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A qualidade sobressai até num arrozal

Diogo Pires Gonçalves · 2 min

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O futebol nacional, e até mesmo mundial, está recheado de exemplos de equipas que escreveram as suas linhas na história adotando um estilo de jogo mais duro, mais físico e mais disputado, permitindo aqui o eufemismo.

Em Portugal, recorremos rapidamente ao Boavistão, de Jaime Pacheco, ou a caras conhecidas como Jorge Costa, Paulinho Santos ou Petit, a título de exemplo. Lá fora, é conhecida a agressividade extra posta em cada lance na Liga Inglesa e reza a história que uma equipa se sagrou, assim, bicampeã europeia; o Nottingham Forest FC de Brian Clough.

As equipas criativas e apaixonantes, essas, também as há. Mais recentemente é impossível não recordar o rolo compressor catalão de Pep Guardiola ou, com as devidas distâncias, o FC Porto “todo-o-terreno” de André Villas Boas e o SL Benfica dominador de Jorge Jesus.

A questão que se levante é, então, qual das abordagens está mais próxima do sucesso? No meu entender, trata-se de uma não-questão, uma vez que priveligiar o bom futebol será sempre caminho e meio para a vitória.

Os velhos do Restelo e os resultadistas unem-se, qual protesto climático, e defendem que jogar bem não dá pontos nem campeonatos. Na porção quase insignificante que a minha opinião ocupa, cá estou para rebater essa posição e relembrar a forma como o FC Porto ganhou o campeonato de 2017/18 ou como a Seleção Nacional venceu a última partida no Luxemburgo.

Bernardo continua a assumir-se como o jogador português mais decisivo e desiquilibrador da atualidade
Fonte: FPF

No caso dos dragões, é inegável a revolução que Sérgio Conceição operou no candidato mais a Norte. No entanto, nem sempre a revolução é para melhor. Neste caso, trouxe novidade, mas de pouca duração. Enquanto que não se adaptavam ao FC Porto mais físico e desenfreado de Conceição, os adversários eram esmagados no aspeto físico, poucas vezes no tático – nem sempre no resultado.

Esse período de adaptação foi demorado o suficiente para garantir um título nacional e fazer de Marega e Soares as estrelas que nunca foram. Uma vez desvendados os movimentos chave dos dragões, nunca mais Marega rompeu a defesa adversária com a facilidade que antes se via. Nos poucos metros que agora lhe concedem, é gritante a falta de criatividade e técnica e vê-se um poderio físico que só atrapalha.

Transpondo para a partida da Seleção que carimbou o acesso ao Euro2020 (0-2 frente ao Luxemburgo), é comum ouvir-se que naquele “batatal” pediam-se jogadores mais físicos e bolas pelo ar para a área; uma verdadeira guerra de trincheiras.

Esquecem-se, pelo visto, que foi a criatividade e a inteligência que desbloquearam e asseguraram os três pontos nesta partida. Não foi o físico, a luta nas alturas ou o chuveirinho. Foram dois passes de Bernardo Silva na medida certa a descobrir Bruno Fernandes e Diogo Jota. No primeiro, sobressai ainda a qualidade absurda do médio leonino a receber orientado para finalizar.

Em condições de terreno ou meteorológicas adversas, a criatividade e a qualidadade técnica terão de dar lugar a um maior pragmatismo, é certo, mas nunca deverão ser superiorizadas por qualquer outro elemento. E não adianta comparar ou substituir pelo jogo físico, é injusto, o segundo sai sempre a perder.

Foto de Capa: FPF

Diogo Pires Gonçalves

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