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CAN’2015 – Já começou?

José Pedro Marra · 3 min

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Para quem segue habitualmente a Taça das Nações Africanas, a edição de 2015 está a deixá-los, certamente, desiludidos. Infelizmente, até agora os pontos positivos são muito poucos. O rescaldo da fase de grupos é decepcionante. Pouca qualidade individual e colectiva, pouca ambição pela vitória e, pior do que tudo, pouca fantasia africana.

Começando pelos jogadores, os melhores estiveram muito abaixo das expectativas criadas. As “estrelas” não brilharam, não desequilibraram nem fizeram a diferença como se esperava. Em especial Pitroipa, Mayuka, Papiss Cissé, Pierre Aubameyang e Aboubakar manifestaram um futebol bastante aquém do que já mostraram nos seus clubes e ao serviço das suas selecções, estando já a caminho dos seus clubes, devido à sua eliminação precoce. São jogadores de categoria superior, mas que neste torneio se resumiram quase à mediocridade. Uma pena para a qualidade geral da competição.

Em relação à falta de qualidade colectiva de jogo, julga-se que os treinadores tiveram um papel importante para tais exibições. A valorização do resultado impôs-se sobre o prazer da participação. Os modelos de jogo apresentados basearam a sua estratégia na não-derrota, isto é, a sua preocupação incidiu numa sólida e concentrada organização defensiva, em detrimento de comportamentos ofensivos ambiciosos, dinâmicos e criativos.

O facto de os treinadores europeus desejarem adaptar, com cada vez mais força, a dimensão táctico-estratégica presente nos clubes/selecções europeus, puramente descontextualizada da realidade africana, contribuiu para a existência de uma monótona e desinteressante primeira fase da competição.

Com isso, o que mais custou ver até agora foi a ausência de momentos “mágicos” a que o futebol africano nos tem habituado: cortes de pontapé de bicicleta na grande área; fintas de videojogos; golos acrobáticos; festejos originais; rituais de bruxaria. Já nada parece ser como dantes…

A qualidade de jogo da CAN tem sido muito pobre Fonte: Facebook da CAN'2015
A qualidade de jogo da CAN tem sido muito pobre
Fonte: Facebook da CAN’2015

Mas nem tudo foi negativo. O facto de os mais fracos terem conseguido surpreender os mais fortes é algo que se deve valorizar. Os Congos e as Guinés estariam no pote dos “últimos” nas opiniões dos analistas. Contudo, e pondo de parte a situação da Guiné-Conacri – das mais insólitas da história do futebol, já que passou aos quartos-de-final no desempate por sorteio, eliminando o Mali – foram autênticas surpresas as suas superações perante os seus adversários. Pena que o meio para alcançar a passagem para os quartos-de-final nem sempre tenha sido o mais interessante por parte dessas equipas, com qualidade de jogo muito limitada.

Outro destaque positivo foi a abordagem ao jogo por parte da África do Sul. O seu modelo de jogo dinâmico, criativo e solidário merecia outro desfecho. Pareceu que houve alguma falta de capacidade em lidar com as adversidades que o jogo impunha, causando-lhes duas derrotas e um empate, mas até elas aparecerem foi sem dúvida a equipa que mais espectáculo proporcionou aos espectadores.

Em termos individuais, três jogadores merecem destaque. A opinião é subjectiva, como é óbvio, mas, se a CAN’2015 acabasse agora, Dean Furman, Jamel Saihi e Serge Aurier eram os principais candidatos ao prémio de Melhor Jogador: Dean Furman, do Doncaster, é o capitão da África do Sul e é um médio-centro de 26 anos, com escola britânica, que não pára quieto durante todo o jogo e que ataca tão bem como defende; Jamel Saihi é também um médio-centro, nascido e criado biológica e futebolisticamente em Montpellier, tem 28 anos e parece ser o jogador tunisino com maior eficácia de comportamentos, tendo revelado um excelente toque de bola e sentido posicional; Serge Aurier tem 22 anos, joga no PSG e consagra-se cada vez mais como um dos melhores laterais de África – não conseguindo ainda o mesmo papel na Europa, apesar de se adivinhar um futuro fantástico a fazer todo o corredor direito da sua equipa.

Com tantas notas negativas e tão poucas positivas, o rescaldo da primeira parte da competição não poderia ser bom. A CAN’2015 oficialmente ainda vai a meio, mas a verdade é que para muitos dos fanáticos pelo futebol africano o desejo é que venha a edição de 2017!

Foto de Capa: Matthew Kenyon

José Pedro Marra

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