Publicidade

Alemanha: hora de a Velha Guarda ceder passagem

Gonçalo Taborda · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Em 2014, Die Manschaft era imbatível.  A renovação do futebol alemão iniciada em 2000 traduzira-se numa conquista do Mundial de Futebol. Hoje, os Germânicos veem-se numa encruzilhada: ou renovam a equipa – a começar no banco técnico – ou correm o risco de perder o seu estatuto como potência futebolística mundial.

Phillip Lahm,  Miroslav Klose, Bastian Schweinsteiger. Estes são os três principais nomes que, desde a vitória no Maracanã por 1-0 frente à Argentina, abandonaram a seleção masculina de futebol alemã. Baixas de peso, sim, mas com talento como Julian Brandt, Julian Draxler e Benjamin Henrichs a surgir no seu lugar, tudo parecia encarrilado para mais um excelente desempenho quando, em junho deste ano, Die Manchsaft levantou voo rumo à Rússia. Mas o que outrora parecia uma locomotiva imparável descarrilou, e com estrondo. A vitória frente à Suécia (2-1) de nada serviu perante as derrotas perante México (1-0) e Coreia do Sul (2-0). Os germânicos tornaram-se assim na maior desilusão do Mundial de 2018 e foram para casa como últimos classificados do grupo.

Os alemães no topo do mundo
Fonte: FIFA

Thomas Müller, melhor marcador do Mundial de 2014, ficou em branco. Toni Kroos, conhecido pela sua cabeça fria e passes milimétricos, mostrou-se desconcentrado e anormalmente errático. Manuel Neuer, considerado o melhor guarda redes do mundo, vindo de uma lesão de oito meses, não mostrou a segurança que durante anos o caracterizou – quem se pode esquecer do segundo golo da Coreia do Sul…-. Tal como eles, muitos outros jogadores (nomeadamente os veteranos) ficaram muito aquém das expectativas. Alguns dos únicos aspetos positivos a apontar foram as exibições de Marco Reus e do estreante Julian Brandt, do Bayer Leverkusen.

Técnico principal da Seleção Alemã desde 2006 (entre 2004 e 2006 era treinador adjunto), Löw colocou o seu pescoço na guilhotina ao não convocar Leroy Sané, que tivera uma fantástica época no Manchester City FC, na lista de convocados para o Mundial. Os adeptos alemães, porém, deram o benefício da dúvida ao treinador que comandara a equipa num dos seus períodos mais bem sucedidos de sempre. Mas, após a infeliz prestação, a sua exclusão foi apontada como um dos principais fatores do insucesso germânico.

Desde que assumiu o cargo em 2006, Low nunca se viu numa situação tão precária
Fonte: FIFA

Sejamos honestos: Leroy Sané pouca ou nenhuma diferença faria na prestação da sua equipa. É um jogador extremamente rápido e dotado, sem dúvida, mas os problemas deste plantel são demasiado profundos para apenas um jogador mudar. De qualquer maneira, Leroy Sané acabao por ser o exemplo mais ilustrativo da maior crítica que Joachim Löw recebe: a sua insistência em manter a Velha Guarda, dando muito poucas hipóteses ao jovem e abundante talento que os clubes alemães produzem. E Sané não é o único caso. A inclusão de Manuel Neuer a titular, mesmo após uma paragem tão prolongada, quando Marc André Ter-Stegen tivera a sua melhor época de sempre no FC Barcelona, provou ser uma decisão muito pouco sensata.

Esta recusa seria compreensível num país com poucas capacidades de formação de jovens futebolistas. Mas a verdade é que em quase todos os escalões as equipas alemãs ocupam os lugares de topo. Desde Julian Draxler e Leon Goretzka, já a jogar em grandes europeus, a Mahmoud Dahoud e Kai Havertz, ainda numa fase embrionária da carreira, com dezenas de outros nomes pelo meio. Joachim Löw não tem pouco por onde escolher e a sua insistência em certos jogadores cujo rendimento já não é o mesmo tem-lhe valido justas críticas, especialmente perante os resultados recentes.

É preciso perceber que Joachim Löw não tem necessariamente de sair, mas tem forçosamente de mudar. Mudar o sistema, mudar a mentalidade e dar lugar a uma nova geração. A atual manchou a sua imagem com a pior prestação de sempre em Campeonatos Mundiais. Mas a imagem da Seleção Alemã é uma que pode e deve ser mantida. E só se Low não perceber isto é que terá de ceder lugar a outro treinador, para que a Velha Guarda também possa dar passagem à Nova Geração.

Foto de Capa: FIFA

Artigo revisto por: Jorge Neves

Gonçalo Taborda

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.