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Até onde pode chegar este FC Porto?

Leonardo Costa Bordonhos · 3 min

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Imaculada. É assim que podemos descrever a campanha do FC Porto na fase de grupos da Taça EHF esta época. E, se analisarmos toda a jornada portista na competição, então esta caminhada ganha contornos ainda maiores.

Por ter terminado na quarta posição no último campeonato, a equipa portista teve de começar na primeira eliminatória enfrentando os romenos do AHC Potaissa Turda. Os dragões entraram com toda a força, vencendo no Dragão Caixa por 41-21 – num jogo onde conseguiu rodar toda a equipa e permitiu ao ainda júnior de 17 anos André Sousa fazer a sua estreia pela equipa principal – e confirmaram o favoritismo seis dias depois, vencendo na Roménia por 27-24.

De seguida, foi a vez de enfrentar o SKA Minsk. A equipa bielorussa demonstrava outros argumentos, sendo a primeira classificada da Liga Báltica. Depois de uma vitória confortável por 34-29 na primeira mão, o FC Porto deslocou-se à Bielorrússia para o segundo jogo, acabando por perder por 25-24. Este foi o primeiro deslize dos dragões na competição, mas em nenhum momento se pôde dizer que a eliminatória estava em risco.

Chegou então a terceira eliminatória e o gigante SC Magdeburg. A equipa alemã era a clara favorita nesta eliminatória. Quarta classificada de um campeonato extremamente competitivo como a Bundesliga, eram poucos os que duvidavam da sua capacidade para atingir a fase de grupos. No entanto, tudo mudou na primeira mão. Jogando na Alemanha, o FC Porto conseguiu dar boa réplica e perdeu apenas por 26-23, trazendo a decisão da eliminatória para o Dragão Caixa. Aí, os dragões escreveram uma das mais bonitas histórias não só da sua história, mas também da história recente do andebol português.

Incentivados pelos milhares nas bancadas, o FC Porto venceu por 34-27 e carimbou a passagem à fase de grupos da Taça EHF pela terceira vez na sua história. E aqui os azuis-e-brancos têm sido irrepreensíveis.

A equipa portista tem tido várias razões para festejar
Fonte: FAP

Quatro vitórias em quatro jogos, melhor ataque da competição, invicta em casa, primeiro lugar do grupo praticamente garantido – seria necessária uma autêntica hecatombe para tal não acontecer. São estes os cartões de visita da equipa de Magnus Andersson. Terminar em primeiro lugar irá permitir fugir aos “tubarões” Kiel, RK Nexe e Füchse Berlin e apanhar um adversário teoricamente mais acessível. Contudo, nesta fase da competição já são poucos os adversários fáceis.

Tendo em conta o atual formato da competição, o Kiel enquanto anfitrião da final-four já garantiu o seu lugar. Isto significa que o quarto pior segundo lugar irá ser eliminado, dando lugar a três embates nos quartos-de-final. Se a fase de grupos terminasse agora, o eliminado ser o GOG da Dinamarca, com o Constanca da Roménia, o Saint-Raphael de França e o Tatabanya da Hungria a serem os apurados. Devido ao facto de o Constanca fazer parte do grupo do FC Porto, este seria imediatamente eliminado do lote de possíveis adversários da equipa portista na próxima fase, deixando apenas o sétimo classificado do campeonato francês e o terceiro classificado do campeonato húngaro, dois oponentes de respeito claro, mas ao alcance dos azuis-e-brancos.

A equipa portista conseguiu 19 vitórias nos últimos vinte jogos em todas as competições e demonstra neste momento uma frescura física invejável, dado o elevado número de jogos já realizados. O Dragão Caixa tem-se revelado uma verdadeira fortaleza e pode ser um fator decisivo, seja qual for o adversário. A questão fundamental vai ser a capacidade da equipa em conciliar os jogos europeus com a dificuldade acrescida da fase final do campeonato e ainda as eliminatórias da Taça de Portugal. A final-four da Taça EHF é cada vez mais uma realidade e um objetivo atingível, mas o principal objetivo portista é a conquista do Campeonato Nacional para regressar à Liga dos Campeões da EHF.

Esta equipa tem não só pernas para andar, mas também asas para sonhar com um apuramento para a final-four e, quem sabe, atingir a final. Não vai ser fácil, mas os dragões já demonstraram a capacidade de conseguir o improvável.

Texto revisto por: Mariana Coelho

Foto de Capa: FAP

Leonardo Costa Bordonhos

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