Publicidade

Camarões 0-2 Chile: Foi preciso entrar Alexis

Vasco Moreira · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Futebol Internacional

 

Antes de a bola começar a rolar, as principais notas eram as ausências no onze de Claudio Bravo e Alexis Sánchez, do lado do Chile, e de Oyongo, do lado dos Camarões. Nota ainda para o 4-3-3 com que se apresentaram ambas as seleções e para o facto de a lesão de Oyongo provocar a única alteração na seleção africana em relação à última partida oficial, contra Marrocos.

A partida começou praticamente com um remate ao poste de Eduardo Vargas e logo de seguida Fuenzalida tirou um “cabrito” da cartola e obrigou Ondoa a uma excelente intervenção. O Chile começava forte e a explorar Fai, habitual lateral direito, hoje adaptado a lateral esquerdo. A reação dos Camarões surgiu aos dez minutos, depois de um péssimo passe de Jara intercetado a meio-campo. Bola esticada em Aboubakar, que trabalhou bem e, não fosse Herrera, teria feito golo.

O Chile atacava com muitos jogadores e, apesar de sair curto, procurava a profundidade com bolas longas. Os Camarões apostavam no rigor tático, esperavam o erro do adversário para sair para o ataque e contavam com o poder físico nas bolas paradas.

Aos 16 minutos as redes abanaram pela primeira vez na sequência de um livre, a favor dos camaroneses, mas o lance foi anulado por falta de Aboubakar sobre Vidal. Os Camarões já estavam mais compactos; não era tão fácil para o Chile chegar perto da baliza. E foi de longe que provocaram perigo com um bom remate de Puch para mais uma boa intervenção de Ondoa, aos 24’. O guarda-redes de 21 anos era a figura do encontro até ao momento e dois minutos depois voltou a ser fundamental. Vargas trabalhou muito bem. Bola pelo lado de Fai e quase golo de Fuenzalida.

Os Camarões continuavam à procura do erro e ele voltou a surgir aos aos 34’: Moukandjo tentou aproveitar com um bom remate de fora que não passou longe. Até final do primeiro tempo dois lances iguais: Vidal recebe entre linhas e isola Vargas, nas únicas duas vezes em que a bola entrou já perto da grande área; no primeiro Vargas mandou por cima e no segundo não desperdiçou, mas o vídeo-árbitro detetou fora-de-jogo e o lance foi anulado.

A segunda parte começou com mais uma recuperação a meio-campo dos “Leões Indomáveis”, desta vez logo na saída de bola: um excelente lance organizado que acabou com um centro por pouco não correspondido. Os Camarões entraram bem, passaram a ter mais bola, a praticar um futebol apoiado e a ter maior presença no meio-campo adversário.

Não foi titular por lesão, mas constava na ficha de jogo, e, perante um Chile incapaz de importunar e com vários passes falhados, Pizzi viu-se obrigado a fazer entrar Alexis Sánchez para o lugar de Puch, já perto dos 60’. Pouco depois foi Valencia quem substituiu Fuenzalida, mas foram os africanos que voltaram a recuperar a bola a meio-campo por intermédio de Moukandjo, que soltou em Aboubakar – este só foi parado em falta. O livre frontal saiu por cima.

Só aos 70’ minutos o Chile voltou a chegar perto da baliza adversária. Depois de uma boa jogada entre Isla e Valencia, Vargas viu o seu remate interceptado. Na sequência do canto, Isla não fez golo por muito pouco. Os chilenos voltavam a pressionar mais alto e a procurar o golo, ao passo que os camaroneses tentavam perder algum tempo e defendiam em 4-1-4-1. O tão desejado golo do Chile chegou aos 80’. Numa jogada de insistência, Alexis tira um centro milimétrico e Vidal cabeceia para o fundo da baliza de Ondoa. Ainda houve uma tentativa de reação dos Camarões, mas acabou por ser o Chile a chegar ao 2-0. Desta vez foi Vargas, depois de um excelente lance individual do suspeito do costume: Alexis Sánchez.

No final do tempo regulamentar, a vitória do Chile aceita-se e comprova o favoritismo pela turma de Pizzi; no entanto, a tarefa não foi nada fácil. Os Camarões revelaram-se um adversário à altura, equilibraram o jogo no segundo tempo e, seja pela lucidez tática, pelas muitas recuperações ou pelas acelerações de Bassogog, fica a ideia de que se a bola tivesse chegado novamente a Aboubakar em condições o resultado até podia ter sido outro.

Foto de Capa: FIFA

A FIGURA

Fonte: Conmebol
Fonte: Conmebol

Vidal – Um fora de série assume sempre o jogo, ainda para mais quando a sua seleção se vê privada da principal estrela. Seja entre linhas, a vir buscar jogo quando a bola não lhe chega ou a aparecer em zonas de finalização, Vidal é fundamental neste Chile e foi também fundamental nesta vitória. Fica ainda a nota para Alexis, que veio mexer com o jogo.

O FORA-DE-JOGO

Gonzalo Jara – Um passe falhado, uma escorregadela ou ser obrigado a recorrer à falta para parar os camaroneses. Pode ter sido só azar, mas não foi uma exibição muito bem conseguida por parte de Gonzalo Jara. Não é que tenha estado péssimo, mas foi graças a ele que os Camarões estiveram mais perto de surpreender.

Vasco Moreira

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.