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Copa América’2015 – Argentina 2-2 Paraguai: Perfume argentino durou uma hora

Tiago Lima · 3 min

Copa América’2015 – Argentina 2-2 Paraguai: Perfume argentino durou uma hora

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Ponto prévio: esta selecção argentina tem um arsenal verdadeiramente assustador para atacar o título na competição de selecções mais antiga do mundo, contando nas suas fileiras com talento para usar, abusar, dar e vender. Já o Paraguai, à partida, seria desde logo um outsider num grupo em que o azul celeste, pelas empíricas regras do favoritismo, garantiria os dois primeiros lugares.

A abordagem de cada equipa ao jogo foi o espelho dessa lógica, com os paraguaios a abdicarem por completo da iniciativa a favor dos argentinos, escalando Ramón Diaz uma formação com praticamente onze elementos atrás da linha da bola. Não estranhou, portanto, que a primeira parte tivesse trazido um jogo de sentido único, com os paraguaios remetidos quase em exclusivo a missões defensivas, formando o sector mais recuado e a linha intermédia um bloco praticamente compacto com a missão de travar a mobilidade de Messi, Di Maria e Agüero.

Os comandados de Tata Martino rapidamente se instalaram no meio campo contrário, não permitindo qualquer tipo de veleidades a uns desamparados Bobadilla, Valdez e Santa Cruz, adivinhando-se que a entrega de Paulo da Silva e dos seus colegas de sector não seria suficiente para travar as sucessivas investidas argentinas. Curiosamente, o tento inaugural chegaria na sequência de um lance infeliz de Samudio, que “assistiu” Kun Aguero com um passe desastrado para as costas da defesa. Com classe e sem contemplações, o dianteiro contornou Anthony Silva e empurrou para o fundo das redes perto da meia hora.

Se a tarefa de evitar a derrota ficara comprometida, parecia ter-se tornado irreversível quando o mesmo Di Maria “cavou” uma grande penalidade a Samudio. Com toda a calma do mundo, Leo Messi ampliou uma vantagem cuja tendência normal seria para dilatar no que faltava jogar.

Pastore em disputa com Victor Cáceres Fonte: Facebook da AFA
Pastore em disputa com Victor Cáceres
Fonte: Facebook da AFA

A segunda metade trouxe a jogo Derlis González para o lugar de Ortiz, e o recém-entrado poderia nem ter estado cinco minutos em campo, tal o ímpeto com que entrou num par de lances consecutivos. A toada de jogo pouco oscilou e dava mostras de querer manter-se até ao final, com mais um ou outro golo alviceleste pelo meio. Puro engano. Inexistente no ataque até aos 60 minutos (momento em que fez o primeiro remate), a turma paraguaia deu um ar da sua graça encurtando distâncias no marcador. E que “ar”, diga-se; um momento de verdadeira inspiração de Valdez a explorar o ligeiro adiantamento de Romero e a inverter por completo o rumo dos acontecimentos.

O encontro pela primeira vez ficava algo partido, com Romero finalmente a ser importunado, mas continuava a ser a Argentina a estar mais próxima de sentenciar a partida. Destaque para a monstruosa defesa de Silva a remate de Di Maria, quando já minutos antes negara a Messi a hipótese de bisar. Martino, apesar da vantagem, decidiu lançar Tevez e Higuaín, opções que acabaram por não surtir o efeito desejado.

Eis então que, contra todas as expectativas, um lance de laboratório equilibraria as contas sobre o minuto noventa. A defensiva argentina permitiu que Lucas Barrios, entrado no decorrer na  segunda parte, aparecesse completamente livre de marcação para dar início à festa guarani na sequência de um livre cobrado na zona da linha divisória.

Por certo nem o mais fanático adepto paraguaio esperaria algo de positivo perante aquilo que todos puderam contemplar na primeira hora do desafio. O perfume argentino foi pairando no relvado sem perspectivas de surgimento de fragrâncias alternativas, mas a dança das substituições e uma difícil de explicar perda do controlo do jogo a meio campo perante uma equipa com evidentes limitações acabou por precipitar uma inesperada divisão de pontos. O espectáculo beneficiou com o jogo disputado a campo inteiro, mas a verdade é que faltou pragmatismo para segurar uma vitória mais do que cantada.

A figura:

Anthony Silva – Exibição seguríssima do guardião paraguaio do Medellin. Defendendo a baliza perante “setas” de classe mundial, mostrou uma enorme confiança e evitou de forma brilhante golos certos que sentenciariam a partida.

O Fora-de-jogo:

Tata Martino – Se do banco paraguaio saiu o fôlego e a inspiração para inverter o rumo dos acontecimento, do lado argentino não se pode dizer o mesmo. O modo como o treinador não foi capaz de equilibrar a equipa após o lance algo fortuito que devolveu uma ténue esperança ao Paraguai e a má gestão das substituições acabou por ter um papel decisivo para o balde de água fria final.

Foto de Capa: Facebook da AFA

Tiago Lima

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