Um campeão europeu não tem objetivos mínimos

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O título diz tudo sobre o que vou falar neste artigo. Estou e estarei eternamente agradecido ao mister Fernando Santos. Por finalmente ter levado a nossa nação futebolística a atingir o céu que tanto andava a tentar desde 2000. Fui um defensor da sua contratação, após o despedimento de Paulo Bento, porque gostei do seu trabalho no mesmo posto da seleção nacional da Grécia. Achei, naquela altura, que Fernando Santos trazia exatamente o modelo de jogo que Portugal precisava para ser feliz, um jogo frio e cruel para os adversários. Dadas as características do nosso plantel, que cada vez mais era Ronaldo dependente, achei também que o estilo de jogo de Fernando Santos se encaixaria que nem uma luva, para reforçar o coletivo. Não estava enganado, a verdade é que foi com Fernando Santos que conquistamos o nosso primeiro título internacional e o mister merece muito do crédito por esse feito.

As coisas mudam, no entanto, a partir daí e o nosso mister, infelizmente, parece não ter mudado muito. Fomos campeões europeus, a responsabilidade de Portugal muda totalmente, não somos mais os underdogs. Não quero soar como um mal-agradecido, quero antes que quem estiver a ler entenda que sou apenas uma pessoa ambiciosa. E é essa mesma ambição que me leva agora a dizer que Fernando Santos já não é o homem indicado para liderar os destinos da nossa seleção nacional.

Ora vejamos, se no Euro 2016 concordei e defendi totalmente o modelo de jogo usado por Fernando Santos, pois era um modelo que se encaixava bem às características que tinha no seu plantel, acho que esse mesmo modelo, atualmente, já não tem a mesma utilidade e necessidade visto que uma nova geração está a entrar. Fernando Santos parece, no entanto, estar agarrado a esse modelo que lhe trouxe o sucesso e não consegue entender que jogadores como Bernardo Silva, Gonçalo Guedes, Gelson Martins etc… Não se adequam a um modelo de jogo tão defensivo e com pouca velocidade. Um treinador tem que adequar o seu jogo conforme os jogadores que tem, isto é ainda mais fundamental quando falamos de um selecionador nacional que não pode simplesmente ir ao mercado e comprar os jogadores que mais se adequem ao seu modelo de jogo. Fernando Santos tinha que entender que uma grande geração, vice-campeã europeia sub-21, muito bem trabalhada por Rui Jorge, estava ali no seu plantel e o treinador português tinha que obrigatoriamente tirar o melhor de cada jogador, e não foi isso que eu vi.

Fernando Santos precisa de repensar as suas opções
Fonte: FPF

A segunda-parte que Bernardo Silva fez contra o Uruguai é um excelente indicativo de como as coisas poderiam ter sido diferentes, se Fernando Santos não se tivesse agarrado tanto ao seu modelo de jogo e tivesse posto, como fez então, Bernardo Silva no meio. Este é só um pequeno exemplo, de um erro que Fernando Santos ainda corrigiu, mas tarde demais.

Rui Pedro Cipriano
Rui Pedro Ciprianohttp://www.bolanarede.pt
Nascido e criado no interior, na Covilhã, é estudante de Ciências da Comunicação, na Universidade da Beira Interior. É apaixonado pelo futebol, principalmente pelas ligas mais desconhecidas, onde ainda perdura a sua essência e paixão.                                                                                                                                                 O Rui escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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