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Copa América’2015 – Chile 5-0 Bolívia: A melhor equipa da Copa é mesmo candidata

João V. Sousa · 4 min

Copa América’2015 – Chile 5-0 Bolívia: A melhor equipa da Copa é mesmo candidata

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Palmas para este Chile! A equipa de Jorge Sampaoli até pode ser eliminada nos quartos-de-final (jogará com o terceiro classificado do grupo B ou C, ainda por definir), mas uma coisa é certa: até agora, nenhuma selecção presente nesta edição da Copa América jogou um futebol melhor do que o da Roja. 10 golos marcados em 3 jogos (3 sofridos, todos no empate com o México) é um grande registo, obra de tudo menos do acaso.

É certo que a Bolívia quase não levou perigo à baliza de Claudio Bravo, mas isso não retira nenhum mérito ao brilhantismo chileno. Esta equipa mostra enorme qualidade e velocidade na circulação da bola, um dinamismo ímpar (os jogadores aparecem constantemente em zonas diferentes para construir jogadas) e uma entrega notável, que se faz notar tanto a atacar como a pressionar o adversário para ganhar a bola. Tudo isto eleva ainda mais o nível exibicional das boas valias individuais de que esta selecção dispõe.

As equipas entraram em campo com o apuramento para os quartos-de-final já garantido, mas o Chile não quis facilitar e marcou cedo. Logo aos 3’, Medel lançou Vargas ainda no seu meio-campo, este tentou dominar mas a bola fugiu para trás, onde estava Aránguiz a rematar cruzado à entrada da área. Com o golo madrugador da equipa favorita temia-se um jogo desinteressante e, de facto, até ao 2-0 os dois únicos lances de registo foram dois livres de Alexis Sánchez, que em ambas as ocasiões embateram no poste. Aos 37’, contudo, Alexis marcou finalmente o seu primeiro tento do torneio. O craque do Arsenal pôs a cabeça onde muitos não colocariam o pé e transformou uma bola que parecia perdida no 2-0 para a sua equipa. Excelente gesto técnico do avançado após passe defeituoso de Valdivia, da direita.

Com a Bolívia a mostrar evidentes lacunas não só a construir mas também a defender (o lateral esquerdo Leonel Moralez teve um dia péssimo), o Chile foi em crescendo até ao intervalo. Vargas, o chileno mais infeliz em campo, desperdiçou o 3-0 em zona frontal.

sampaoli
Não basta ter talento à disposição, é preciso domá-lo e exponenciá-lo. Sampaoli tem-no conseguido

Face à inoperância boliviana, Jorge Sampaoli sentia que o jogo estava praticamente ganho e tirou Alexis e Vidal ao intervalo, fazendo entrar Matías Fernández e Ángelo Henríquez. O boliviano Marcelo Moreno teve o único apontamento da sua selecção aos 49’, rematando para boa defesa de Bravo, mas o Chile começava a carburar e adivinhava-se nova mexida no marcador. Esta chegou aos 66’, quando Matías pegou na bola, soltou na direita (sempre por aqui…) e Aránguiz, após cruzamento de Henríquez, bisou à boca da baliza a dois tempos.

O Chile estava à vontade no jogo mas nem por isso baixava o ritmo diabólico e a vontade de voltar a marcar. A 10 minutos do fim, o defesa Medel, numa altura em que a Roja já tinha abandonado o seu 4-4-2 losango e jogava num esquema de três centrais, foi lá acima num lance corrido e finalizou com classe na cara do guarda-redes, numa fantástica jogada de futebol total iniciada por si próprio. Perante uma Bolívia sem argumentos e onde só Moreno parecia destoar pela positiva, o Chile chegou à manita num lance infeliz de Raldes, que tentou interceptar um cruzamento – vindo, uma vez mais, da direita – e fez auto-golo.

Vitória incontestável do super Chile que, após o começo a meio-gás contra o Equador (2-0 e uma exibição pálida), meteu o México no bolso (3-3, resultado muito penalizador para a turma de Sampaoli, a quem foi anulado um golo limpo) e dizimou agora a Bolívia. A jogar em casa, veremos se não é desta que o país de Pablo Neruda e Salvador Allende consegue vencer uma grande competição do desporto-rei. Qualidade individual não falta, espírito colectivo também não, e a verdade é que o Chile está mais perto da glória do que nunca. Ainda assim, aconteça o que acontecer, já foi um prazer ter visto jogar esta equipa.

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A Figura

Colectivo do Chile – Alexis, Aránguiz, Medel, Valdivia, Matías…? As possibilidades são tantas que, mais do que difícil, destacar apenas um atleta torna-se injusto. O Chile tem em Alexis e Vidal as duas figuras que elevam esta selecção a outro estatuto (ver jogar o primeiro foi um regalo, o segundo hoje esteve mais apagado), mas a equipa vale sobretudo pelo conjunto. E é isso que merece o maior destaque. Enorme dinamismo, capacidade de circulação, garra com e sem bola… A Roja é um caso sério, e Sampaoli tem muito mérito.

O Fora-de-Jogo

Colectivo da Bolívia – A mesma justificação, mas em sentido contrário. Tirando Moreno, o marasmo foi total (Chumacero também tentou, mas desde que perdeu uma bola que deu golo desapareceu). A parca qualidade individual nem sequer é compensada com um colectivo forte, o que faz desta Bolívia uma equipa banalíssima. Os Verdes podem ter conseguido a primeira vitória na competição e o primeiro apuramento para a fase a eliminar desde 1997, mas hoje também sofreram a sua maior goleada na Copa América desde 1989 (curiosamente também contra o Chile, e também por 0-5). Mesmo tendo ficado em 2º no grupo, a equipa de Mauricio Soria não deixa de ser a mais fraca das quatro. Dificilmente sobreviverá na próxima ronda.

 

Fotos: Facebook oficial Selección Chilena

João V. Sousa

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