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Copa América’2015 – Colômbia 1-0 Brasil: Pouco Neymar é pouco Brasil

Francisco Vaz de Miranda · 3 min

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Após a inesperada derrota da selecção da Colômbia frente à Venezuela na primeira jornada, eram os cafeteros que partiam em desvantagem para a partida de hoje. Para além do mau resultado ficou a imagem do pobre e desgarrado futebol que a equipa colocou em campo, muito longe de ter criado grandes problemas à selecção venezuelana. Por seu lado, o Brasil, carregado por Neymar, vencera mas não convencera no duelo frente ao Peru, em que chegou à vitória apenas no cair do pano.

Curiosa a opção de Dunga por Firmino no lugar de Tardelli, procurando uma maior mobilidade que pudesse incomodar a já de si frágil defesa colombiana mas as constantes trocas entre o jogador do Hoffenheim, Neymar e Willian não eram suficientes para criar perigo. Acabou por ser a Colômbia a ficar dona e senhora do jogo na primeira parte, aproveitando a passividade defensiva da canarinha – um problema que se arrasta há muito tempo e que parece não ter solução. A facilidade com que a Colômbia disparava para o ataque colocou a equipa de Dunga em vários embaraços, que só tinham resposta pelas tímidas tentativas de Neymar ou Willian levarem a equipa para a frente.

Não é algo que surpreende e vai ao encontro daquilo que o João Pedro Oca escrevera no rescaldo do jogo frente ao Peru: esta selecção brasileira está completamente dependente da inspiração de Neymar e não apresenta um fio de jogo minimamente condizente com a categoria dos seus jogadores. A vantagem da Colômbia ao intervalo, carimbada por Jason Murillo após uma bola parada mal resolvida pelos brasileiros – o habitual -, espelhava bem o que se passava no Estádio Monumental.

A desinspiração de Neymar reflectiu-se no jogo do Brasil Fonte: ca2015.com
A desinspiração de Neymar reflectiu-se imenso no jogo do Brasil
Fonte: ca2015.com

No início do segundo tempo a toada de jogo manteve-se a mesma, com um ritmo alto e tão típico de jogos entre equipas sul-americanas, com a bola sempre perto das duas balizas e um jogo pouco pensado e a arrastar-se a meio campo. Face à desvantagem no marcador, o Brasil viu-se obrigado a assumir a sua responsabilidade de favorito e tentar chegar à igualdade. Recuou a Colômbia e o Brasil, sempre com Neymar a criar praticamente todo o jogo ofensivo, criou algumas oportunidades do Brasil para chegar ao golo. Fica na memória uma perdida inacreditável de Firmino com a baliza de Ospina completamente deserta. A Colômbia fez por justificar a vitória na primeira parte, dada a superioridade que a equipa de Pékerman revelou sobre o adversário nesse período. Neymar e companhia apareceram num nível superior nos segundos 45 minutos e talvez o empate se apresentasse como o resultado mais justo. Mas, é claro, os jogos não têm 45 minutos e só Neymar não chega… Ter treinador também dá jeito. Neymar, expulso, não entra nas contas para decisiva partida frente à Venezuela. Veremos o que (não) faz esta equipa sem o craque do Barcelona.

A Figura
James Rodríguez – Sem ter deslumbrado como sabe fazer, o craque do Real Madrid exibiu-se a um belo nível essencialmente na primeira parte. Com ele, a bola tem olhos. E tão bom seria a bola olhar para Jackson Martínez e não para este Falcao, a anos-luz do que já foi.

O Fora-de-Jogo
Dunga – Este Brasil de Dunga é uma equipa incrivelmente previsível e quão estranho é isso tendo Neymar, Douglas Costa, Willian, Firmino, Coutinho, … Do meio-campo para a frente, todos os jogadores têm praticamente as mesmas características e parecem não encaixar num jogo colectivo.

Francisco Vaz de Miranda

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