A Equipa das Quinas é sempre a rapariga tímida do(s) primeiro(s) encontro(s)

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O arranque da Seleção portuguesa de Futebol foi a meio gás. Penáltis por assinalar à parte, esperava-se, francamente, mais da equipa que detém o título de campeã europeia.

Apesar de até ser da praxe o facto de Portugal empatar os primeiros jogos de apuramento para a qualificação do Europeu, há ilações que temos, inevitavelmente, de retirar destes últimos jogos.

É ponto assente que temos mais do que argumentos suficientes para jogar um futebol melhor do que aquele que jogamos atualmente. Temos, de facto, um potencial enorme que não está a ser aproveitado, e a verdade é que nos últimos quatro jogos já lá vão quatro empates. Isto dos empates foi tudo muito bonito no Euro 2016, mas já chega de desculpas. Podemos e devemos fazer melhor!

O que vi nestes dois jogos foi uma equipa que teve sempre muita dificuldade em singrar por terrenos interiores. Ao invés, o jogo nos corredores laterais destacou-se, mas, ainda assim, foi muito pouco eficaz. Aliás, oportunidades, Portugal teve-as. Apenas não as soube aproveitar da melhor maneira.

Vários foram os cruzamentos sem nexo da equipa das quinas. Ou saíam com demasiada força e passavam para lá das quatro linhas ou então nunca encontravam jogadores prontos para finalizar dentro da área. Foi incrível a falta de preciosismo atacante da equipa de Fernando Santos.

Danilo foi não só o autor de um grande golo, como também do único nas duas últimas partidas que Portugal realizou
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Temos jogadores bastante desequilibradores que são capazes de construir ataques rápidos e perigosos, sim, mas que depois em termos de jogo interior pecam muito… Já para não falar na incógnita presente na frente de ataque de Portugal.

Há muito tempo que se tem esta conversa, mas a verdade é que falta um ponta de lança puro na nossa equipa. Mas agora pergunto: será que é esse o motivo que nos leva a pecar tanto na finalização? É uma hipótese, diria eu.

Já nem sequer falo da questão de haver uma seleção com e sem Ronaldo, pois esta questão é para lá de evidente. Falo também da incógnita que passa pelo nosso meio-campo. Parece que Portugal anda numa fase de experimentações no que toca ao centro do terreno. Fernando Santos pôs à prova dois meios-campos diferentes, mas parece que a coisa não saiu lá muito harmoniosa em qualquer um deles.

Nem um pouco de “ar fresco” na seleção portuguesa causou grande impacto no jogo francamente pobre da mesma. Dyego Sousa tem sido um dos destaques da época 2018/2019, mas a verdade é que não me pareceu, ainda, a solução ideal.

A falta de soluções para algumas posições até podia ser muito mais preocupante, mas a prospetiva futura da equipa das quinas mostra-se risonha. As camadas jovens da seleção continuam a dar cartas e a verdade é que há muito diamante por lapidar. Resta-lhes, a esses diamantes, cair nas mãos certas de quem percebe aquilo que não só Portugal precisa, como também os jogadores. Nos sub-17 e sub-19, Portugal garantiu a qualificação para o europeu. Já os sub-20 destacaram-se, também, ao vencer Inglaterra num jogo de preparação para o Mundial.

Já é hábito os empates na fase de qualificação para um Europeu. No final, acabamos sempre por nos qualificarmos. Esperemos que aconteça o mesmo desta vez, mas é um facto: podia-se jogar um pouco mais à bola. Os adeptos agradeciam!

 

Foto de Capa: Seleções de Portugal

Inês Marques Santos
Inês Marques Santoshttp://www.bolanarede.pt
A Inês é licenciada em Jornalismo. A experiência do Bola na Rede veio juntar duas coisas de que gosta de fazer: escrever e ver futebol. Desde nova que quer entrar no mundo do jornalismo desportivo e espera um dia conseguir marcar o seu lugar no mesmo.

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