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Rui Jorge é o seleccionador nacional de sub-21 desde 2011. Depois de ter falhado o apuramento para o europeu de sub-21 em 2013, Rui Jorge ficou a cargo de uma das mais talentosas gerações de jogadores portugueses dos últimos anos, dando início a um ciclo bastante rico para o futebol nacional, no qual as selecções jovens começaram a tornar-se num autêntico viveiro para a selecção principal.

Foi no europeu da Categoria em 2015 que Rui Jorge atingiu o seu ponto alto enquanto seleccionador de sub-21, faltando-lhe apenas a cereja no topo do bolo para culminar um percurso perfeito. Para além da grande campanha realizada na competição, a equipa já tinha dado uma amostra do seu valor, ao dominar a fase de qualificação, ganhando todos os jogos no seu grupo e derrotando a Holanda no play-off, praticando um futebol de qualidade e com grande produtividade ofensiva.

Para a memória, ficou o sistema táctico implementado na equipa por Rui Jorge: um 4-4-2 losango, formado por William Carvalho, João Mário, Sérgio Oliveira e Bernardo Silva no meio-campo e com Ricardo Pereira e Ivan Cavaleiro a formar a dupla atacante, havendo ainda alternativas bastante viáveis, como Rúben Neves, Tozé, Carlos Mané e Gonçalo Paciência.

Depois do vice-campeonato no escalão em 2015, a equipa voltaria a dar uma grande demonstração de força ao voltar a dominar a fase de qualificação para o europeu de sub-17, voltando a apurar-se sem dificuldades para a competição. Porém, na qualificação para o europeu de sub-19 (já com uma geração um pouco menos talentosa), o cenário começou a mudar.

Após ficar atrás da Roménia no grupo de qualificação, a equipa seria, surpreendentemente, derrotada no play-off pela Polónia, ao perder por 3-1 em solo luso depois de ganhar 1-0 no país de Leste. Actualmente, na fase de qualificação para o europeu de 2021, Rui Jorge lidera a geração que se sagrou campeã europeia de sub-17 e sub-19. Apesar da equipa se encontrar no segundo lugar do seu grupo de qualificação com três vitórias e uma derrota, tenho entendido que há um certo desgaste de ideias por parte de Rui Jorge.

Fonte: Seleções Portugal

Em tempos recentes, tenho ouvido algumas pessoas dizer que o 4-4-2 losango é um sistema táctico que está ultrapassado. Na minha opinião, não existe afirmação mais falsa. Para mim, o 4-4-2 losango é dos modelos mais eficientes que pode existir, só que é uma táctica que leva muito tempo a ser trabalhada e que não está ao alcance de qualquer jogador.

Para que um 4-4-2 losango consiga extrair o rendimento máximo de uma equipa, é preciso encaixar as peças nos sítios certos, de modo a que estas possam dar o seu contributo em prol da equipa. Ou seja, é preciso que os jogadores joguem na posição onde consigam render melhor em prol do colectivo.

Neste sistema tático, o losango no meio-campo é a base de tudo, é a “sala das máquinas” da equipa. Para que consigamos ter uma equipa dominante, organizada e capaz de jogar em todo o campo, é preciso que os quatro vértices do losango – sobretudo o médio mais ofensivo e os interiores – tenham uma grande capacidade de ocupar bem os espaços no campo, de se associarem com os colegas, de jogar ao primeiro toque e de saberem sempre o que fazer com e sem a bola nos pés.

Isso irá permitir à equipa ter uma circulação rápida da bola e uma grande capacidade para explorar o espaço central, devido à grande presença de jogadores em espaços interiores. Essa densidade de jogadores num curto espaço do terreno de jogo também confere uma vantagem em situações de transição defensiva, visto que permite aos jogadores reorganizarem-se mais rapidamente de modo a ter uma melhor reacção à perda da bola.

No entanto, voltando a este exemplo da actual selecção de sub-21, vejo que este sistema não é o que melhor encaixa nestes jogadores. Nas competições anteriores, esta geração sempre jogou em 4-3-3 e apesar de Rui Jorge também já ter utilizado este sistema, insiste em utilizar o 4-4-2 losango como o seu sistema predileto, com o qual não consegue tirar o melhor de alguns jogadores.

Um desses exemplos é o de Francisco Trincão. O jogador do SC Braga é um extremo desequilibrador e com um grande poder de explosão, mas que num 4-4-2 losango, não tem uma posição onde possa explorar ao máximo as suas qualidades.

Por isso, devo dizer que já tive mais confiança em Rui Jorge, mas o que é facto é que se ele levar a sua teimosia avante, o seu ciclo na selecção nacional poderá chegar ao fim.

Foto de Capa: Seleções de Portugal

Artigo revisto por Diogo Teixeira

 

Tiago Serrano
Tiago Serranohttp://www.bolanarede.pt
O Tiago é um jovem natural de Montemor-o-Novo, de uma região onde o futebol tem pouca visibilidade. Desde que se lembra é adepto fervoroso do Sport Lisboa e Benfica, mas também aprecia e acompanha o futebol em geral. Gosta muito de escrever sobre futebol e por isso decidiu abraçar este projeto, com o intuito de crescer a nível profissional e pessoal.

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