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Rússia 0-1 Portugal: Foi sofrido… mas o ‘facelift’ dos Silvas deu resultado

Pedro Machado · 3 min

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Cabeçalho Seleção Nacional

Em relação ao jogo com o México, saíram do onze titular trintões como Nani, Quaresma ou João Moutinho e entrou gente nova como André, Adrien (apesar dos 28 anos) ou Bernardo Silva. Portugal deixou de ter barba rija, passou a ter acne. Mas deixou de estar preso de movimentos para passar a apresentar uma fluídez que a irreverência da juventude consegue trazer. O ‘facelift’, o rejuvenescimento da cara (11) de Portugal, deu resultado.

Bernardo permitia, com o seu toque mágico, que se furasse por entre o meio-campo russo, perante os espaços que as movimentações de Adrien iam criando, enquanto André Silva abria linhas de passe… para ele ou para Cristiano Ronaldo. Portugal estava num autêntico parque de diversões, e sentiu-se o gosto pelo jogo logo desde os instantes iniciais. Sentia-se que desta vez seria diferente, como foi. Aos 8 minutos, um cruzamento perfeito vindo do pé canhoto de Raphael Guerreiro encontrou Cristiano Ronaldo ao segundo poste. Solto de marcação, por ação de André Silva, não perdoou.

A Rùssia tentou reagir, mas não conseguiu. Precisava de tomar iniciativa, coisa não prevista pela proposta de jogo trazida, e que incluia, como elo de ligação meio-campo-ataque, Zhirkov, um jogador versátil, mas mais habituado a pisar terrenos recuados (dos 25 jogos pelo Zenit esta época, 23 foram a lateral esquerdo), sobretudo agora, na fase descendente da carreira, o que condicionava toda dinâmica ofensiva. Ou seja, não assustou a “juventude” lusa, que até foi a equipa que mais perto de marcar até ao intervalo – CR7 trocou as voltas a Vasil, e disparou para defesa apertada de Akinfeev.

Cristiano Ronaldo fez o único golo do encontro Fonte: FIFA
Cristiano Ronaldo fez o único golo do encontro
Fonte: FIFA

A segunda parte trouxe uma Rússia menos avessa ao risco. Zhirkov passou para a esquerda, habitat natural, Cherchesov tirou um elemento defensivo do meio-campo (shinshkin saiu para dar lugar a Erokhin) e a equipa passou a fluir melhor na transição defesa-ataque. Porém, abria espaço nas costas quando o fazia e Portugal, matreiro, espreitava-o, mas esbarrou em Akinfeev, gigante ao parar um cabeceamento de Andre Silva e um tiro de Cedric com defesas difíceis.

A Rússia não se amedrontou com as ameaças portuguesas e continuou a subir no terreno, ainda que não conseguisse visar a baliza de Rui Patrício. Portugal respondia – Cristiano Ronaldo, ainda que mal servido, não conseguiu dar o melhor seguimento a um contra-ataque gizado por André Gomes.

Mais uma vez, a Rússia não tremeu. Continuou a procurar a igualdade, muitas vezes por via do jogo directo, mas a defesa nacional nunca perdeu “o foco”, tal como referiu Fernando Santos na zona mista. O seleccionador português foi paulatinamente trancando a porta. Primeiro colocando Gelson no lugar de André Silva e o extremo do Sporting trincou os calcanhares dos defesas russos, condicionando a saída de bola. Depois, ao trocar Adrien por Danilo, o que deu frescura física ao meio-campo e mais um reforço na força àrea nacional.

Não se livrou de alguns sustos até final (nos descontos, um cruzamento-remate de Zhirkov e um cabeceamento de Dzhikyia a rasar a trave causaram calafrios), desnecessários face ao domínio exercido e às oportunidades criadas por Portugal, mas o que não é sofrido não tem tanto sabor. E como soube bem a primeira vitória na Rússia e na Taça das Confederações!

Foto de Capa: FIFA

A FIGURA

Cristiano Ronaldo (Portugal) – Já é um hábito estar nesta zona dos rescaldos da seleção e do Real Madrid. Em todas elas mereceu. Tal como hoje. Não só fez o único golo do encontro, como esteve em grande parte dos lances de perigo da seleção, beneficiando e muito do espaço que Bernardo lhe dava à direita e André Silva (colega do eixo) à esquerda.

Falhou o golo de baliza aberta… mas não foi servido nas melhores condições (o cruzamento de André Gomes saiu atrasado).

O FORA-DE-JOGO

Roman Shiskin (Rússia) – Era um dos pêndulos defensivos com os quais Cherchesov, treinador russo, contava para prolongar o 0-0, mas o nulo só durou 8 minutos, com a agravante do cruzamento que deu origem ao golo inaugural português ter partido da zona de jurisdição do médio.

Saiu ao intervalo.

Pedro Machado

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