Euro Sub-19: Só podia ser para a Alemanha

- Advertisement -

internacional cabeçalho

Não se podia pedir mais. Portugal apurou-se para o Mundial Sub-20 do próximo ano e só perdeu na final, para uma Alemanha que foi claramente a melhor equipa da prova. A geração liderada por Hélio Sousa apresentou uma qualidade de jogo interessante e mostrou que, mesmo sem uma aposta séria por parte dos clubes, há talento para ser aproveitado pela selecção principal. Com Rony menos decisivo do que se esperava (apesar de ser notório que é um jogador acima da média), foram os jovens do Porto – que não vão ter espaço no plantel principal – que se assumiram como as principais figuras da equipa. Rafa, lateral-esquerdo muito ofensivo, Podstawski, médio com uma excelente leitura de jogo, Ivo Rodrigues, extremo desequilibrador e o rei das assistências no conjunto português, e André Silva, avançado dotado tecnicamente e bom finalizador, estiveram em grande destaque ao longo da prova. João Nunes e Domingos Duarte, dois centrais com características semelhantes (velozes, competentes no desarme e na saída de bola), também estiveram num nível alto durante grande parte do torneio. Gelson Martins, irreverente mas com lacunas ao nível da decisão, Francisco Ramos, médio capaz de recuperar e sair a jogar, e Guzzo, jogador com uma capacidade técnica notável, foram outros elementos que mostraram margem de progressão. Globalmente, ficou a ideia de que há qualidade de sobra, faltando apenas que os jogadores tenham oportunidades de provar o seu valor. Rafa e Podstawski, por exemplo, tinham todas as condições para integrar desde já o plantel do Porto.

Num Euro sem Espanha, França e Holanda, os germânicos passearam frente a quase todos os adversários (a Sérvia foi a excepção) e conquistaram um título que lhes fugia desde 2008. Apesar de nomes como Goretzka, Meyer ou Gnabry não terem sido convocados, os alemães fizeram valer a força do colectivo e não tiveram dificuldades em confirmar a sua superioridade. Uma equipa com um modelo de jogo idêntico ao da selecção AA (até no facto de o guarda-redes jogar como líbero), muito adulta e com jogadores muito interessantes a nível individual. Julian Brandt, promissor extremo do Leverkusen, partia como o elemento mais experiente – já se estreou na Champions – da equipa, mas neste Europeu ficou um pouco aquém das expectativas. Por outro lado, Stendera – médio ofensivo com uma grande visão de jogo – confirmou as boas indicações deixadas no Euro Sub-17 de há dois anos, consagrando-se como o jogador com mais assistências do torneio. Selke, um ponta-de-lança de último toque (participa pouco na criação mas é letal na finalização), foi o melhor marcador. Mukhtar, um dos mais evoluídos tecnicamente, Kimmich, médio defensivo com grande qualidade de passe, e Öztunali (algumas semelhanças com Khedira) foram outros jogadores que mostraram potencial, bem como a dupla de centrais constituída por Kempf e Stark.

Pelas meias-finais ficaram a Sérvia e a Áustria. A selecção balcânica, para não variar, apresentou um conjunto com jogadores muito promissores, apesar de Andrija Zivkovic, o mais jovem de sempre a actuar pela selecção principal da Sérvia, não ter disputado o jogo com Portugal. O esquerdino pode jogar nas alas ou no corredor central e destaca-se pela sua técnica, velocidade na condução de bola e capacidade de decisão muito acima da média. Para além do craque do Partizan, o guarda-redes Rajkovic (bastante seguro entre os postes e no jogo aéreo), o lateral-esquerdo Antonov, extremamente competente a defender, e os centrais Jovanovic e Babic, ambos fortes no desarme e com excelente sentido posicional, são nomes a ter em conta para o futuro. A Áustria também mostrou uma geração promissora, apesar de Horvath, um dos craques, não ter confirmado as boas indicações deixadas na UEFA Youth League. Bytiqi e Grillitsch formaram uma dupla muito perigosa no ataque, com Michorl (esquerdino forte na recuperação, no passe e na marcação de bolas paradas) a destacar-se no meio campo. O guarda-redes Lulic foi um dos melhores da prova.

