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Portugal 5-1 Camarões: deixámo-los descascadinhos!

Francisco Manuel Reis · 3 min

Portugal 5-1 Camarões: deixámo-los descascadinhos!

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Hoje, em Leiria, a selecção nacional portuguesa defrontou a sua congénere dos Camarões no último amigável antes da convocatória final de Paulo Bento para o Mundial 2014. Portugal apresentou-se em campo com um onze repleto de alterações em relação à “equipa tipo”: Beto foi o guarda-redes; Rolando e Luís Neto formaram uma dupla de centrais inédita entre os habituées Fábio Coentrão e João Pereira; William Carvalho, cumprindo o seu primeiro jogo a titular e relegando Miguel Veloso para o banco, auxiliou Meireles e Moutinho no miolo; Rafa e Ivan Cavaleiro, estreias absolutas na selecção principal, também jogaram de início ao lado do capitão Ronaldo.

A primeira parte foi relativamente fraca. No ataque, Portugal ressentiu-se da ausência de um ponta-de-lança fixo (recorde-se que Postiga, Éder e Almeida ficaram de fora por problemas físicos) e a aposta em Rafa como “falso 9” acabou por não trazer grandes benefícios, pese embora o jovem do Braga tenha mostrado alguns pormenores interessantes. Além disso, a falta de entrosamento entre os jogadores da dianteira pesou na hora de construir as jogadas. No entanto, os maiores problemas ofensivos da equipa começavam na defesa: sempre com as linhas demasiado espaçadas e incapaz de se lançar na pressão alta que caracteriza as equipas mais poderosas, Portugal recuperou muito poucas bolas em terrenos mais adiantados, tendo tido, por isso, menos espaço para criar situações de finalização. Os Camarões conseguiam sair sempre a jogar com relativa facilidade e Song tinha toda a liberdade para iniciar a construção de jogo. Ainda assim, Portugal adiantou-se no marcador por intermédio de Ronaldo, à passagem do minuto 20. O jogo prosseguiu numa toada morna, sem que nenhum dos conjuntos mostrasse grande interesse em acelerar o ritmo, e, no período de maior fulgor dos Camarões, o final da primeira parte, a igualdade foi reposta – Aboubakar aproveitou a apatia de Coentrão, que o deixou em jogo, para fazer o 1-1.

William Carvalho foi titular e estará quase de certeza na convocatória para o Mundial  Fonte: Zero Zero
William Carvalho foi titular e estará quase de certeza na convocatória para o Mundial
Fonte: Zero Zero

Ao intervalo, duas substituições: Eduardo no lugar de Beto; Edinho no lugar de Rafa. Na segunda parte, Portugal apareceu com uma postura mais dominadora e agressiva e com isso mudou o jogo. Tendo Edinho em campo, os pupilos de Paulo Bento ganharam uma referência no ataque e começaram a pressionar um pouco mais à frente, reduzindo a margem de manobra ao portador da bola. O livre de Ronaldo às malhas laterais no início do segundo tempo – que ainda gerou um “bruá” nas bancadas – foi o prenúncio do festival de golos que se viria a seguir. Meireles (aproveitando um passe disparatado de um defesa africano) e Coentrão (após uma bela iniciativa de Cavaleiro) fizeram, em dois minutos, o 3-1 a meio da segunda parte. Entretanto, já com Varela e Veloso nos lugares de Cavaleiro e William,  Edinho, meio lesionado, também fez o gosto ao pé, cedendo minutos depois o seu lugar a Antunes. No fim, Ronaldo fez o seu 49º golo com a camisola das Quinas, cimentando a sua posição de melhor goleador da história de Portugal, e saiu para permitir a Josué somar mais uma internacionalização.

No cômputo geral, a exibição de Portugal foi positiva: cedeu poucas oportunidades ao adversário, criou vários lances de perigo, marcou cinco golos, deu rodagem a alguns jovens com potencial (William, Cavaleiro e Rafa), permitiu o regresso bem-sucedido a alguns jogadores que podem ter entrado nas contas (Rolando e Edinho) e testou mais do que um sistema. Vitória inequívoca, missão cumprida. Descascámos os Camarões!

Figura: Cristiano Ronaldo
Assinou dois tentos (já vai em 49 golos em 110 jogos!) e podia perfeitamente ter marcado mais. Mostrou novamente que é o líder da nossa selecção, dentro e fora do relvado. Apesar de a classe de Moutinho, a raça de Coentrão, a maturidade de William e a consistência de João Pereira também merecerem elogios, o destaque maior tem mesmo de ir para o melhor jogador do mundo.

Fora-de-Jogo: Agressividade dos Camarões
Como não houve nenhum jogador lusitano cuja exibição tenha sido verdadeiramente má, é a postura da selecção dos Camarões que leva a nota negativa. É sempre salutar quando as equipas se apresentam em campo com uma atitude competitiva, mas os Camarões exageraram claramente: foram demasiadas faltas e demasiadas faltas demasiado duras para um amigável.

Francisco Manuel Reis

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