da Argentina, e como já é hábito com Sampaoli, houve surpresas: tanto Higuaín como Aguero ficaram no banco. Messi passava, assim, a agir como um falso nove, com Pavón – outra surpresa no XI inicial – e Di María nas alas.

Mas, novamente, as mudanças surtiram poucos efeitos: aos 10 minutos, Marcos Rojo derrubava Kylian Mbappé na grande área argentina e, aos 12, Antoine Griezmann convertia a grande penalidade. Estava feito o 1-0. O herói albiceleste no jogo frente à Nigéria tornava-se agora no vilão da partida contra os gauleses.

Os argentinos responderam bem ao golo, tomando de imediato as rédeas da partida, mas mantinham-se muitos dos constrangimentos dos jogos anteriores: poucas ideias e perdas de bola imaturas, com Banega e Messi a tentarem puxar a equipa para a frente sem sucesso. Já no lado francês, Mbappé assumia-se como a principal arma de uma equipa que procurava jogar no contra ataque.

Com uma Argentina sem capacidade de fazer a bola chegar à área francesa, e com Messi a ter de recuar em demasia para poder pegar na bola, havia três nomes que vinham à cabeça: Aguero, Higuaín e Dybala. Estes três estavam a ver o jogo no banco enquanto os sul-americanos pareciam muito longe do golo.

Mas, como o futebol será sempre o futebol, aos 41 minutos, Angel Di María (um dos mais criticados até aqui) recebeu a bola no corredor central, a 25 metros da baliza, encheu o pé e colocou o esférico no canto superior direito da baliza de Lloris, que nada pôde fazer. Mesmo antes do intervalo, o jogador do PSG restabelecia a igualdade. O beijo que recebeu de Messi após marcar este golaço representou um Gracias coletivo da nação argentina, que podia finalmente respirar.

As equipas foram para os balneários com o empate reestabelecido. Ao intervalo, Sampaoli retirou Rojo para lançar Federico Fazio no centro da defesa.

Mas acabou por ser lá à frente que voltou a haver festa: dois minutos depois do recomeço, após uma jogada de insistência, Messi remata e a bola acaba por desviar em Gabriel Mercado, enganando Lloris e fazendo o 2-1. Após 41 minutos de inferno, a Argentina encontrava-se subitamente no céu.

Fonte: AFA

Pela primeira vez no Mundial, os franceses viam-se em desvantagem e decidiram resolver a situação o mais rápido possível. Dez minutos depois, Pavard respondia ao golaço de Di María com outra obra de arte. Do canto da área, após um cruzamento transviado, o lateral direito do VFB Stugartt remata para o canto superior esquerdo da baliza defendida por Armani. 2-2: estava lançado o espetáculo.

Aos 64 minutos, o hino ao futebol continuava, com Mbappé a enganar Fazio e Mercado dentro da área e a desferir um remate cruzado. O único jogador francês que não era nascido quando os gauleses ganharam o Mundial em 1998 colocava-os agora mais perto dos quartos de final da competição.

Mas o miúdo ainda tinha mais a dizer, e quatro minutos depois estava a bisar e a duplicar a vantagem francesa, após um contra ataque liderado por Olivier Giroud.

A partir daqui, a moral dos albicelestes quebrou: o poderio físico dos franceses na parte final do jogo era simplesmente demais para aguentar. Kanté parecia ter começado a jogar há cinco minutos, Pogba parecia era impossível de bater no confronto físico e Mbappé assustava os defesas assim que começava a correr – talvez “galopar” seja o verbo mais adequado.

O golo tardio de Aguero – que entrara para o lugar de Enzo Peréz – não chegou para evitar uma eliminação argentina que parecia inevitável desde a derrota por 3-0 frente à Croácia.

Uma primeira parte sofrível deu lugar a uma segunda parte fantástica, com cinco golos. Finalmente, este grupo francês extremamente talentoso mostrou o que pode fazer, com Mbappé a emergir como a principal estrela.

Na tarde mais agradável deste Mundial até agora, Messi acabou por sair cabisbaixo; naquela que pode ser a sua última hipótese de levantar o troféu.

A FIGURA

Fonte: FFF

Kylian Mbappé – Por um lado, é extremamente satisfatório saber que ainda temos muitos anos para ver este jogador de a desenvolver-se e a espalhar magia pelo futebol europeu e mundial; por outro, é extremamente desconcertante saber que este craque é mais novo que a grande maioria da redação do “Bola na Rede”, com 19 anos. Hoje, com dois golos, superou Griezmann e demonstrou que pode ser a estrela da Seleção Francesa naquela que é a sua primeira grande competição com o seu país – e na qual já leva três golos.

O FORA DE JOGO

Fonte: FIFA

Jorge Sampaoli – Foram quatro XI iniciais diferentes e quatro exibições para esquecer da Seleção Argentina. Com todos os ingredientes para construir uma equipa excecional no ataque e sólida na defesa, Sampaoli acabou por mostrar um processo ofensivo completamente desinspirado e uma ação defensiva sem pés nem cabeça. As críticas terão vários alvos, muitos dos quais estiveram hoje em campo, mas o principal deve, sem dúvida, ser aquele que esteve no banco.

Foto de Capa: FFF

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Gonçalo Taborda

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