O momento que levou Portugal à final do Euro'2014 de Sub-19 Fonte: FPF
O momento que levou Portugal à final do Euro’2014 de Sub-19
Fonte: FPF

Nas restantes selecções houve poucos jogadores em destaque. Esperava-se que a Hungria apresentasse uma equipa capaz de lutar pelo apuramento para as meias-finais, mas a verdade é que apenas Kalmar (médio que já é internacional AA) e Varga (extremo forte no 1×1) conseguiram mostrar alguma qualidade. Tamas, um dos melhores laterais-esquerdos da UEFA Youth League, desiludiu bastante. Ainda no Grupo A, Israel não foi feliz na estreia, saindo da prova sem qualquer ponto. O médio criativo Ohana foi a grande figura da equipa, apesar de ter exagerado nas acções individuais. No grupo B, a Bulgária não teve argumentos para contrariar a superioridade dos adversários. Sem poder contar com alguns dos melhores jogadores, que estão ao serviço dos clubes nas eliminatórias das competições europeias, os búlgaros tiveram em Kolev, médio com boa qualidade de passe, um dos poucos elementos que tiveram uma participação positiva. Na Ucrânia, que esteve perto do apuramento para as meias-finais, Kharatin, médio defensivo competente na recuperação e criterioso no passe, e Kovalenko, médio ofensivo forte no transporte de bola, aproveitaram a competição para ganhar alguma projecção internacional. Tal como Tamas, o lateral-esquerdo Sobol foi outro dos que não deram sequência às boas indicações deixadas na UEFA Youth League.

11 ideal (4231): GR – Rajkovic (Ser), LD – Akpoguma (Ale), DC – João Nunes (Por), DC – Kampf (Ale), LE – Rafa (Por); MC – Podstawski (Por), MC – Kimmich (Ale), ME – Ivo Rodrigues (Por), MO – Stendera (Ale), MD – Mukhtar (Ale); PL – André Silva (Por)

Melhor jogador: Marc Stendera – Não houve um jogador que se tenha destacado de forma clara, mas o médio ofensivo alemão terá sido o mais regular. Foi o melhor assistente da prova, formando uma parceria de sucesso com o ponta-de-lança Selke. Um jovem com muito potencial, com uma grande visão de jogo, qualidade de passe e facilidade de remate.

Tomás da Cunha
Tomás da Cunha
Para o Tomás, o futebol é sem dúvida a coisa mais importante das menos importantes. Não se fica pelas "Big 5" europeias e tem muito interesse no futebol jovem.                                                                                                                                                 O Tomás não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Presidente do Trabzonspor confirma interesse em Sidny Cabral: «Tinha a aprovação da equipa de olheiros, mas acabou por se transferir para o Benfica»

O Trabzonspor voltou a ser associado à contratação de Sidny Cabral. Presidente do clube confirmou que os turcos estão atentos.

Benfica tem no Mundial 2026 a grande esperança para o futuro de Franjo Ivanovic

O Benfica quer contratar um novo ponta de lança, mas para isso tem de vender alguém. Franjo Ivanocic é a opção preferencial para a transferência.

Victor Froholdt tem 3 interessados na Premier League e FC Porto vai viver verão de alerta

Victor Froholdt tem três interessados na Premier League. Médio do FC Porto tem atraído atração internacional, nomeadamente em Inglaterra.

Roberto Martínez anuncia os convocados para o Mundial 2026 no dia 19 de maio

Roberto Martínez vai anunciar os convocados de Portugal para o Mundial 2026 no dia 19 de maio, terça-feira, na Cidade do Futebol. A cerimónia será às 13h.

PUB

Mais Artigos Populares

Futebol de Praia: Portugal volta a vencer a Ucrânia e vence agora por 7-2

Portugal garantiu o segundo triunfo, em dois jogos, frente à Ucrânia, num estágio de preparação realizado na Foz do Lizandro.

Sporting decide futuro de jogador e quer emprestar reforço que chegou em 2025 ao clube

O Sporting já decidiu e quer emprestar Giorgi Kochorashvili. Leões procuram que cedência contemple opção de compra.

Casemiro destaca Bruno Fernandes e recorda Ruben Amorim: «Continuei a tentar mostrar ao treinador que estava equivocado quanto a mim»

Casemiro falou sobre a sua experiência no Manchester United. O médio brasileiro destacou Bruno Fernandes e recordou o momento em que teve de conquistar Ruben Amorim.